quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Casa Caiu


A confissão do cantor Davi Silva (veja aqui) ao mesmo tempo em que surpreende, não causa impacto nenhum. Surpreende pela coragem em expor as armações do ministério, falar de cara limpa e admitir a culpa, sabendo que isso pode tirá-lo por um tempo do mercado gospel, mercado esse que só pensa em dinheiro, como qualquer outro. Ou não, pode aumentar a popularidade do grupo e render muitos cds e dvds vendidos, o tempo dirá. Na verdade surpreende porque não estamos acostumados com pessoas famosas admitindo erros assim, na lata!

Não causa impacto, pois sabemos que tem muita gente mentindo em nome de Deus. Tem muito pastor se dizendo ex-cientista da NASA, mas que não passa de fraude. Davi não foi e nem será o único a mentir testemunhos para gerar “poder” de Deus na congregação. Quando a pregação de alguém é focada em seus testemunhos e não na palavra de Deus, é inevitável que esse venha a ter que inventar histórias para ter sempre algo novo para pregar, afinal, é bem mais fácil inventar um testemunho do que estudar e perscrutar as profundezas da Escritura.

Quem sabe essa confissão do Davi Silva possa ser um leve sinal de avivamento, pois seria muito bom se esses “grandes” ministros e ministras do evangelho(?) criassem vergonha na cara e admitissem suas falcatruas e parassem de enganar o povo. E que o povo apreenda a não ir em qualquer embalo e pregação, que seja mais criterioso, mais bíblico, mais racional, pois é assim que o avivamento virá (Rm 12.1-2).

Eu nunca acompanhei o grupo do cantor Davi Silva, até mesmo porque desde que vi ele “desviando de anjos” não dei muito crédito a sua palavra. Mas sei de pessoas que foram ricamente abençoadas com suas canções e ministrações, então, oremos por ele e pelo ministério, para que encontrem o caminho de casa.

Ah, não esqueçamos de agradecer a Deus pelo pecado que ele cometeu, mentira e charlatismo, pois esse o povo perdoa, assim como desvio de dízimos e ofertas entre outras coisas, porque se fosse escândalo sexual, Davi nunca mais pisaria num púlpito, afinal, esse o povo não perdoa...

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Meu livro Rascunhos da Alma está na segunda edição. Está nas livrarias evangélicas de Joinville ou pelo site http://www.livrariarema.com.br/



segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Influência da Igreja Evangélica Brasileira


Segundo o sociólogo Rodolfo Amorim, as religiões históricas devem desempenhar duas funções básicas: a primeira seria apresentar a mensagem de salvação pessoal num relacionamento com Deus e a segunda seria fornecer uma lente para interpretarmos o mundo. De acordo com o sociólogo a igreja brasileira não tem respondido adequadamente a segunda função. Ela ficou restrita ao âmbito privado, ou seja, uma dimensão muito estreita da vida, e pior, aceitou essa condição cultural. Amorim diz:


Segundo essa proposta cultural, os cristãos poderiam viver e expressar sua fé apenas na esfera privada da vida, sem direito a voz ou participação concreta nas questões fundamentais de interesse público, como política, mídia, ciências e educação. *

Comumente ouvimos nas pregações que a igreja não foi feita para ficar entre quatro paredes, porém, no entendimento da maioria, sair das quatro paredes é fazer somente evangelismo, entregando um panfleto aqui, ajudando um missionário ali, etc. Pensar dessa maneira é não compreender a magnitude que é ser representante de Deus fora das paredes da igreja.

A Igreja de Cristo tem (deveria ter) uma cosmovisão distinta das demais instituições, pois ela enxerga o mundo com os olhos do Criador. Mas o que é cosmovisão? continua...

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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 40.

terça-feira, 23 de março de 2010

CQC Nas Igrejas

Geralmente, se estou em frente a uma TV, é porque estou vendo filmes. Como disse a minha mãe, se eu não tivesse que trabalhar, passaria o dia inteiro vendo filmes. Não é bem assim. quase... Mas não é somente filmes que me levam para frente da telinha, o programa CQC na Band também. Não curto tudo no programa, mas os segmentos Controle de Qualidade (que não sei se teve esse ano ainda) e o Proteste Já, são fenomenais. O primeiro revela o quão nossos representantes são ignorantes (nem todos, existem exceções) e não ligam a mínima para o povo, o que eles querem mesmo é garantir o deles (e o da família é claro). Esse quadro no programa tem me politizado. Nunca gostei muito desses assuntos políticos, mas depois desse segmento, tenho prestado um pouco mais de atenção em Brasília. Penso no poder do meu voto.

