terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Avatar


Estado de embasbacamento! É nessa condição que estou após assistir ao filme Avatar, do visionário diretor, roteirista e produtor James Cameron. Um filme impressionante! Avatar já estava na mente do diretor há muitos anos (aprox. 14 anos) porém a tecnologia não estava a altura da sua imaginação, por isso, o projeto foi arquivado. Depois de assistir ao personagem Gollum no segundo filme da trilogia do anel, Cameron se convenceu de que seu projeto poderia sair do papel e se tornar um bom filme, nas palavras dele: “um filme que eu gostaria de ver”.

A história do filme não é nenhuma novidade, Jake Sully (Sam Worthington) é selecionado para participar do programa Avatar em Pandora, um planeta (lua?) distante rico em fauna e flora e unobtanuim, um metal valioso que atrai a atenção de uma mineradora da Terra. Pandora é também o lar dos Na´Vi, cuja cultura e existência é ameaçada pela expansão humana. Nesse cenário, Jake Sully, um fuzileiro naval paraplégico, chega para auxiliar uma equipe de cientistas, controlando a distância seu avatar: um corpo Na´Vi projetado para que ele possa se integrar à cultura local. Mas com os interesses crescentes no planeta e a impaciência militar, Jake terá que escolher o lado que tomará no inevitável conflito.

Mesmo com sua obviedade, o filme vale à pena, afinal você nunca viu Pandora, um lugar impressionante onde os seres vivos vivem em harmonia e de certa forma conectados fisicamente e espiritualmente. Cameron cria todo um eco sistema que surpreende nossos olhos com a perfeição dos detalhes. E não era para menos, pois ele criou tecnologia do zero para fazer essa beleza virtual ser tão real. O filme é mais da metade feito em computação gráfica, mas não parece, os Na´Vi são muito reais, aliás, tudo em Pandora é muito real, a ponto de nossos olhos não conseguirem discernir o que é e o que não é real.

Confesso que hoje 22/12/09, estou me sentindo enojado de ser homo sapiens, que na verdade tem se comportado como homo demens (L. Boff). Vendo a invasão e a exploração humana em Pandora é inevitável não pensar que isso aconteceu e acontece de fato e de verdade em nosso mundo capitalista selvagem. Onde os mais fortes subjugam os mais fracos. O filme é uma crítica a essa exploração em nome do progresso. E aqui eu penso, vendemos a alma pro diabo em troca do progresso. Destruímos o planeta, escravizamos semelhantes tudo em troca do “progresso”. Sinto-me enojado porque de certa forma faço parte dessa engrenagem suja. Pois sou um poluidor, consumidor e desfrutador de tudo o que o capitalismo me oferece e não sei como sair dessa, alguém sabe?

Pandora é uma espécie de Éden, onde todos vivem em harmonia. Foi assim que Deus planejou sua criação: a harmonia entre os seres vivos nesse planeta chamado Terra! Desviamos-nos desse propósito, mas Ele garantiu em sua palavra que essa harmonia voltará e tudo será como sempre devia ser. Mas é claro, isso não nos impede de lutarmos, aqui e agora, por um mundo melhor e harmônico.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Como Deus é chamado no NT?


Eu recebi a seguinte pergunta de um ouvinte, segue na íntegra:

“No AT o nome de Deus é escrito YHVH, de fato é o nome de Deus. João Ferreira de Almeida traduz (troca) a palavra por SENHOR enquanto a Tradução do Novo Mundo traduz a palavra por Jeová...Até aí tudo bem. Mas, no NT JFA continua usando o SENHOR e NM continua usando "Jeová", mas, sei que o tetragrama só é usado no AT, Deus é chamado de quê no Novo Testamento, qual é a palavra usada e qual seria a tradução que chega mais próximo?”


