quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quem procura acha!


Dizem que quem procura acha. E olha, acho que isso é verdade mesmo. Atualmente tenho visto muita gente achando “diabo” em Avatar. Antes era em marca de sabão em pó, música de cantora de axé, enfim, canso só de listar esses três exemplos. Fato é: onde eu quiser achar o “peludo” eu acho, basta misturar criatividade com alguns versículos mal interpretados, mexer com o conceito Nova Era e pronto: temos a receita do blá blá blá de sempre!

Muitos cristãos não conseguiriam vivem sem o diabo. Explico. Analise algumas pregações, sempre aparece o “marvado”. Conheço pessoas que vivem essa tensão entre Deus e o diabo dia a dia, se algo de bom acontece: Ah Deus abençoou, algo de ruim: Ah o inimigo quer passar uma rasteira... Talvez você esteja pensando que eu nego a existência do "capeta", mas não nego, pois a bíblia fala dele e sua ação, contudo, ele não é o foco de minha teologia, por isso, eu consigo assistir Avatar e ver Deus, pois Deus é o meu foco. Se o filme foi feito com intenções malignas, não to nem aí, para mim comunicou Deus, pois creio que Ele fala de muitas formas, até naquelas que fogem as nossas convenções.

E outra, existem coisas bem mais relevantes da vida cristã para nos preocuparmos do que filmes e cultura em geral, quanto mais os crentes malham, mais os ímpios dão risada.

Abaixo, deixo um texto que escrevi em 2005 respondendo um jovem que me questionou sobre eu escrever sobre cinema e ainda misturar com fé cristã.

Forte Abraço!


Cinema e Fé Cristã

Escrevo sobre cinema primeiramente porque gosto de cinema. Cinema pra mim é calmante, fascinante. Sei que nem tudo são flores, e que muitos filmes são desprezíveis, sem razão de ser. Por isso sou crítico e reflito sobre aquilo que está diante dos meus olhos/mente. Brian Godawa em seu livro Cinema e Fé Cristã da editora Ultimato, afirma que não devemos ser anorexos ou bulêmicos culturais, ou seja, não usufruir muito nem pouco da cultura, temos que ser equilibrados, evitando os extremos. Cinema é como televisão, internet (...) você pode escolher o que ver, e a escolha reflete quem você é. O que vejo é determinado por aquilo que sou, se bem que hoje em dia somos aquilo que vemos, me vem a mente agora aquela música da Pitt, Admirável Chip Novo, “Pense, fale, compre, beba. Leia, vote, não se esqueça”, mas bola pra frente.

A segunda razão que me leva a escrever sobre cinema é porque creio que Deus age na cultura e através dela fala ao homem. Talvez você pense: “mas como Deus vai usar um meio desses? Onde impera a promiscuidade e outras cositas mas?” Minha resposta a essa questão é simples, Deus opera nas igrejas, onde também acontecem as mesmas coisas, porém, maquiadas. A igreja enquanto instituição é tão podre quanto Hollywood, ambos só visam uma coisa: lucro!

O segredo é ser crítico e reter o que é bom. É claro que eu como cristão tenho como base a palavra de Deus, logo, julgo tudo a partir dela, sendo que bom senso também ajuda, por exemplo, se eu sei que determinado filme será simplesmente aquele “besteirol americano”, não tem porque assistí-lo. Fato é que não se pode negar a eficácia das mensagens transmitidas no cinema. É claro que isso vale tanto para as boas mensagens como para as más mensagens.

Enfim, creio que não adianta proibir o jovem de ir ao cinema ou alugar um DVD (alguém ainda aluga VHS?), ele fará mesmo assim, então, porque não o fazer conseguir tirar proveito disso? Refletir sobre a mensagem do filme? Acredito nisso, que Deus fala através da arte do cinema, por isso da licença, vai começar a sessão!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Igreja como portadora da Diaconia


Nenhuma instituição está habilitada para o serviço diacônico além da Igreja de Jesus Cristo. Só ela foi chamada e comissionada para servir ao mundo com poder e graça; só ela foi comprada e redimida; só nela existe a comunhão dos santos e só nela o evangelho é integral.


