quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Somente Cristo

Prezados leitores, mais uma vez peço perdão pela demora em atualizar o blog, mas a vida de casado e em fase de TCC, o ócio está escasso, e pra piorar, quando sobra um tempinho, as muitas séries da TV americana me roubam à atenção.
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Nesse mês, o podcast dos formulados não poderia trabalhar outro tema se não o da Reforma Protestante.  Depois de fazermos uma pequena introdução, começamos a abordar os pilares da teologia de Lutero: Somente Cristo; Somente a Fé; Somente a Escritura e Somente a Graça. Semana passada abordamos o primeiro pilar, e apesar de óbvio, foi muito proveitoso rever alguns pontos, que compartilho em breves palavras a seguir.

Lutero não planejou uma revolução, como professor de exegese bíblica ele só queria entender a salvação da humanidade. A pergunta: como o ser humano é salvo, o levou até o Cristo das Escrituras, diferente daquele “oferecido” pela igreja de então. O acesso a Cristo na época de Lutero era extremamente “burocratizado” sendo os ritos/sacramentos central na piedade dos fiéis.

Com a declaração Somente Cristo, Lutero quis colocar Cristo no centro da existência humana. O ser humano na busca pelo Pai só o encontra em Cristo. Todas as perguntas acera de salvação e relacionamento entre o divino e o humano se resolvem no Cristo.
Em Jesus Cristo, mediante a sua pessoa, atividade e história, Deus tem aberto seu coração à nós. Assim, Ele nos deu a certeza do que sente a nosso respeito e sua intenção para conosco. CRISTO É O ESPELHO DO CORAÇÃO PATERNO DE DEUS. Podemos dizer sem titubear: Deus é por nós, Deus quer nos Salvar.

Tudo parece óbvio para nós hoje em dia, mas não era para aquela época, em que a salvação estava ancorada nas tradições e não na Escritura/Cristo. As pessoas viviam a tensão céu/inferno e toda piedade era movida pelo medo de ir para o inferno e não por amor e devoção a Deus. Fazendo essa observação percebo que muitas pessoas ainda vivem nesse mesmo esquema.
No meio pentecostal se pergunta muito pela certeza da salvação. E é incrível como muitos não respondem de pronto. Depois de conversar com muitos irmãos e irmãs, cheguei a conclusão que essa incerteza se dá pelo fato da ausência da centralidade de Cristo. Quando alguém titubeia diante dessa pergunta, é porque a concepção de salvação ainda é meritocrática. Fica claro que não é Cristo que está no centro, mas a piedade.

Alguns colocam a piedade no centro (sou salvo porque oro, jejuo, blá blá), outros o ministério (sou salvo porque sou um obreiro/a aprovado), enfim, existem muitos amuletos que tiram Cristo do centro. Por isso, se faz necessário colocarmos CRISTO no centro e sempre de novo reconhecermos que Somente Cristo Salva e que nossa justiça não passa de absorvente (Is 64.6).
Nesta sexta, 15/10/2010, abordaremos o segundo pilar, Somente a Fé, ouça ao vivo nosso podcast na rádio 107,5FM (quem está fora de Joinville pode acessar www.1075fm.com.br) as 23h. Esse podcast estará disponível para download no portal www.formulados.com.br.

Para elaboração desse texto usei o livro A Teologia de Martinho Lutero, de Paul Althaus, editora da Ulbra, 2008.

SOMENTE CRISTO (Solus Christus)

Lutero resgata o ensino bíblico da centralidade de Cristo, como único fundamento da nossa fé e da nossa salvação. Somente Cristo salva, somente Cristo perdoa, somente Cristo nos conduz à comunhão com Deus. O ser humano não tem forças, nem recursos para salvar a si mesmo, por meio de suas obras ou méritos pessoais. Por si só o ser humano é escravo da corrupção e da perdição. Jesus Cristo, por causa da sua obra realizada na cruz é o único que pode resgatar o ser humano do mal e do pecado no qual se encontra. Lutero coloca no centro da fé somente o Cristo e a cruz e tira do ser humano todo poder ou pretensão de fazer a salvação passar por imagens, santos, promessas ou obras meritórias.
Quanto a isso o reformador nada inventou. Apenas chamou atenção para aquilo que sempre esteve registrado nas Sagradas Escrituras. Quero lembrar apenas uma passagem que aponta para esta centralidade de Cristo como fundamento da nossa fé. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4.12).

Disponível em http://www.luteranos.com.br/articles/9353/1/Os-pilares-da-Reforma/1.html

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Meu nome não é Lúcifer.

Satanás vive dando entrevistas nas igrejas[1] por aí. Penso que uma das coisas que ele deveria falar é: Parem de me chamar de Lúcifer! Se bem que para o “peludo”[2], quanto mais ignorante o povo for a seu respeito, melhor, como bem frisa CS Lewis em seu magnífico livro[3] Cartas de um diabo ao seu aprendiz (Martins Fontes).