Muito boa a pergunta, vamos tentar uma resposta:

Deus no NT é chamado simplesmente de Deus (Theós gr.). Por quê? Na fé israelita primitiva não se negava a existência de outros deuses, por exemplo, o primeiro mandamento não nega, só conclama para a adoração exclusiva a Javé. Logo, aceitando a idéia de outros deuses, é necessário diferenciar e distinguir o Deus (El heb.) de Israel, Javé. No decorrer da sua compreensão acerca de Deus, Israel aniquilou a existência de outros deuses (Is 45 etc.). Bultmann diz que no monoteísmo judaico do tempo de Jesus “o nome próprio de Deus, Javé, se perdeu, pois ele só fazia sentido enquanto Deus aparecia como sujeito entre outros, sendo necessário diferenciá-lo dos demais por meio de um nome determinado”.[1]


Na tradução grega do AT, a Septuaginta (LXX) o tetragrama YHVH (Iahweh)[2] é traduzido por Kyrios (Senhor), por isso JFA traduz tanto o tetragrama do AT como Kyrios do NT com SENHOR. Mas tem algo importante nesse título Kyrios, pois ele é atribuído a Jesus Cristo no NT, logo, o nome de Deus na aliança do AT é ocupado pelo Cristo no NT. Como diz Ladd: “O Jesus exaltado ocupa o papel do próprio Deus no governo do mundo”.[3]

Algumas notas sobre o nome de Deus – Iahweh

Segundo a concepção antiga, o nome não constituía apenas som e fumaça, mas entre o nome e o seu portador subsistia uma mútua relação que denotava a sua característica natural, isto é, o nome contém uma expressão da natureza do seu portador ou, pelo menos, de algo do seu potencial inerente. Deus revela seu nome como um alento num momento de crise e desespero. Deus Revelou seu nome para Moisés num momento de extrema dificuldade.[4]


O nome de Deus, Iahweh, assemelha-se à expressão Eu sou em hebraico (Ex 3.14), ou seja, relaciona-se com o verbo hebraico “ser”, verbo que não significa simplesmente “existir”, mas antes “estar ativamente presente”, tem o sentido de uma presença relacional e atuante. Deus, dá a conhecer o seu nome ao povo, pretendendo lhes revelar seu caráter mais íntimo. Iahweh é o Deus ativamente presente entre o seu povo, nome revelado no momento em que o povo mais precisava (Ex 3; 33.19).


Então, a tradução mais próxima do sentido do nome de Deus não seria EU SOU O QUE SOU, mas EU ESTAREI PRESENTE QUANDO VOCÊS PRECISAREM, isto é, me transformarei naquilo que precisam! Pois “Ser” no AT. não significa um ser em si absoluto, mas antes, um “estar aí/presente/atuante” ou até um “revelar-se como auxiliador”. “Resumindo, a interpretação mais simples é [...] de acordo com Ex 3.14: ele ‘é/se mostra/atua’”[5]


Jesus Cristo identifica-se com o nome em Jo 8.59, Ele é o próprio Eu Sou encarnado! Deus vem ao encontro da humanidade em Cristo, se revelando e se mostrando atuante como nunca antes na história da salvação!


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[1] BULTMANN, R. Jesus. São Paulo: Teológica, 2005. p. 144.
[2] Jeová ou Javé, são a latinização de Iahweh, que é o tetragrama vocalizado (YHWH).
[3] LADD, G. E. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: 2003. p. 575.
[4] ALEXANDER, D. P. (org.) O mundo da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1985.
[5] SCHMIDT, Werner H. A fé do Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 104.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Venha Estudar Teologia no CEEDUC

"Não perca tempo, lembre-se que o tempo passa para aquele faz alguma e para aquele que nada faz, então, se queres se equipar para trabalhar no Reino de Deus, se sentes que suas mensagens já estão repetitivas e tão profundas quanto uma poça de àgua, se percebes que sua liderança está faltando embasamento bíblico, venha estudar teologia conosco! Temos certeza que desenvolverás espiritualidade e conhecimento a serviço da causa do Mestre."
Fone: 47 - 3466 0058

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

30 de Novembro - Dia do Teólogo


Parabéns a todos os teólogos que se esmeram em querer conhecer mais a palavra de Deus e as doutrinas cristãs ao longo da história. Que se preocupam com a correta conduta da Igreja e de alguma forma luta para que ela não se perca no caminho...