A igreja servidora e o ministério diaconal


A Igreja fundada por Jesus Cristo, de alguma forma, tenta imitar suas ações e seguir os seus passos. Como vimos acima, Jesus teve uma vida dedicada ao “serviço”, logo, exemplos de diaconia não nos faltam. Por isso, essa Igreja “invisível” e atuante no mundo tem como espelho o Mestre que diz: “Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve (diácono)” Lc 22.27. Nessa passagem bíblica Jesus afirma ser como o escravo que serve à mesa.[1]

Com seu exemplo Jesus institui o princípio básico da ação de sua Igreja. Isso é fato comprovado em todo o NT. pois o que vemos em Atos e nas cartas é uma comunidade servidora que utiliza os dons em prol do próximo. Como afirma Brandt:

Na igreja que confessa: “Senhor é Jesus” existe a variedade e por intermédio desse Senhor, a unidade. Esse Senhor – como confessam todas as testemunhas – tornou-se servo e criado para a igreja, e isto significa: também para cada um pessoalmente. Ele coligou os membros da igreja para o serviço [grifo nosso]. Transformou a igreja inteira no instrumento de seu serviço ao mundo[2]

Dessa forma, fica claro que a única instituição comissionada a fazer diaconia é a Igreja. Por isso, o serviço diaconal não pode estar ligado a qualquer outra instituição, pois nenhuma outra é separada do mundo e dedicada ao Senhor, senão a Igreja.[3] É importante entendermos essa dimensão da Igreja, de que ela é nada mais nada menos do que a obra consumada e continuada de Cristo através das eras e gerações, portanto, podemos definir a Igreja como o domínio de Cristo sobre a terra.[4]

Como embaixadora desse domínio, a Igreja tem tarefas que vão além do anúncio das Boas Novas. Esse domínio tem como característica fundamental o serviço, a mordomia na/para a criação. E isso nos remete ao conceito da Imago Dei (Imagem de Deus). O livro de Gênesis declara que o ser humano não é um escravo dos deuses ou uma criatura qualquer, ele é Imagem e Semelhança de seu criador e isso trás para ele implicações éticas perante as demais criaturas e ao próprio ecossistema. Comento em meu livro:

Os grandes reis do Antigo Oriente costumavam mandar erguer nos seus reinos efígies (estátuas) de si mesmos. Elas serviam como símbolos de sua soberania, ou seja, onde fosse visto essa estátua, saber-se-ia que aquele território pertencia a tal rei. Foi nesse sentido que Israel compreendia a sentença imagem e semelhança de Deus, vendo o ser humano como símbolo da própria soberania de Deus sobre a terra (von Rad). Enquanto que para povos vizinhos, o ser humano não passava de escravo dos deuses, para Israel ele era, e é, cooperador de Deus na criação. Onde houver um ser humano, ali está um representante de Deus, basta ele se dar conta disso. [5]

Mesmo após a queda o ser humano continua sendo imagem e semelhança de Deus, contudo, com alterações, pois se nada mudasse com a queda, não haveria necessidade de conversão e regeneração. Mondim esclarece:

· Pelo fato de constituir um aspecto essencial do ser humano, a imago Dei nunca foi inteiramente destruída, nem totalmente corrompida, mas apenas deturpada, a tal ponto que, por si só, o homem não tem forças para restaurá-la.
· A restauração da imago Dei no homem é obra do Filho de Deus, que é imago Dei por excelência.[6]

Sendo assim, a Igreja é feita de pessoas regeneradas e que devem enxergar a diaconia na perspectiva da Imago Dei, logo, é ir além de dar comida e palavra para quem não tem, é serviço prestado em prol de toda a criação, é incentivar o cuidado com o meio ambiente e tudo que diz respeito a este, influenciar as políticas públicas para a promoção da vida etc.[7]

O assunto é muito amplo e não temos espaço para maiores explanações, mas cremos que isto ficou claro: é a comunidade de Jesus que tem a responsabilidade de viver diaconicamente!