Na mente evangélica é automático associar o nome Lúcifer à Satanás, isso é aceito como verdade inquestionável. Porém, nem sempre foi assim na história da igreja. Até o século IV um bispo cristão ainda podia chamar-se São Lúcifer e seus seguidores de luciferianos. Somente quando alguns Pais da Igreja começaram a interpretar Is 14.12 como sendo o relato da queda de Satanás, que essa associação aconteceu e Lúcifer passou a ser nome do diabo.[4]

A palavra lúcifer foi introduzida no texto de Is 14.12, por ser a tradução latina da palavra hebraica hêlel, que significa “portador da luz” ou “estrela da manhã”. Era o nome latino para o planeta Vênus, o objeto mais brilhante no céu depois do sol e da lua, que algumas vezes aparece de noite, outras vezes pela manhã.[5]

O texto de Is 14 em seu contexto, em nenhum momento sugere a queda de um ser angelical. É explicitamente um oráculo contra o rei da Babilônia (v. 4), um ser humano que queria ser igual a Deus.[6] O título dado ao rei, Estrela d`alva, ou estrela da manhã, é de ascendência mítica em literaturas antigas, e “aplicado ao rei de Babilônia equivale a título divino”.[7] Título aplicado de forma pejorativa, pois o rei babilônico, com sua glória e pomposidade, se considerava entre os deuses.[8] Mas a profecia coloca o rei em seu devido lugar a partir do versículo 15. Leia o texto, vai ajudar a entender melhor a reflexão, clique aqui.

Oropeza afirma: “O rei da Babilônia, não Satanás, está em foco, porque ‘subjuga as nações’ (Is 14.12). É difícil ver como Satanás poderia subjugar nações inteiras em sua queda original, quando elas ainda nem existiam”.[9]

O fato é que, não se encontra amparo nem no Novo Testamento nem nos escritos dos pais apostólicos[10] nenhuma afirmação de que Satanás uma vez foi um belo anjo chamado Lúcifer. Como já dissemos acima, foi a partir do séc. III, com Orígenes, que essa associação começou e nunca parou. Contudo, uma exegese honesta com o texto bíblico não pode cometer esse erro. Dizer que Lúcifer é Satanás é ser arbitrário na escolha dos versículos. É ler o texto isolado de seu contexto, acreditando que ele contém uma verdade escondida, mais espiritual. É querer fazer o texto falar algo que ele não quer falar! Não é dessa forma que se lê e interpreta a Bíblia. Eu não posso escolher dois ou três versículos bíblicos, isola-los e dizer que eles querem dizer tal coisa.

O texto de Is 14 sempre é comparado com Ez 28:11-19. Não iremos entrar em detalhes agora, mas os mesmos princípios aplicados em Isaías servem para Ezequiel. Só deixo de tira gosto o v. 2 do cap. 28 “"Filho do homem, diga ao governante de Tiro: Assim diz o Soberano, o Senhor: "No orgulho do seu coração você diz: 'Sou um deus; sento-me no trono de um deus no coração dos mares'. Mas você é um homem, e não um deus, embora se considere tão sábio quanto Deus”.

Podem perguntar: “se esses textos bíblicos não falam da queda de Satanás, onde fala?” A bíblia não relata com clareza a queda de Satanás, pois ele não é seu foco, assim como os anjos, é assunto marginal. Calvino afirma: “Murmuram alguns por que a Escritura não expõe, sistematicamente e distintamente, em muitas passagens, essa queda e sua causa, modo, tempo e natureza. Mas uma vez que essas coisas nada têm a ver conosco, lhe pareceu melhor, ou não dizer absolutamente nada, ou que fossem apenas tocadas de leve, pois não foi digno do Espírito Santo alimentar-nos a curiosidade com histórias fúteis, destituídas de proveito. E vemos ter sido este o propósito do Senhor: nada ensinar em seus sagrados oráculos que não aprendêssemos para nossa edificação”. As Institutas I 14.16.

Só enfatizo que com esse texto não estou negando a existência ou queda de Satanás, estou apenas dizendo que não temos amparo exegético seguro para chama-lo de Lúcifer. Satanás tem muitos nomes, mas não Lúcifer. Aliás, se tem alguém na bíblia, digno de receber esse nome, é o próprio Cristo, ele sim, é a verdadeira Estrela da Manhã (Ap. 22.16).[11]

Ficou claro? Caso não, use os comentários para postar a sua dúvida. Vamos caminhar juntos!