Parabéns pra você que não se deixa desanimar mesmo quando toda a liderança da igreja pula de alegria ao ouvir um pregador famoso distorcer algum evento do Antigo Testamento ou coisas do tipo, e tenta de alguma forma, mostrar o desvio sem parecer arrogante e dono da verdade...

Parabéns pra você que não se isolou num escritório, ou casa de campo, e de lá critica por criticar a igreja, mas que faz teologia a partir do povo e para o povo. Teologia que trabalha a serviço da comunidade mesmo quando a comunidade não reconheça a importância do seu trabalho, parabéns!
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A todos que enveredaram pelo caminho da teologia, meus parabéns. Que continuemos a servir a Igreja mesmo que para isso tenhamos que engolir alguns “sapos” para podermos continuar no meio dela, pois o teólogo não tem sentido sem a comunidade de fé; não tem sentido no isolamento doutrinário.

Instruções de Lutero para ser um bom teólogo, leia aqui!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Espada ou Curativo


Eu acabei de assistir a primeira temporada de Lost, produzida pelo nerd J. J. Abrams. Ok, eu sei que estou meio atrasado, mas em duas semanas eu chego ao final da quinta temporada…
Além de todos os mistérios que cercam as personagens perdidas na Ilha, chamou-me muito à atenção os flashbacks dos protagonistas que acompanhamos em cada episódio. Esses flashbacks além de nos revelar um pouco da vida de cada um, nos mostra o porque ele/a está agindo dessa maneira na Ilha, o porque reage dessa forma ao ouvir determinada frase ou conceito a seu respeito.

Geralmente, essas reações na Ilha são fruto de alguma palavra dura que ouviram de alguém que amavam ou consideravam importante: vemos a patricinha que ouviu que nunca faria nada importante na vida, o roqueiro viciado que nunca cuidaria de ninguém, etc. Cada flashback visa explicar essas atitudes na Ilha, e geralmente essas ações, são reações ao que ouviram ao longo da vida.

Fiquei pensando sobre o poder das palavras[1]. Veio-me a mente alguns versículos de Provérbios e o quanto nossas palavras podem levantar ou derrubar alguém num momento delicado da vida, ou numa discussão. Elas podem ser conforto ou cacetada.
Vejamos algumas declarações de Provérbios (NVI):

“A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios abriga a violência.” – 10.11;
“Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo,…” – 11.9;
“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura[2]” – 12.18;

Existem muitos outros versículos na Bíblia nos orientando a esse respeito, mas creio que esses de Provérbios já bastam para nos deixar bem claro, que nós, justos em Cristo, somos convidados a fazer de nossas palavras medicina para os que precisam e não espada que ofende e mata. Em nossos relacionamentos as palavras fazem toda a diferença, constroem ou destroem. E como diz o ditado: “palavra falada é como pedra atirada, não volta mais”.

Não posso esquecer-me de falar da palavra de perdão, ela não irá apagar a ofensa proferida, mas restituirá o relacionamento.
Que possamos usar as palavras para construir pontes e não abismos.
“Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” – 15.23.


Não esqueça de comprar o livro: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Leia um capítulo aqui.

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[1] Deixo bem claro que não penso em poder das palavras no sentido apresentado por Don Gossett em seu livro Há Poder em Suas Palavras.
[2] … mas a língua dos sábios é medicina – ARA.