__________
[1] Cf. SCHWEISER, Eduard. in: NORSTOKE, K. A diaconia em perspectiva bíblica e histórica. São Leopoldo: Sinodal, 2003. p. 53s.
[2] BRANDT, Wilhelm. in: NORSTOKE, 2003. p. 52.
[3] Cf. OFTESTAD, Alf B. Vivendo Diaconia: edificando a igreja através do cuidado pessoal e social. Curitiba: Encontro, 2006. P. 43.
[4] Cf. AULÉN, Gustaf. A fé cristã. 2. ed. São Paulo: ASTE, 2002. p. 271.
[5] AQUINO, Rodrigo de. Rascunhos da alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Joinville: Refidim, 2009. p. 44.
[6] MONDIN, Battista. Antropologia teológica: historias problemas perspectivas. São Paulo: Paulinas, 1979. p. 139.
[7] Isso não quer dizer que todos na Igreja devem fazer tudo. Deus distribui os dons e no seu corpo as vocações são distintas: Uns gostam de cuidar de idosos, outros não tem o mínimo jeito; uns gostam de envolver-se em questões comunitárias, outros não. O que queremos dizer é que a Igreja de Jesus deve estar envolvida em tudo que promove a vida e o cuidado com a criação.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tic Tac Tic Tac


Eu queria poder saber filosofar sobre o Tempo, mas não tenho condições para isso e mesmo que tivesse, valeria a pena? Não seria perda de Tempo? Não sei...

Tempo é movimento, nunca para. Ninguém pode dizer que ficou parado no Tempo, pois o tempo não para, ele segue um fluxo. E para onde vai esse fluxo? Creio eu que desemboca na eternidade, mas como cada um chegará lá?, bem, vai depender de como está vivendo o Tempo presente. Alias, penso que o Tempo é sempre presente, pois o passado é o presente que já passou e o futuro o presente que virá. Na eternidade será sempre o presente.

Alto lá! Já estou divagando sobre o Tempo enquanto o Tempo passa e essas divagações são perda de Tempo (nesse texto). Perda de Tempo. Somos mestres em gastá-lo com coisas inúteis. Se tem uma coisa que aprendi é essa: O Tempo passa para aquele que faz alguma coisa assim como para aquele que nada faz! O Tempo voa!

Mesmo o avanço tecnológico, que proporcionou mais Tempo à humanidade, não foi capaz de fazer o ser humano investir este Tempo “extra” em coisas que realmente valham a pena. Que pena! Eu espero aproveitar melhor o meu Tempo em todos os seus momentos (Ec 3), pois como disse Darwin: “Um homem que ousa desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida”.

“Aqueles que são pródigos com o seu tempo desprezam suas próprias vidas”. Mattew Henry.

Em breve mais reflexões sobre o Tempo, isso, se eu não gastá-lo com coisas fúteis, devo aumentar a vigilância então!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Vamos ajudar o Haiti


“Pastor, por favor, envie um pedido a todas as igrejas do Brasil. Nossas casas, igrejas, hospitais e escolas estão todos destruídos. Não temos internet, água, eletricidade, comida, roupas e medicamentos. Nossas famílias estão passando por dificuldades. Nossos pastores, nossos amigos, nossos irmãos, por favor, nos ajudem” (Jonathan Joseph, pastor haitiano, através de mensagem de celular - a JMM tem como encaminhar ajuda).


Li que Angelina Jolie e Brad Pitt doaram um milhão de dólares para uma organização que está prestando ajuda aos haitianos. É fácil agora pensar que eles tem dinheiro saindo pelo ladrão e podem aparecer fazendo grandes doações. Mas é bom lembrar que tem pastores por aí comprando jatos sem nenhum constrangimento, gastando mais de 10 vezes este valor. E nós, que não podemos doar nada parecido com a oferta do casal hollyoodiano, menos ainda economizar o dinheiro de um jatinho para dar suporte às organizações que estão trabalhando no país, podemos fazer um pouco. Quem sabe se cada um ajudar um pouquinho somamos mais um milhão, ou quem sabe, doze?