Já o Proteste Já para mim é profético, isso mesmo, leste certo, profético. Enquanto nos especializamos em coisas inúteis, eles agem diretamente em prol de uma comunidade. Para mim não interessa as motivações deles, o que importa é que eles denunciam, lutam por justiça, melhores condições de vida, etc. Deveria existir um Proteste Já em cada cidade, em cada igreja.

Falando em igreja. Muita “trambiqueira” acontece nas igrejas porque os membros não fiscalizam o que é feito com o dinheiro das arrecadações de ofertas e dízimos. Creio que quem contribui com a igreja tem o direito desta prestação de contas. Se muito pastor por aí se folga com o bem material da igreja, é porque ela permite isso. Pensamos: “Ah, ele é um homem de Deus, eu confio nele”. Fiscalizar as finanças de uma igreja não é questão de confiar ou não confiar no pastor, mas de exercer um direito que lhe pertence. Não é pecado!

As igrejas pentecostais nesse sentido deveriam imitar o modelo congregacional. Os membros deveriam acordar para a realidade de que pastores ficam um tempo na comunidade e saem. Já eles, ficam quase a vida inteira. Por isso, a congregação deve estar por dentro de tudo que acontece com o dinheiro da igreja, os bens, os projetos missionários, etc, pois pertencem a ela e não ao pastor. O pastor está ali para servir a comunidade e fazer o que é melhor para ela, e não o contrário, como acontece muitas vezes...

Em nossas igrejas deveriam existir um departamento chamado Controle de Qualidade, para fiscalizar a qualidade de nossos representantes sagrados e um Proteste Já, onde atenderíamos as necessidades locais. Onde a igreja não seria mero encontro de pessoas num domingo a noite, mas um local de amparo aos necessitados. Igreja que luta por melhorias em seu bairro, tanto na infraestrutura como na saúde. Isso é ser relevante.

Ano passado eu teci alguns comentários acerca da Marcha para Jesus (leia aqui < >) e um dos organizadores me disse que não ficariam somente na marcha, mas que estavam se mobilizando para algo concreto na sociedade joinvillense. Como eu disse em outro texto, se isso acontecer, pode contar comigo, caso contrário... Bem, ainda estou esperando... até agora só ouvi falar do lançamento de um DVD. Fato é que eu posso estar desinformado, então se alguém tem alguma novidade sobre a marcha do ano passado, por favor, deixe um comentário. Ou se alguém tem um testemunho para contar, eis aqui seu espaço!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Foi Apenas um Sonho...

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)

O filme do diretor Sam Mendes (Beleza Americana, 1999) é um bom drama. Nele acompanhamos a vida conjunta de Frank (Leonardo DiCaprio) e sua esposa April (Kate Winslet) desde o seu primeiro encontro até morarem na rua Revolutionary Road do título original, subúrbio de Nova York.

Estão ali o casal de vizinhos que olha para a casa ao lado para ver como a grama deles é mais verde; os colegas do trabalho de Frank em um escritório em Nova York; e a corretora de imóveis Helen Givings (Kathy Bates), que lhes vendeu a casa e os visita com frequência ao lado do marido (Richard Easton) e o filho John (Michael Shannon), um ex-matemático que sofreu nas mãos dos tratamentos mentais da época. Este trabalho de ambientação logo mostra o que pensa dos subúrbios estadunidenses: lindos, perfeitos e... vazios. E é por esse "vazio desesperançoso da vida", como bem descrevem os protagonistas, que eles decidem sair dali. Ela queria ir para Paris onde trabalharia como secretária em algum órgão do governo e ele ficaria livre para estudar, viver e encontrar algo que o agrade em vez de ficar enfurnado em um cubículo de um trabalho que odeia apenas para garantir o holerite no fim do mês.[1]

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A partir de agora contém SPOILERS! Leia por conta e risco.

April não encontrava sentido em sua vida, por isso, queria toda aquela mudança. Ela estava a procura do “do algo a mais” que alguns defendem que a vida pode dar. A grande verdade é que ela queria uma mudança na vida, queria fugir do grande vazio daquele lugar e talvez pensasse que o deslocamento geográfico pudesse ajudar. Ledo engano.

A frase mais sensata no filme vem do “louco” John, filho do casal “perfeito”, ele diz: “muitas pessoas estão no vazio, mas é preciso coragem para ver o desespero”. April percebeu o vazio, elaborou um plano mas não conseguiu executá-lo. A atitude do jovem casal na procura da felicidade é frustrada pelas circunstâncias da vida. E isso fica claro no filme: é nos pequenos detalhes que somos atropelados.

A vida é assim, dura, e para cada dia basta o seu mal! Esse vazio que o casal tentou superar está dentro de todos nós, sem exceção. Sempre estamos buscando um sentido para nossa vida, sempre estamos em busca do “algo a mais”, parece que acreditamos no pote de ouro no fim do arco íris.