PS - esse texto escrevi há dois meses atrás para o portal formulados.com.br, já estou em dia com Lost...

sábado, 14 de novembro de 2009

2012 - A Evangelização



Há dois anos criei o panfleto A Morte do Coringa, onde refletia sobre a morte do ator Heath Ledger. Esse panfleto foi entregue nos cinemas depois das exibições do filme O Cavaleiro das Trevas. Foi uma experiência interessante e acredito que deu resultados, imagino alguém regando e outro colhendo.
Agora eu escrevi o panfleto 2012, onde falo sobre o filme, as previsões maia do fim do mundo, enfim, tento gerar uma pequena reflexão. Esse não será entregue nas sessões de cinemas, quem sabe, mas em escolas, universidades, terminais de ônibus, etc.
Conto com as vossas orações para que mais uma vez esse projeto possa gerar uma reflexão e porque não uma metanóia...

agradeço ao amigo Elinéias Fabrício que fez a arte do panfleto.

PS - Se você quiser evangelizar com esse panfleto, entre em contato comigo no rodrigo@formulados.com.br que eu lhe mando o arquivo em cdr. ou em jpg. Vamos evangelizar, creio que entregar esse panfleto pode ser uma boa abordagem.

Segue o texto do panfleto...

Mais uma vez o diretor de cinema Roland Emmerich (O Dia Depois de Amanhã) acaba com o mundo. Em seu novo filme, 2012, o planeta é destruído por catástrofes naturais: como fissuras tectônicas, maremotos, erupções vulcânicas, etc. Com efeitos especiais de primeira, o filme cataclísmico mostra o desespero da humanidade tentando escapar da fúria da natureza.
Por que 2012? Cientistas têm afirmado que, em 2012, o planeta poderá ser alvo de tempestades solares nunca antes experimentadas, e isso causará grandes danos à humanidade. Mas o que intriga mesmo e tem despertado filmes, documentários, debates, etc, é que o calendário da antiga civilização Maia acaba em 21/12/2012 e sua cosmologia prevê o fim deste ciclo solar com tormentas solares, teoria ratificada por nossos cientistas contemporâneos.
Mesmo assim, não podemos afirmar que 2012 será o fim do mundo, pois essas profecias e teorias não possuem precisão, mas elas podem nos servir de aviso...

No verso

O aviso claro e evidente é que estamos destruindo a nossa própria casa e seja em 2012 ou em qualquer outra data, a natureza irá dar a sua resposta final a ação degradante do ser humano. Por isso, a preservação deve começar com pequenas atitudes, como: economizar água; reciclar o lixo (jogar lixo no lixo), descartar corretamente pilhas, baterias, óleo de cozinha, etc. São coisas simples que se todos nós praticarmos, poderá fazer alguma diferença no meio ambiente!
Porém, o aviso mais importante que vejo nisso tudo é que: o fim do mundo para mim ou para você pode ser a qualquer momento. Ninguém sabe o dia de sua morte! Nesses filmes catástrofes sempre tem um personagem tentando se reconciliar com alguém ou concertar algum erro do passado enquanto o mundo vai se acabando. Eu e você talvez não tenhamos essa chance, por isso, para manifestarmos amor e doarmos perdão não podemos esperar ou deixar para depois, temos que fazer agora, motivados por uma atitude nobre e corajosa da nossa parte, pois como diz a canção “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
E não podemos deixar para a última hora o nosso relacionamento com Deus, pois o bom relacionamento com ele é a base de todos os demais relacionamentos. Ele até pode nos salvar no último minuto, mas Ele não quer só os momentos finais da nossa vida, Ele quer construir uma história inteira conosco, e ela começa aqui, neste planeta. Não podemos fugir de Deus e de seu amor, pois fomos programados para Ele.
Não resista, entregue-se a Ele – quando? – hoje, pois amanhã poderá ser tarde...