A maioria de nós, mesmo se quisesse, não poderia estar lá. Mas outros estão. Compatriotas nossos morreram ajudando o Haiti. Podemos pelo menos, ajudar quem está ajudando o Haiti. Segue uma lista de organizações que estão trabalhando no Haiti, ou estão arrecandando recursos para ajudar. Escolha a que mais se alinha à sua filosofia, religião, teologia, enfim, por falta de organização humanitária é que você não ficará sem ajudar.








Veio do blog 5 solas

sábado, 16 de janeiro de 2010

Luz na escuridão

Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.
GÊNESIS 1.3

O pequeno território de Israel ficava espremido entre os poderosos impérios da Babilônia, ao norte, e do Egito, ao sul. Ambos praticavam alguma forma de adoração ao sol, à lua e às estrelas. No Egito, o centro da adoração ao solera a cidade de On, cujo nome grego era Heliópolis, “a cidade do sol”, apoucas milhas de distância da cidade do Cairo. Na Babilônia, os astrônomos já haviam desenvolvido elaborados cálculos dos movimentos dos cinco planetas conhecidos por eles e tinham começado a mapear os céus.


Não é de todo surpreendente, portanto, que muitos líderes israelitas tenham se deixado contaminar por esse tipo de culto praticado pelos povos que viviamao seu redor. Ezequiel ficou horrorizado ao ver uns vinte e cinco homens “com as costas para o templo do Senhor e os rostos voltados para o oriente [...] se prostrando na direção do sol” (Ez 8.16). Jeremias também condenou os líderes da nação que amaram e prestaram culto “ao sol e à lua e a todos os astros do céu” (Jr 8.2).

É neste contexto de idolatria que Gênesis 1 deve ser lido e compreendido. Enquanto que os egípcios e os babilônios adoravam o sol, a lua e as estrelas, o autor do Gênesis insiste que esses elementos não são deuses para serem adorados, mas a criação do único e verdadeiro Deus.
Deus prometeu a Abraão que seus descendentes seriam “tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar” (Gn 22.17). É extraordinário que, sabendo hoje que há cerca de um trilhão de estrelas em nossa galáxia e outros bilhões de galáxias a bilhões de anos-luz de distância daqui, a equivalência entre areia e estrelas possa ser bastante acurada.

O apóstolo Paulo usou o majestoso decreto de Deus ordenando: “Que se faça a luz” como um modelo do que acontece na nova criação. Ele comparou o coração humano não regenerado ao escuro caos primitivo e o novo nascimento à ordem criativa de Deus “Que se faça a luz”. Esta certamente havia sido a experiência dele. “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 4.6).


Para saber mais: 2 Corintios 4.3-6


Por John Sott em seu devocionário A Bíblia Toda o Ano Todo, da editora Ultimato. Leia um trecho aqui!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ensaio sobre a Cegueira


(Blindness) Canadá/Brasil/Japão, 2008. Direção: Fernando Meirelles. Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal. Duração: 121 min.

Embasado na obra do premiado escritor português José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira é um filme forte, não é um daqueles para reunir a galera e assistir depois do culto. É para assistir em silêncio e em sabedoria, e de preferência, estômago vazio.
Como seria uma cidade, um estado, um país ou o mundo se todos de repente começassem a ficar cegos? Uma pandemia de cegueira sobrevém sobre a humanidade, deixando-a a beira do colapso. O filme nos põe nos bastidores de um confinamento que isola os infectados e acompanhamos um grupo de pessoas, que tenta manter a ordem no caos. Uma delas, inexplicavelmente, permanece imune, e junto com ela, acompanhamos os horrores daquele lugar claustrofóbico ao ponto dela dizer: “Se tu pudesses ver o que eu sou obrigado a ver, quererias estar cego”. Filme forte, mas que pode gerar uma boa reflexão.
.
.
.
.
Quem enxerga, tem responsabilidades. O pastor Ed René Kivitz faz uma leitura fantástica desse filme em seu artigo Ensaio sobre a Visão, se quiser, leia aqui. Quero fazer coro com ele. A experiência cristã é semelhante a cegueira, mas no caminho inverso, pois éramos cegos, vivíamos em trevas, agora em Cristo, as escamas caem e a pessoa é transportada das trevas para a luz, em Cristo, temos visão, e quem tem visão, tem responsabilidade de guiar quem não tem.