Penso que o cristianismo é muito realista em sua antropologia: o ser humano é um ser vazio e desorientado. Só encontra sentido em Cristo. O escritor russo Dostoievsky já disse que o vazio dentro do homem é do tamanho da eternidade. Ser cristão é encarar o desespero interior e correr em direção ao Pai, só existe esse caminho.

O lindo casal tentou resolver da sua maneira e tropeçou. Naquela cena em que April acorda aparentemente feliz, preparando o café da manhã como se nada tivesse acontecido na noite anterior, me causou calafrios, naquela hora, eu soube o que ela iria fazer.

O mundo matou Deus e está tentando resolver do seu jeito, o resultado a gente vê na TV. No encontro com Deus eu me enxergo e me desespero, mas sou segurado em mãos firmes que me conduzem no caminho, afinal, a tristeza segundo Deus produz mudança de direção.

O filme permite outros olhares, mas por hora fico com esse. E como bem frisou Marcelo Forlani do Omelete, a última cena do filme é genial!



[1] Adaptado do site Omelete . Acesso dia 11/03/2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sete Pecados Capitais

clique na imagem e ouça o programa Fórmula 3.16, que está tratando sobre os 7 Pecados Capitais. O programa vai ao ar toda sexta feira ao vivo pela 107,5FM.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quem procura acha!


Dizem que quem procura acha. E olha, acho que isso é verdade mesmo. Atualmente tenho visto muita gente achando “diabo” em Avatar. Antes era em marca de sabão em pó, música de cantora de axé, enfim, canso só de listar esses três exemplos. Fato é: onde eu quiser achar o “peludo” eu acho, basta misturar criatividade com alguns versículos mal interpretados, mexer com o conceito Nova Era e pronto: temos a receita do blá blá blá de sempre!

Muitos cristãos não conseguiriam vivem sem o diabo. Explico. Analise algumas pregações, sempre aparece o “marvado”. Conheço pessoas que vivem essa tensão entre Deus e o diabo dia a dia, se algo de bom acontece: Ah Deus abençoou, algo de ruim: Ah o inimigo quer passar uma rasteira... Talvez você esteja pensando que eu nego a existência do "capeta", mas não nego, pois a bíblia fala dele e sua ação, contudo, ele não é o foco de minha teologia, por isso, eu consigo assistir Avatar e ver Deus, pois Deus é o meu foco. Se o filme foi feito com intenções malignas, não to nem aí, para mim comunicou Deus, pois creio que Ele fala de muitas formas, até naquelas que fogem as nossas convenções.

E outra, existem coisas bem mais relevantes da vida cristã para nos preocuparmos do que filmes e cultura em geral, quanto mais os crentes malham, mais os ímpios dão risada.

Abaixo, deixo um texto que escrevi em 2005 respondendo um jovem que me questionou sobre eu escrever sobre cinema e ainda misturar com fé cristã.

Forte Abraço!


Cinema e Fé Cristã

Escrevo sobre cinema primeiramente porque gosto de cinema. Cinema pra mim é calmante, fascinante. Sei que nem tudo são flores, e que muitos filmes são desprezíveis, sem razão de ser. Por isso sou crítico e reflito sobre aquilo que está diante dos meus olhos/mente. Brian Godawa em seu livro Cinema e Fé Cristã da editora Ultimato, afirma que não devemos ser anorexos ou bulêmicos culturais, ou seja, não usufruir muito nem pouco da cultura, temos que ser equilibrados, evitando os extremos. Cinema é como televisão, internet (...) você pode escolher o que ver, e a escolha reflete quem você é. O que vejo é determinado por aquilo que sou, se bem que hoje em dia somos aquilo que vemos, me vem a mente agora aquela música da Pitt, Admirável Chip Novo, “Pense, fale, compre, beba. Leia, vote, não se esqueça”, mas bola pra frente.

A segunda razão que me leva a escrever sobre cinema é porque creio que Deus age na cultura e através dela fala ao homem. Talvez você pense: “mas como Deus vai usar um meio desses? Onde impera a promiscuidade e outras cositas mas?” Minha resposta a essa questão é simples, Deus opera nas igrejas, onde também acontecem as mesmas coisas, porém, maquiadas. A igreja enquanto instituição é tão podre quanto Hollywood, ambos só visam uma coisa: lucro!

O segredo é ser crítico e reter o que é bom. É claro que eu como cristão tenho como base a palavra de Deus, logo, julgo tudo a partir dela, sendo que bom senso também ajuda, por exemplo, se eu sei que determinado filme será simplesmente aquele “besteirol americano”, não tem porque assistí-lo. Fato é que não se pode negar a eficácia das mensagens transmitidas no cinema. É claro que isso vale tanto para as boas mensagens como para as más mensagens.