Para saber mais, acesse www.formulados.com.br/2012 (o portal formulados existe, mas o /2012 será criado durante a semana!)
Por Rodrigo “Bibo” de Aquino
Autor do livro Rascunhos da Alma, Editora Refidim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sete Vidas


Ben Thomas (Will Smith) é um agente da receita federal que resolve ajudar sete pessoas. Ele as analisa, se percebe que a pessoa sonegou por que está em apuros, ele dá um tempinho extra para a pessoa se acertar com o leão do fisco, mas se percebe malandragem, a pena é dura. Conforme o filme cresce, descobrimos paulatinamente, em forma de flash`s do passado, o que atormenta Ben e o motiva a ajudar essas pessoas.

A vida de Ben muda quando ele conhece a frágil Emily (Rosario Dawson), encontro que vai resultar na sua maior redenção. Redenção, essa é a palavra do filme! Então prepare os lenços e deixe meleca escorrer!

Em relação ao desempenho de Will, não preciso falar nada, o cara já mostrou em Eu sou a Lenda (2007) que pode levar um filme sozinho nas costas, e aqui, em Sete Vidas, além de mandar bem pra caramba, como em Ali (2001) não domina sozinho, Rosário Dawson acompanha bem o ritmo do drama.

A partir de agora, só continue lendo se você já viu o filme, contém SPOILERS...

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Chegando perto do final do filme, descobrimos que Bem causou acidentalmente a morte de 7 pessoas, entre elas a sua amada esposa. Acompanhamos um cara perdido que de alguma forma encontra sentido ao ajudar as pessoas, e quando encontra uma mulher que vai morrer devido a problemas cardíacos, se mata para que ela tenha o seu coração. Se mata também para que um cego tenha seus olhos. A crítica caiu em cima de Will dizendo que nesse filme ele exagerou, que ele quer ser Deus e tals.

Também achei exagero, tudo bem que eu nunca perdi alguém que amo, nunca fiquei sem sentido na vida e essas deprês todas, mas percebi que mesmo ele fazendo o bem as pessoas, sua dor não era sanada, por isso, quis se matar, vida por vida, eu tirei vida, eu darei vida.

O suicídio nunca é a melhor saída, mesmo que seja para beneficiar a outrem. Tirar a própria vida é sinal de fraqueza e covardia, é fugir dos problemas e não encará-los. Sei que é muito fácil falar para quem nunca passou por grandes problemas emocionais, mas sei de pessoas que já passaram por barbáries e se levantaram, ou melhor, foram levantadas.

Tem situações que se o humano não se agarrar ao divino, ele se perde, ele se mata. A Bíblia nos dá vários exemplos (Jó/Davi/Jesus) de que o ser humano não pode sozinho. Somente um ser humano morreu e gerou de fato vida, Jesus, o homem-Deus, o resto, é loucura!


Sete Vidas (Seven Pouds) EUA, 2008 - 118min. Drama. Direção: Gabriele Muccino (A Procura da Felicidade). Elenco: Will Smith, Rosário Dawson, Woody Harrelson (caramba, lembram dele?) e Barry Peper.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Chegou!!!


"que meus rascunhos lhe ajudem a escrever a obra-prima de sua vida"


Este pequeno livro é o extrato das reflexões que escrevi no blog Ócio Teológico ao longo de um ano. Lá discorri sobre assuntos que envolvem a fé cristã, refleti sobre o jeito evangélico de ser, compartilhei as minhas dúvidas, ajudei e fui ajudado. A idéia de colocar parte disso no papel surgiu no afã de abençoar os que não têm acesso a internet e aos que ainda preferem o bom e velho livro, pois gostam de riscar, ler em locais diversos, presentear, etc.
O livro tem esse título porque acredito que minhas idéias, aquilo que sou e sinto, estão em constante mudança, em construção. Como sou inacabado, só posso apresentar rascunhos, nada definitivo! Rascunhos da Alma são partes de reflexões que desejo compartilhar com você, por isso, o livro não trata de um único assunto, mas de vários que visam um único objetivo: o despertar para uma espiritualidade saudável que responda em amor a ação graciosa de Deus. Escrevemos sobre oração, amor ao próximo, sinceridade, salvação, missão, arrependimento, etc.