Rodrigo "Bibo" de Aquino é autor do livro Rascunhos da Alma e faz o podcast do portal http://www.formulados.com.br/
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[1] As entrevistas com o demônio começaram no Brasil, com intensidade, a partir da década de sessenta com a Igreja Deus é Amor e ganhou força nacional com as igrejas neopentecostais (pseudo-pentecostais para alguns teóricos como Robinson Cavalcante).
[2] A palavra hebraica seirim é traduzida em algumas versões (como a NVI) como “ídolos bodes”. Na tradição hebraica os seirim eram chamados “peludos”, uma referência a espíritos malignos.
[3] Algum livro do Lewis não é magnífico?
[4] CROSS, F. L.; LIVINGSTONE, E. A. (org) In: OROPEZA, B. J. 99 perguntas sobre anjos, demônios e batalha espiritual. São Paulo: Mundo Cristão, 2000. p. 85.
[5] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.
[6] Algo bem típico da raça humana desde Adão!
[7] SCHÖKEL, L. A.; SICRE DIAZ, J. L. Profetas I Isaías – Jeremias. São Paulo: Paulus, 1988. p. 181.
[8] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.
[9] OROPEZA, B. J. 99 perguntas sobre anjos, demônios e batalha espiritual. São Paulo: Mundo Cristão, 2000. p. 85.
[10] Homens que preservaram a doutrina dos apóstolos no segundo século da era cristã.
[11] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Teologia da Cruz

Por Fernando Albano

No Evangelho de Marcos observamos uma verdadeira teologia da cruz. Há uma notável identificação de Deus com a fraqueza e miséria humana. O Messias é alguém que sofre na cruz (Mc 9.9-10; 15.39), portanto, é um servo sofredor; algo paradoxal para a figura do Messias triunfante e poderoso conforme entendida pelo Judaísmo da época (Is 53.1-7). Nesse sentido, a teologia da cruz em Marcos fundamenta-se na identificação divina com o sofrimento humano. O amor e a justiça de Deus conduzem Jesus à cruz. É na cruz que ocorre a maior revelação de Deus: o pecado é apresentado como algo terrível que resultou na morte do Filho e, além, disso ficou comprovado o amor de Deus. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.8).

Em tempos de confusão doutrinária e igrejas-empresas, comprometidas com a conhecida “Teologia da Prosperidade”, parece-nos salutar atentar para a realidade dura e crua, como Marcos nos apresenta a revelação de Deus. Deus não se revela plenamente por intermédio de bênção e milagres, mas sim na terrível cruz.

Vale considerar que, se o Filho de Deus obteve fim tão trágico, ainda que tenha sido por nossos pecados, o que não poderá suceder aos seus discípulos? “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará” (Mc 8.34-35).

Marcos enfatiza a morte de Jesus em boa parte de seu evangelho. Mais ou menos um quinto do seu conteúdo é dedicado à morte e ressurreição de Cristo (1). Marcos não deixa dúvidas de que a cruz é central em seu livro. E, como vimos esta morte de Jesus tem implicações para o discipulado cristão, especialmente no que tange a morte do nosso ego. Contudo, não foi apenas para se identificar conosco e nos dar exemplo, que Cristo assumiu a condição humana e morreu, mas principalmente para expiar (2) a nossa culpa. De acordo com Marcos, o pecado da humanidade foi o principal motivo da morte e ressurreição de Jesus Cristo (Mc 8.31; 14.31).

A morte de Jesus não ocorreu apenas por que ele atacou as estruturas religiosas da época; por que em sua vida demonstrou aspectos revolucionários que teriam motivado o desfavor do império romano, resultando em sua condenação à morte. Estes aspectos, apesar de serem verdadeiros não constituem o motivo central da morte de Jesus. Acima de tudo sua paixão cumpre com o desígnio redentor de Deus. Sua morte tem efeito vicário, isto é, Cristo morreu em lugar do pecador, segundo o desígnio de Deus.

Infelizmente, há teólogos que negam a necessidade da morte de Jesus para a efetivação da reconciliação. Ensinam que Jesus não teve que morrer para que Deus pudesse perdoar os homens. Deste modo, minimizam o conceito de “ira de Deus”, claramente exarado nas Escrituras (Rm 1.18; Mt 23.33; Jd 14,15).