O cristianismo brasileiro está formando um tipo de cristão muito perigoso: aquele que acha que enxerga. Kivitz diz que o pior cego não é aquele que não quer enxergar, mas aquele que acha que enxerga. Temos uma geração que está se distanciando da Bíblia, da verdadeira comunhão, do sentido real do cristianismo e se aproximando de uma cultura gospel podre. Cultura que promete avivamento sem estudo da Bíblia, que faz louvor para atingir somente a emoção, e nesse jogo vale tudo, o importante é levar o fiel ao êxtase, enfim, é só olhar em volta, somos aproximadamente 26 milhões de evangélicos no Brasil, e que diferença fazemos? Fazemos falta? Ou somos um monte de gente que acha que enxerga, mas no fundo está tão cego quanto o mundo. Não adianta cantar “Como um farol que brilha a noite, como ponte sobre as águas...” e não fazer nada.


Sei que são palavras fortes, e elas me estraçalham sempre pela manhã: Deus eu quero ser relevante, quero levar a sério a visão que me deste, ajuda-me! Encerro com as palavras de Kivitz:
“Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente é cego que pensa que vê. E é cego de sua própria cegueira, o que faz dele o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver recebe a missão de servir.”

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Esse ano, sem retrospectiva...

Eu falei semana passada que tiraria férias e só voltaria em Fev, é quase verdade, mas como sobrou um tempinho na frente de um computador conectado a web, porque não compartilhar alguns rascunhos? Vamos lá...
Assustado. Essa palavra me define após ler a retrospectiva da revista Época e assistir a retrospectiva 2009 da Globo. Sob esses olhares, 2009 foi praticamente uma tragédia.

A revista fez um resgate dos últimos dez anos e na capa tem um homem se jogando do World Trade Center, animador. Segundo a revista, o homem da década é Osama Bin Laden, realmente inspirador. E na telinha, também, tragédia atrás de tragédia. Vimos até apresentador que encomendava assassinatos para ter matéria em seu programa de TV.
Acredito que quem assistiu e tem no mínimo sangue quente correndo nas veias, também ficou meio pra baixo. Tanto na revista como na TV até tiveram algumas coisas boas, destaques no esporte, medalhas no esporte, esporte, esporte, uma modelo grávida e esperanças de uma economia arrojada e crescente. Ufa! Quando esses momentos apareciam dava até um alívio, curto alívio, falso alívio...

Sei que tragédias acontecem e sempre acontecerão, mas elas precisam ser sempre o destaque do telejornal e a capa da revista? Não quero fugir da realidade, não estou pensando em meios de comunicação alienados que ficam falando de receitas de bolo enquanto muitas cidades brasileiras estão debaixo da água ou da lama, não é isso, só me assusto porque só se fala nisso.

Conheço pessoas que gostam desse tipo de informação. Aqui em Joinville, tem um jornal do meio dia que é só morte e desgraça. Logo em seguida vem outro programa na mesma linha, inclusive a equipe de reportagem desse programa as vezes chega mais rápida que o corpo de bombeiros e aproveitam para filmar o sujeito agonizando no chão. Do meio dia as duas da tarde o sangue escorre da televisão. Pessoas que gostam dizem que precisamos saber o que acontece ao nosso redor... precisamos saber mesmo?

Sinceramente, estou meio perdido em meus pensamentos. Fiquei aqui imaginando o que eu colocaria numa retrospectiva em termos globais, e de fato, me vêem poucas coisas boas na cabeça. O que você colocaria?

Penso que não devemos fugir da realidade, mas precisamos também nos alimentar de outras informações. Eu não preciso me lembrar do sentimento de dor quando assisti as torres gêmeas caírem ou quando Itajaí-SC ficou completamente alagada. Não preciso ser lembrado dessas tragédias do passado, afinal, que sei que os dias são mal.