Minha oração é que você seja orientado, edificado e abençoado.

Rodrigo,
Julho de 2009.
quem mora em Joinville encontra nas Lojas da Bíblia, CIA Gospel e Átrios (Pirabeiraba) e quem mora fora, pode comprar clicando no banner acima.

sábado, 17 de outubro de 2009

Lutero e a Escritura

Aproximando-nos de mais um aniversário da Reforma Protestante, nada mais oportuno do que ouvir alguns conselhos de Martim Lutero sobre a Escritura Sagrada:

“A proclamação dos apóstolos foi originalmente também uma palavra falada. Isso corresponde à natureza do Evangelho. Pois o Evangelho não é simplesmente a comunicação de uma verdade da qual alguém poderia tomar conhecimento pelo ler, mas ela é, antes de tudo, um chamado ao homem. Por essa razão, sua forma primária é a proclamação falada. [...] A Escritura tem sua fonte e existência por causa da proclamação oral. Ela surgiu nesse meio como algo que é necessário somente porque é uma ajuda indispensável na proclamação da palavra. A Escritura surgiu da proclamação verbal e está aí por causa dela. A palavra escrito tornou-se necessária por causa do perigo de a pregação descambar para heresias, se a norma da mensagem apostólica fosse esquecida, Por isso a cristandade necessitou a ‘Escritura’, o memorial permanente da pregação apostólica, em forma escrita. Isso torna as congregações mais independentes de seus pregadores. Pregadores podem cair, tornando-se pregadores falsos. Por isso, é necessário que a congregações não dependam absolutamente deles, mas tenham uma posição na qual possam criticar e corrigir seus pregadores. A Escritura possibilita isso”[1]

Que sonho uma comunidade assim. Comunidade conhecedora da palavra que pode auxiliar seus pregadores. Aqui Lutero não fala de crítica por crítica, mas de tarefa da comunidade de Cristo. Se o cenário religioso evangélico brasileiro está assim, é porque nossas comunidades não examinam mais as Escrituras, logo, balançam a cabeça e dizem amém para qualquer coisa que sai dos púlpitos. Uma pena, pois tem saído cada coisa...

Fica o recado...

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[1] Paul Althaus parafraseando Lutero. A Teologia de Martinho Lutero. Canoas: ULBRA, 2008. p. 88-89.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Caça as Bruxas


Quando eu estava, na antiga 5ª série, a professora de português fez um trabalho, onde os alunos teriam que procurar erros gramaticais em cartazes e placas de lojas, outdoors, cardápios, vitrines, etc. Ela batizou o trabalho de Caça as Bruxas. Foi um trabalho interessante. Desde que me formei em teologia, caço algumas bruxas nos púlpitos da vida... não é por mal, é por hábito...

Num final de semana há algum tempo atrás, numa igreja, eu ouvi as seguintes declarações:

1 – um pastor em meio ao seu empolgante discurso sobre o amor de Deus falou: “irmãos, Deus nos amou tanto, que veio a esse mundo e se encarnou num homem”...

2 – outro, ao falar sobre o por que sentimos saudades do céu disse: “sabe por que sentimos saudades do céu? Porque nossa alma veio de lá”.

3 – uma dupla cantou um hino que dizia no refrão: “o anjo vai descer aqui e te abençoar” (não só no refrão, mas em toda letra o anjo era o agente da bênção).

4 – e por último, que não se encaixa no rol de heresias, mas de falta de sensibilidade. O pregador, no afã de falar que a presença de Deus nos cura de todos os males, bradou: “irmãos, esses centros de recuperação só estragam as pessoas, elas entram ruim e saem piores, a pessoa tem que ir é para a igreja”.