Para Marcos a morte de Jesus não era comum. No Calvário aconteceu algo significativo para a humanidade. Além de Jesus morrer em lugar do ser humano pecador, sua morte tem um caráter de resgate: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (10.45). Segundo Morris:

Resgate era o termo relacionado com o preço pago para libertar um prisioneiro de guerra, um escravo ou alguém sentenciado à morte. Ele não diz do que está libertando as pessoas, mas, no contexto deste evangelho, claramente se trata de liberdade do pecado e de uma vida pecaminosa. Essa liberdade não vem de modo fácil ou automático. Ela tem um preço, e Jesus pagou esse preço. (3)

De acordo com o evangelista, este resgate está intimamente ligado ao ato de Jesus beber do “cálice”, que representa o sofrimento da punição retributiva (14.36). Isto de conformidade à vontade de Deus. Na última ceia, Jesus deixou bem claro, que o pão e o cálice representam o seu corpo e sangue que seria “derramado em favor de muitos” (12.22-24) (4). Deste modo, parece irrefutável que Marcos defende a ideia de que a morte de Jesus não foi algo acidental, mas realização do propósito de Deus e, que o próprio Jesus estava consciente disto. Convém destacar que Paulo, o primeiro teólogo da Igreja primitiva já defendia tais conceitos (1 Co 15.3-4) (5). Definitivamente Jesus pagou o preço do resgate da humanidade, e, isso faz parte do propósito de Deus. (6)

Para a Igreja primitiva, a interpretação da cruz como fazendo parte do projeto de Deus foi de fundamental importância para acreditar em Jesus ressuscitado. Não há dúvidas de que as comunidades cristãs entenderam a morte de Jesus na cruz como mediação para reconciliar a humanidade com Deus (Rm 5.6,10; 14,15; 1 Co 8.11; 2 Co 5.18-19), libertando-nos da lei (Gl 3.13). A teologia de Marcos vai nesta direção, de tal modo, que pode perfeitamente ser denominada de “teologia da cruz”.

Isto posto, hoje, as igrejas comprometidas com a Bíblia devem alçar a bandeira da “teologia da cruz”, e seguir pregando o Evangelho que cura, liberta, abençoa, mas que também chama para a renúncia, morte do ego, enfim para a cruz.
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1 - MORRIS, Leon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2003. p. 117.
2 - Expiação em sentido religioso, como era compreendida em todo o mundo antigo, pressupõe que o mundo está sujeito a uma ordem cuja não observância é castigada pelos poderes supra-mundanos. Somente a expiação, portanto, pode romper uma reação em cadeia de pecado e desgraça.GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento. 3. ed. São Paulo: Teológica, 2003. p. 210.
3 - MORRIS, 2003, p. 132-33.
4 - Vale ressaltar que, as comunidades cristãs conheciam muito bem a ceia. Deste modo, o evangelista Marcos ao realçar a relação da ceia com o salvador, contribui para livrar o rito cristão de ser compreendido como mera mecânica litúrgica.
5 - Segundo especialistas, os escritos do apóstolo Paulo (anos 50 do século I) antecedem os Evangelhos. Cf. BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 58.
6 - A quem Jesus pagou o preço do resgate da humanidade? Alguns afirmam que Jesus pagou ao diabo. Mas esta interpretação é completamente equivocada, pois a humanidade pecou contra Deus, logo, a dívida diz respeito a Deus e não ao diabo. Portanto, Jesus quitou a nossa dívida junto à justiça divina (Cf. 1 Jo 4.10). Por outro lado, hesitamos em falar em pagamento de “resgate” a Deus Pai, porque não era ele que nos mantinha como escravos, mas sim nossos próprios pecados.
7 - GASS, Ildo Bohn. Uma introdução à Bíblia: as comunidades cristãs da primeira geração. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2005. p. 38-39.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Livro de Eli


Ontem, 9 de agosto de 2010, assisti ao filme O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), e gostei muito do que vi. O filme levou-me a refletir em questões importantes a respeito de um tal livro sagrado e seu papel na história da humanidade.

Na película acompanhamos Eli (Denzel Washington), uma homem que a 30 invernos caminha em direção ao Oeste carregando e protegendo um livro. O filme não entra em detalhes sobre o que aconteceu com a terra que está diante dos nossos olhos. O que vemos é um mundo pós-apocalíptico, destruído por uma guerra. Um mundo sem regras e sem lei. Eli viaja com o livro porque ouviu uma voz, que o orientou a rumar para onde o sol se põe. Eli é da paz, mas ai de quem se meter em seu caminho. E para gerar um pouco de boas cenas ação, alguns se metem. O vilão dessa história é Carnegie (Gary Oldman), o chefe de um vilarejo bem interessante, que há tempos caça um livro, que segundo a sua crença, possui palavras poderosas, que podem torná-lo um grande líder e dominador. Bem, não é difícil imaginar que o livro que o bandido quer é o livro que o mocinho tem.

O filme é bom, tem um final decente e você não fica com aquela sensação: Perdi 2 horas da minha vida. Vale a pena reunir a turma da igreja ou os amigos e curtir O Livro de Eli.

Abaixo, compartilho umas reflexões.
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SPOILER A FRENTE
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Não quero discutir se Eli era cego ou não, se era, caramba, o cara tinha uma mira fora do sério, o que pode ser fato, visto ele ser uma espécie de messias, pois carrega a palavra da salvação. Sem contar que sobrevive a um tiro a queima roupa, então era possível ser cego e fazer tudo aquilo, ou não.