No final desse ano, não lerei nem assistirei nenhuma retrospectiva, vou ler um livro que com certeza ganharei mais, vou alimentar meu ser de coisas boas, vou tentar melhorar como pessoa, tentar ser um cristão menos fútil e deixar as tragédias do passado no passado!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nem todo ócio é teológico...

Eu desejo a você querido leitor um 2010 de muitas descobertas e que os ócios sejam produtivos e somem ao Reino de Deus. A luta por um cristianismo mais bíblico continuará no próximo ano e eu conto com seus comentários para isso, afinal essa labuta é de todos que têm um compromisso com a Bíblia!

Obrigado pelo carinho e disposição de semanalmente acessar esse sítio e ler meus rascunhos, e por falar em rascunhos, a você que adquiriu meu livro, muito obrigado, espero que ele tenha somado à sua vida!

Voltaremos a escrever no blog a partir de Fev/2010, afinal ninguém é de ferro e nem todo ócio é teológico, até lá!

Um bom 2010!
Rodrigo de Aquino...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Avatar


Estado de embasbacamento! É nessa condição que estou após assistir ao filme Avatar, do visionário diretor, roteirista e produtor James Cameron. Um filme impressionante! Avatar já estava na mente do diretor há muitos anos (aprox. 14 anos) porém a tecnologia não estava a altura da sua imaginação, por isso, o projeto foi arquivado. Depois de assistir ao personagem Gollum no segundo filme da trilogia do anel, Cameron se convenceu de que seu projeto poderia sair do papel e se tornar um bom filme, nas palavras dele: “um filme que eu gostaria de ver”.

A história do filme não é nenhuma novidade, Jake Sully (Sam Worthington) é selecionado para participar do programa Avatar em Pandora, um planeta (lua?) distante rico em fauna e flora e unobtanuim, um metal valioso que atrai a atenção de uma mineradora da Terra. Pandora é também o lar dos Na´Vi, cuja cultura e existência é ameaçada pela expansão humana. Nesse cenário, Jake Sully, um fuzileiro naval paraplégico, chega para auxiliar uma equipe de cientistas, controlando a distância seu avatar: um corpo Na´Vi projetado para que ele possa se integrar à cultura local. Mas com os interesses crescentes no planeta e a impaciência militar, Jake terá que escolher o lado que tomará no inevitável conflito.

Mesmo com sua obviedade, o filme vale à pena, afinal você nunca viu Pandora, um lugar impressionante onde os seres vivos vivem em harmonia e de certa forma conectados fisicamente e espiritualmente. Cameron cria todo um eco sistema que surpreende nossos olhos com a perfeição dos detalhes. E não era para menos, pois ele criou tecnologia do zero para fazer essa beleza virtual ser tão real. O filme é mais da metade feito em computação gráfica, mas não parece, os Na´Vi são muito reais, aliás, tudo em Pandora é muito real, a ponto de nossos olhos não conseguirem discernir o que é e o que não é real.

Confesso que hoje 22/12/09, estou me sentindo enojado de ser homo sapiens, que na verdade tem se comportado como homo demens (L. Boff). Vendo a invasão e a exploração humana em Pandora é inevitável não pensar que isso aconteceu e acontece de fato e de verdade em nosso mundo capitalista selvagem. Onde os mais fortes subjugam os mais fracos. O filme é uma crítica a essa exploração em nome do progresso. E aqui eu penso, vendemos a alma pro diabo em troca do progresso. Destruímos o planeta, escravizamos semelhantes tudo em troca do “progresso”. Sinto-me enojado porque de certa forma faço parte dessa engrenagem suja. Pois sou um poluidor, consumidor e desfrutador de tudo o que o capitalismo me oferece e não sei como sair dessa, alguém sabe?

Pandora é uma espécie de Éden, onde todos vivem em harmonia. Foi assim que Deus planejou sua criação: a harmonia entre os seres vivos nesse planeta chamado Terra! Desviamos-nos desse propósito, mas Ele garantiu em sua palavra que essa harmonia voltará e tudo será como sempre devia ser. Mas é claro, isso não nos impede de lutarmos, aqui e agora, por um mundo melhor e harmônico.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Como Deus é chamado no NT?