Eu reconheço que existem desvios teológicos bem mais graves e que esses que apresentei acima não são um “bicho de 7 cabeças”, contudo, acredito que apesar de serem pequenos, devem ser corrigidos:

1 – Deus não se encarnou num homem chamado Jesus de Nazaré. Na antiguidade apareceram muitas doutrinas cristológicas semelhantes, que foram tidas como heresias (Nestório, ebionitas, monofisismo, etc.). Maria gerou em sem ventre o menino Deus. Temos que nos firmar na decisão do Concílio de Nicéia, na fórmula do homooúsios (da mesma substância) onde Cristo é da mesma substância que o Pai e confessarmos o credo niceno-constantinopolitano que diz: “e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância (ex tes ousías tou patrós) do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância com o Pai (homoousion to patrí) pelo qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual por nós seres humanos e por nossa salvação desceu, foi feito carne do ES e da virgem Maria, e tornou-se humano, e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos...”[1].

2 – Dizer que a alma veio do céu é o mesmo que dizer que a alma é pré-existente, e a Bíblia não fala nada nesse sentido, Platão fala. Para Platão, a alma é um ser eterno, de natureza espiritual, cuja função principal é conhecer o mundo ideal e transcendental. Platão afirma que a alma humana, é imortal e de natureza espiritual e inteligível, sofreu uma espécie de queda original, causada por um mal radical (o que chamamos de pecado). Afirmar que a alma veio do céu além de anti-bíblico é engraçado, pois fico imaginado Deus com saquinho de almas. Se o ser humano foi criado por Deus, logo, todo ele provém de Deus, mas isso não quer dizer que nossa alma estivesse em Deus, numa pré-existência. Pensar dessa forma é reduzir o corpo a receptáculo da alma, e isso não é bíblico também, como vimos nos estudos abaixo
. Por exemplo, o termo hebraico néfesh, geralmente é traduzido como alma em muitas de nossas traduções. Isso é problemático, porque geralmente já lemos o texto tendo em mente a compreensão platônica de alma: algo preso dentro do corpo, separado do corpo. Para termos uma idéia, néfesh abarca em seu campo semântico aproximadamente sete significados (garganta, pescoço, anelo, alma, vida, pessoa, pronome) e hoje podemos concluir que em poucas passagens a tradução dessa palavra por “alma” corresponde ao significado de néfesh. Dois exemplos pertinentes:
A – em Gn 2.7, certamente néfesh não significa alma. Ela dever ser vista em Gn 2.7 em conjunto com a figura total do ser humano, especialmente com sua respiração; por isso o ser humano não tem néfesh ele é néfesh, vive como néfesh.
B – Quando diz sobre Raquel (Gn 35.18) que sua néfesh “saiu” quando ela morreu, de acordo com o Antigo Testamento, só podemos pensar em respiração, e não em alma. [2]

3 – preciso comentar mesmo? Anjos são servos e não merecem adoração, destaque e nem hino. Dedicar hinos a anjos como agentes da bênção é trocar os pés pelas mãos, é roubar a glória de Deus. Ouvindo esse hino, dá até vontade de orar para o anjo...


4 – Infeliz essa colocação. Falar uma coisa dessas é focar nos casos que não deram certo. É esquecer-se das muitas pessoas que se recuperaram nesses centros de tratamento e voltaram a viver em sociedade, voltaram para as pessoas que a amam, é esquecer que esses centros são, para muitas famílias, a única chance de uma nova vida, pois ninguém mais quer, nem mesmo as igrejas. Essas casas de recuperação fazem um excelente trabalho. Acompanhei um pouco o trabalho do CERENE, e vi pessoas sendo transformadas e se rendendo ao evangelho.

Cada tópico aqui poderia ser mais explorado, mas já estouramos o limite de linhas e o tempo do ócio se foi...

Se quiseres aprofundar um pouco sobre a questão da alma, principalmente o tema imortalidade da alma, clique aqui e leia o artigo do Prof. Dr. Euler Westphal na revista Vox Scripturae.



[1] DREHER, Martin N. Coleção história da Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 2004. v. 1. p. 68.
[2] Ver o brilhante estudo de WOLFF, Hans W. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2007. p. 33-56.

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