O que me chamou a atenção é que nesse futuro caótico quase todas as Bíblias foram destruídas exceto a que Eli carrega e protege. Não sabemos se a Bíblia foi a causa dessa grande guerra, só sabemos que ela foi destruída porque suas palavras são poderosas e nela consta preciosas orientações para humanidade.

Destruir a Bíblia foi um meio de privar o povo do conhecimento da verdade. Verdade essa que pode ser usada com motivações erradas. O vilão do filme queria usá-la para legitimar a opressão sobre outros povos, tipo o Bush, ta lembrado?

É interessante perceber que essa história de ocultar a Bíblia do povo não é nova na história, aconteceu na Idade Média e está acontecendo em nossos dias. Só que vivemos o contrário do que é apresentado no filme. Hoje temos centenas de traduções, versões, modalidades, Bíblia da mulher que ora, da que não ora, de Genebra, de gengibre, etc. E mesmo com tudo isso, vive-se uma obscuridade bíblica incrível. A palavra de Deus está tão marginalizada em nossos cultos e vivência comunitária que parece não sentirmos falta dela. A substituímos por longos períodos de louvor, apelação para extorsão de ofertas e dízimos, políticos, esoterismos, etc, nesses momentos ela é até citada, porém, só serve para legitimar tais práticas, por isso, os textos citados ficam completamente fora do contexto, gerando o pretexto para tal atitude. Uma lástima!

Não preciso ficar falando da importância da Bíblia na vida da igreja. Só posso lembra-los que:
- pessoas perderam a própria vida protegendo-a;
- foi a maneira que Deus escolheu para preservar suas orientações;
- a genuína fé só vem por meio dela;
- vida cristã sem espiritualidade embasada na palavra não passa de fogo de palha;
- sem conhece-la, você engole qualquer baboseira que alguém diga e acha que aprendeu algo bíblico.

Enfim, vamos voltar um pouco mais nossa atenção para as Escrituras!

PS – o filme permite outros olhares, como por exemplo o compromisso que Eli tinha em proteger essa palavra e como a conhecia, tanto que a recitou toda no final do filme. Que tal você compartilhar sua impressão? Fique a vontade, os comentários são todos seus!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cristianismo e simbolismo

Por Fernando Albano

No cristianismo o símbolo mais conhecido é o crucifixo: símbolo da morte de Jesus Cristo em favor dos pecadores. Um bom exemplo da importância dos símbolos na religião, especialmente na cristandade é o catolicismo romano, cuja linguagem simbólica é bastante forte. Isto pode ser confirmado mediante o sacrário, vestes litúrgicas, velas, imagens de santos, arquitetura das igrejas, entre outros. No protestantismo histórico e pentecostalismo também há símbolos, todavia, de modo bem restrito. Muitas igrejas não possuem sequer o símbolo da cruz. Isto se deve a uma postura anti-católica presente no protestantismo. No afã de se afastar dos elementos católicos romanos muitos símbolos cristãos foram eliminados do seio protestante. Isto ocorreu já nos primórdios da Reforma.
Os protestantes e evangélicos, de um modo geral, tem fortes receios quanto à utilização de símbolos, pelo fato de muitos deles terem se tornado instrumento de idolatria, especialmente na Idade Média. Ou seja, tornaram-se importantes em si mesmos, principalmente para a fé popular, e, assim se corrompeu o símbolo que, deixou de apontar para algo ou alguma realidade fora dele mesmo. Todo símbolo que ganha valor em si mesmo torna-se objeto de idolatria.

Os símbolos cristãos desvendam algo da realidade; mas, em si mesmo, não são essa realidade. Nisto os protestantes, evangélicos têm muita razão. Contudo, não se pode negar que o ser humano é um ser que anseia pelo simbólico. Dreher afirma: “É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual”. Na verdade não há relação “pura” com Deus que não seja mediada por elementos concretos, pois apesar de nossa natureza espiritual, somos também materiais.

Devido a esta postura iconoclasta, se incorreu numa pobreza litúrgica e simbólica no segmento protestante. O homem encontra-se no vazio do espaço litúrgico, deste modo, deve olhar para dentro de si. Estabelece-se uma relação com seu interior. Nesta perspectiva: Deus está dentro da gente e basta prestar atenção em nosso coração.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cosmovisão Cristã

A palavra cosmovisão significa visão de mundo e em termos gerais quer dizer a forma, ou a “lente” com a qual enxergamos a realidade.*


Segundo Wolters, uma cosmovisão teria o papel de um guia para a vida, mesmo quando presente de forma inconsciente e desarticulada em uma pessoa. Funciona como um compasso ou um mapa, que nos orientaria quanto ao mundo em geral, dando-nos um sentido do que está certo e errado na confusão dos eventos e fenômenos que confrontamos, afetando a forma como acessamos os eventos da vida, assuntos e estruturas de nosso tempo e sociedade.*

Fica evidente a partir da definição de Wolters que todos nós temos uma visão de mundo, ninguém que vive em sociedade está imune a uma filosofia de vida. Cosmovisão pode ser entendido como uma filosofia ou conceito, adotado por um indivíduo ou grupo social, para nortear suas ações no mundo.