Eu recebi a seguinte pergunta de um ouvinte, segue na íntegra:

“No AT o nome de Deus é escrito YHVH, de fato é o nome de Deus. João Ferreira de Almeida traduz (troca) a palavra por SENHOR enquanto a Tradução do Novo Mundo traduz a palavra por Jeová...Até aí tudo bem. Mas, no NT JFA continua usando o SENHOR e NM continua usando "Jeová", mas, sei que o tetragrama só é usado no AT, Deus é chamado de quê no Novo Testamento, qual é a palavra usada e qual seria a tradução que chega mais próximo?”


Muito boa a pergunta, vamos tentar uma resposta:

Deus no NT é chamado simplesmente de Deus (Theós gr.). Por quê? Na fé israelita primitiva não se negava a existência de outros deuses, por exemplo, o primeiro mandamento não nega, só conclama para a adoração exclusiva a Javé. Logo, aceitando a idéia de outros deuses, é necessário diferenciar e distinguir o Deus (El heb.) de Israel, Javé. No decorrer da sua compreensão acerca de Deus, Israel aniquilou a existência de outros deuses (Is 45 etc.). Bultmann diz que no monoteísmo judaico do tempo de Jesus “o nome próprio de Deus, Javé, se perdeu, pois ele só fazia sentido enquanto Deus aparecia como sujeito entre outros, sendo necessário diferenciá-lo dos demais por meio de um nome determinado”.[1]


Na tradução grega do AT, a Septuaginta (LXX) o tetragrama YHVH (Iahweh)[2] é traduzido por Kyrios (Senhor), por isso JFA traduz tanto o tetragrama do AT como Kyrios do NT com SENHOR. Mas tem algo importante nesse título Kyrios, pois ele é atribuído a Jesus Cristo no NT, logo, o nome de Deus na aliança do AT é ocupado pelo Cristo no NT. Como diz Ladd: “O Jesus exaltado ocupa o papel do próprio Deus no governo do mundo”.[3]

Algumas notas sobre o nome de Deus – Iahweh

Segundo a concepção antiga, o nome não constituía apenas som e fumaça, mas entre o nome e o seu portador subsistia uma mútua relação que denotava a sua característica natural, isto é, o nome contém uma expressão da natureza do seu portador ou, pelo menos, de algo do seu potencial inerente. Deus revela seu nome como um alento num momento de crise e desespero. Deus Revelou seu nome para Moisés num momento de extrema dificuldade.[4]


O nome de Deus, Iahweh, assemelha-se à expressão Eu sou em hebraico (Ex 3.14), ou seja, relaciona-se com o verbo hebraico “ser”, verbo que não significa simplesmente “existir”, mas antes “estar ativamente presente”, tem o sentido de uma presença relacional e atuante. Deus, dá a conhecer o seu nome ao povo, pretendendo lhes revelar seu caráter mais íntimo. Iahweh é o Deus ativamente presente entre o seu povo, nome revelado no momento em que o povo mais precisava (Ex 3; 33.19).


Então, a tradução mais próxima do sentido do nome de Deus não seria EU SOU O QUE SOU, mas EU ESTAREI PRESENTE QUANDO VOCÊS PRECISAREM, isto é, me transformarei naquilo que precisam! Pois “Ser” no AT. não significa um ser em si absoluto, mas antes, um “estar aí/presente/atuante” ou até um “revelar-se como auxiliador”. “Resumindo, a interpretação mais simples é [...] de acordo com Ex 3.14: ele ‘é/se mostra/atua’”[5]


Jesus Cristo identifica-se com o nome em Jo 8.59, Ele é o próprio Eu Sou encarnado! Deus vem ao encontro da humanidade em Cristo, se revelando e se mostrando atuante como nunca antes na história da salvação!


-----
[1] BULTMANN, R. Jesus. São Paulo: Teológica, 2005. p. 144.
[2] Jeová ou Javé, são a latinização de Iahweh, que é o tetragrama vocalizado (YHWH).
[3] LADD, G. E. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: 2003. p. 575.
[4] ALEXANDER, D. P. (org.) O mundo da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1985.
[5] SCHMIDT, Werner H. A fé do Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 104.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...