Para entendermos um pouco o poder de influência da sociedade sobre o indivíduo, podemos citar a preocupação de Deus em orientar o povo de Israel, para que fugisse das relações mistas e educasse seus filhos na lei do Senhor, a fim de não se contaminar com as práticas pagãs (Dt 6 -7). Também os cristãos são exortados a não se conformarem com o espírito deste século (Rm 12.1-2).

O espírito deste século é hostil a Deus e a sua palavra, por isso, se faz necessário falar em cosmovisão cristã, para que o povo de Deus saiba viver nesse mundo e não pereça por falta de conhecimento. Como dito acima, todos nós temos uma cosmovisão, contudo, muitos não sabem definir a sua, logo, são facilmente controlados por idéias que nunca chegam a conhecer. Isso é inadmissível para o cristão, pois ele precisa saber a razão de sua fé, precisa saber como Deus enxerga o mundo e que tipo de gente Ele quer como súditos de seu reino.

O ser humano pós-moderno vive inundado em cosmovisões, ele aceita todas que de alguma forma possa preencher e dar sentido a sua vida. Fato é que, mesmo nessa diversidade de visões e modos de viver, o homem moderno continua desorientado.
O mundo de hoje, nesse sentido, é bem parecido com o mundo do primeiro século da era cristã, ao qual chegou a mensagem do evangelho. Nas palavras de Ferreira em sua teologia sistemática:

[...] era um mundo pluralista, onde havia muitas cosmovisões em competição pelos corações das pessoas. Neste meio, a proclamação do evangelho de Jesus Cristo ofereceu um desafio total. E tal evangelho legou ao mundo antigo uma cosmovisão íntegra e coerente, adequada para lidar com todas as áreas da vida.

Sendo assim, fica evidente que a igreja como representante de Deus na terra, deve ter uma cosmovisão que preserve a vida em todas as suas dimensões. Por isso devemos nos perguntar se a nossa missão tem cumprido esse papel.
O assunto é muito amplo e não temos espaço para maiores explanações, mas cremos que isto ficou claro: é a comunidade de Jesus que tem a responsabilidade de viver diaconicamente!


este texto complementa estas reflexões: parte 1 e parte 2


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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 41. James Sire, escritor cristão, definiu cosmovisão como: “um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma narrativa ou como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos.” SIRE, J. Apud OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. Reflexões críticas sobre Weltanschauung In: Fides Reformata. São Paulo: Mackenzie, 1996. v. 3, n. 8. p. 34.



OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. 1996. v. 3, n. 8. p. 37. Por isso os pais devem educar seus filhos no caminho do Senhor para prepará-los contra a enxurrada de cosmovisões contrárias ao evangelho. Isso quer dizer que se os pais não assumirem seu papel de “construtores sociais ativos”, introduzindo seus filhos neste mundo hostil a Deus e à sua palavra, certamente a sociedade secularizada o fará em sentido contrário.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLENITUDE DOS TEMPOS


Acompanhe a série PLENITUDE DOS TEMPOS, clique na imagem, e ouça nosso PODCAST.

O programa Fórmula 3.16 vai ao ar toda sexta feira pela 107,5FM a meia noite, e 24h no site http://www.formulados.com.br/

terça-feira, 15 de junho de 2010

Rascunhos sobre liderança cristã

São fragmentos que escrevi há tempos para um informativo da igreja...
... peço desculpas pela demora em atualizar, vou casar e a correria é grande.
Ser Servo.

Ser líder é ser servo! Essa é uma verdade pouco praticada em nossos dias, pois muitas vezes, confunde-se liderança com autoritarismo, acham que liderar é mandar, delegar, mas a bíblia nos ensina a partir de Jesus Cristo, que o verdadeiro líder é “aquele que lava os pés de seus liderados” (Jo 13.12). Jesus mesmo sendo o mestre, o messias, dá uma bela lição não só aos discípulos de sua época, mas fala a nós hoje de maneira clara. O líder não é melhor do que seus liderados. Quando se tem essa consciência, o que vemos é uma equipe forte e coesa, pois ninguém quer ser melhor do que ninguém, todos querem ver o crescimento do reino de Deus. Quando o líder é narcisista, ele quer que todos saibam que é ele quem manda, que ele é “o bom”. Esse tipo de líder não sabe o que é ter autoridade divina, pois autoridade divina não se conquista com “cara feia” ou “voz grossa”, mas com humildade, oração e serviço. Que possamos ser líderes exemplares na humildade e no amor ensinando o caminho da verdade, sabedores que também somos dependentes para achar esse caminho. Que possamos colocar a “mão na massa” e junto com nossos liderados, construir uma mocidade melhor!
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Alegria em servir!

Devo cumprir meu chamado com alegria, caso contrário ele se torna um castigo de Deus (Brakemeier). Normalmente o que acontece é a empolgação no início, o cansaço no meio e o desânimo no final, isso é uma realidade, mas não é a palavra final, pois se cremos que Deus nos chamou, devemos crer que Ele nos sustenta e nos revigora. Não podemos negar que lidar com jovens é complicado, mas se tivermos sempre em mente de que fazemos a obra de Deus, isso com certeza facilitará o serviço, pois Deus cuida de sua obra. Nosso papel é buscar em Deus orientação e a partir de Deus liderar! Isso não dispensa de nossa parte preparo, pelo contrário, isso nos leva ao trabalho. Como líderes, devemos estar sempre atualizados e por dentro do mundo de nossos jovens, pois nossa pregação não pode ser alheia às necessidades deles.
A alegria deve permear nosso ministério. A alegria contagia (o desânimo também) e da forças pra continuar. Nós como líderes, devemos ser os primeiros a atender o chamado de Mt 11.28 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Isso não será vergonhoso, será um bálsamo pra alma e com certeza caminharemos convictos rumo a uma mocidade melhor.

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O aviso é sério!

Juízo! É isso que vemos na repreensão do profeta Oséias em seus primeiros capítulos. Ele fala sério aos líderes do povo. Sacerdotes corrompidos, reis impiedosos, ninguém escapa, todos condenados pela palavra do profeta. Qual a acusação? Idolatria, prostituição, abandono da Lei do Senhor. Deus não tinha exclusividade no culto e havia relação sexual na liturgia, em homenagem ao deus da fertilidade Baal (Os 4.16-5.7), ou seja, não havia clareza por parte da liderança, que abandonou os preceitos de Deus, logo, todo o povo sofrera com isso. Deus era juntamente adorado ao lado de Baal e o livro de Oséias é um esforço, em manter a primazia de Deus. Oséias vem na esteira do profeta Elias.
E o que Oséias tem a nos dizer hoje? Acredito que a mesma coisa (Os 5.1-7). Deus continua não tendo exclusividade em nosso meio, Baal só trocou de nome, hoje em dia ele se chama dinheiro,prestígio, orgulho, religiosidade.... a lista é grande.
Toda liderança que se afasta dos princípios do Senhor desvia não somente a própria vida, mas a de todo o rebanho. Isso ressalta a importância do líder como leitor e pesquisador das escrituras. A quem diga que os cursos de teologia surgiram porque a igreja deixou de ensinar a palavra de Deus, talvez!
Que nossas lideranças possam ouvir os profetas. Que se voltem para o Senhor com temor e tremor, que aprendam a aprender com seus liderados e deixem o próximo ser a “lixa de Deus” no ego inflado.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reflexões sobre O REINO



Seguem dois textos do prof. Valdinei Gandra, nosso convidado especial no primeiro capítulo da série O REINO, do podcast do www.formulados.com.br , se quiser ouvir, clique aqui!

Parábola do Bom Samaritano: religião e transgressão

A parábola do bom Samaritano é um daqueles trechos bíblicos que, devido sua extraordinária capacidade profética, ultrapassou a esfera religiosa para se tornar um patrimônio literário da humanidade.

Sua importância está na capacidade de superar dois mil anos de abismo cultural com uma mensagem que se enquadra perfeitamente em nossa realidade: a indiferença de alguns frente à solidariedade de um que, sem nenhum motivo aparente, presta assistência a um outro que fora espancado por alguns outros.

A mensagem torna-se chocante quando descobrimos que o espancado e os indiferentes participavam da mesma mesa religiosa – ideológica. Odiavam o que o Samaritano representava. Nem ao menos o cumprimentariam!

A dimensão religiosidade está presente na parábola. Todos os envolvidos na trama são monoteístas e defendem superioridade no relacionamento histórico com Deus.

Qual a diferença então? Transgressão, digo-vos novamente: transgressão!

A religião se comporta como um pai severo, que na tentativa de proteger seu filho o enquadra num confinamento “educacional” fundamentado no principio do “não toque”, “não ouse”, “não invente”, “não veja”, “não prove”, etc.

Seja indiferente, sugere-se nas entrelinhas. Toque, mas não “toque”. Ouse, mas não “ouse”. Invente, mas não “invente”. Veja, mas não “olhe”. Prove, mas não “prove”.

Se alguém desejar realmente romper com estas contradições invisíveis que nos aprisionam, outra vez vos digo: transgridam!

Transgressão neste contexto seria a implosão dos muros religiosos perversos, historicamente construídos para nossa “segurança”, que nos impedem de potencializar uma fé sensível, inovadora e criativa.

O samaritano transgressor viu e num gesto de ousadia aproximou-se para olhar e “olhando” sentiu a necessidade de tocar, “tocando” percebeu a gravidade dos ferimentos, “percebendo”, ousou na prestação do socorro: levantou-o e colocando sobre sua cavalgadura o conduziu para uma hospedaria, arcando com todos os custos do tratamento.

Em silêncio seguiu seu caminho. Se esta estória fosse verdadeira e não uma metáfora, certamente aquele homem teria provado a mais extraordinária experiência do ser – humano: sinalizar a presença do Reino de Deus.

I O que é o Reino de Deus?

Quando refletimos sobre o Reino de Deus é necessário destacar que o conceito não diz respeito à questão de soberania territorial de Deus, pois as escrituras do primeiro e segundo testamentos pressupõem que o domínio de Deus é cósmico. Sendo assim, a expressão deve ser compreendida como o Senhorio de Deus (vontade e intenções de Deus) internalizado nas pessoas que se renderam a ele por intermédio de Cristo na Cruz do calvário e que a partir desta rendição buscam imitar a Cristo: e isto é revolucionário!

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me”. Lc 9: 23/ Mt 16: 24/ Mc 8: 34

II Parábolas: as metáforas do Reino de Deus
A semente semeada pelo agricultor é a “Palavra do Reino”. Mt 13:19.
“O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo”. Mt 13: 24-30
“O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo”. Mt 13: 31 – 32
“E contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”“. Mt 13: 33.
“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo”. Mt 13:44.
“O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou”. Mt 13: 45,46
“O Reino dos céus é ainda como uma rede que é lançada ao mar e apanha toda sorte de peixes”.

III Quais são as condições necessárias para fazer parte do Reino de Deus

Em conversa com Nicodemos Jesus disse:
“Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Jo 3: 3.
No sermão da montanha: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus”. Mt 3:3.
Quando tentaram impedir que as crianças se aproximassem de Jesus, Ele afirma: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.
IV O Reino de Deus e a Igreja

Historicamente houve uma tentativa de entender a igreja como sendo o Reino de Deus e foi um desastre. Á igreja cabe a prerrogativa de representar o Reino de Deus. Evidentemente que esta representatividade está condicionada a sua rendição à vontade plena de Deus. Sinalizar o Reino de Deus deve ser a missão de uma comunidade dita cristã. Portando a igreja não é o reino e os seus obreiros não são sob nenhuma hipótese os nobres deste reino. Ao contrario a Igreja é agência do Reino e seus obreiros são os voluntários (servos) deste Reino na construção de um mundo mais justo.

V Os sinais do Reino de Deus

Em tese a comunidade é formada por pessoas que se renderam ao Senhorio de Deus em Cristo e que optaram em perseguir o objetivo de serem parecidas com Ele. Se isto é um fato, certamente alguns sinais evidenciarão esta presença histórica do Reino de Deus no mundo.
1. “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. Jo 13:35
2. Os que são sal da terra e luz do mundo (ação invisível, mas perceptível).
3. Os que têm fome e sede de Justiça
4. Os que praticam a misericórdia
5. Os mansos
6. Os que são perseguidos por causa da justiça
7. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Gl 5: 22-23
8. Atos 2: 42 -47/ Atos 4: 32 – 37
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Frases que edificam

“A suficiência dos meus méritos está em saber que meus méritos não são suficientes.” (Agostinho)

“Deus, envia-me para qualquer lugar, desde que vás comigo. Coloca qualquer carga sobre mim, desde que me carregues, e desata todos os laços de meu coração, menos o laço que prende o meu coração ao teu.” (David Livingstone)

“Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.” (Lutero)

“O problema não consiste em persuadir Deus a que nos encha do Espírito, mas em desejar a Deus o suficiente para permitir-Lhe que o faça.” (A.W. Tozer)

“Há duas grande razões por que não amamos o avivamento. Um, estamos
satisfeitos em viver sem ele. Dois, custa muito. Não queremos que Deus desfaça
nossa rotina.” (Leonard Ravenhill)


“Ser cristão significa perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você.” (C.S. Lewis)

“A Igreja é como esterco. Se você amontoa, exala um cheiro horrível por toda a vizinhança. Mas se você espalha, então ela fertiliza o mundo inteiro.” (Luis Palau)

recebi de Taline Schroeder!

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