Enfim, creio que não adianta proibir o jovem de ir ao cinema ou alugar um DVD (alguém ainda aluga VHS?), ele fará mesmo assim, então, porque não o fazer conseguir tirar proveito disso? Refletir sobre a mensagem do filme? Acredito nisso, que Deus fala através da arte do cinema, por isso da licença, vai começar a sessão!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A Igreja como portadora da Diaconia


Nenhuma instituição está habilitada para o serviço diacônico além da Igreja de Jesus Cristo. Só ela foi chamada e comissionada para servir ao mundo com poder e graça; só ela foi comprada e redimida; só nela existe a comunhão dos santos e só nela o evangelho é integral.


A igreja servidora e o ministério diaconal


A Igreja fundada por Jesus Cristo, de alguma forma, tenta imitar suas ações e seguir os seus passos. Como vimos acima, Jesus teve uma vida dedicada ao “serviço”, logo, exemplos de diaconia não nos faltam. Por isso, essa Igreja “invisível” e atuante no mundo tem como espelho o Mestre que diz: “Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve (diácono)” Lc 22.27. Nessa passagem bíblica Jesus afirma ser como o escravo que serve à mesa.[1]

Com seu exemplo Jesus institui o princípio básico da ação de sua Igreja. Isso é fato comprovado em todo o NT. pois o que vemos em Atos e nas cartas é uma comunidade servidora que utiliza os dons em prol do próximo. Como afirma Brandt:

Na igreja que confessa: “Senhor é Jesus” existe a variedade e por intermédio desse Senhor, a unidade. Esse Senhor – como confessam todas as testemunhas – tornou-se servo e criado para a igreja, e isto significa: também para cada um pessoalmente. Ele coligou os membros da igreja para o serviço [grifo nosso]. Transformou a igreja inteira no instrumento de seu serviço ao mundo[2]

Dessa forma, fica claro que a única instituição comissionada a fazer diaconia é a Igreja. Por isso, o serviço diaconal não pode estar ligado a qualquer outra instituição, pois nenhuma outra é separada do mundo e dedicada ao Senhor, senão a Igreja.[3] É importante entendermos essa dimensão da Igreja, de que ela é nada mais nada menos do que a obra consumada e continuada de Cristo através das eras e gerações, portanto, podemos definir a Igreja como o domínio de Cristo sobre a terra.[4]

Como embaixadora desse domínio, a Igreja tem tarefas que vão além do anúncio das Boas Novas. Esse domínio tem como característica fundamental o serviço, a mordomia na/para a criação. E isso nos remete ao conceito da Imago Dei (Imagem de Deus). O livro de Gênesis declara que o ser humano não é um escravo dos deuses ou uma criatura qualquer, ele é Imagem e Semelhança de seu criador e isso trás para ele implicações éticas perante as demais criaturas e ao próprio ecossistema. Comento em meu livro:

Os grandes reis do Antigo Oriente costumavam mandar erguer nos seus reinos efígies (estátuas) de si mesmos. Elas serviam como símbolos de sua soberania, ou seja, onde fosse visto essa estátua, saber-se-ia que aquele território pertencia a tal rei. Foi nesse sentido que Israel compreendia a sentença imagem e semelhança de Deus, vendo o ser humano como símbolo da própria soberania de Deus sobre a terra (von Rad). Enquanto que para povos vizinhos, o ser humano não passava de escravo dos deuses, para Israel ele era, e é, cooperador de Deus na criação. Onde houver um ser humano, ali está um representante de Deus, basta ele se dar conta disso. [5]

Mesmo após a queda o ser humano continua sendo imagem e semelhança de Deus, contudo, com alterações, pois se nada mudasse com a queda, não haveria necessidade de conversão e regeneração. Mondim esclarece:

· Pelo fato de constituir um aspecto essencial do ser humano, a imago Dei nunca foi inteiramente destruída, nem totalmente corrompida, mas apenas deturpada, a tal ponto que, por si só, o homem não tem forças para restaurá-la.
· A restauração da imago Dei no homem é obra do Filho de Deus, que é imago Dei por excelência.[6]

Sendo assim, a Igreja é feita de pessoas regeneradas e que devem enxergar a diaconia na perspectiva da Imago Dei, logo, é ir além de dar comida e palavra para quem não tem, é serviço prestado em prol de toda a criação, é incentivar o cuidado com o meio ambiente e tudo que diz respeito a este, influenciar as políticas públicas para a promoção da vida etc.[7]

O assunto é muito amplo e não temos espaço para maiores explanações, mas cremos que isto ficou claro: é a comunidade de Jesus que tem a responsabilidade de viver diaconicamente!

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[1] Cf. SCHWEISER, Eduard. in: NORSTOKE, K. A diaconia em perspectiva bíblica e histórica. São Leopoldo: Sinodal, 2003. p. 53s.
[2] BRANDT, Wilhelm. in: NORSTOKE, 2003. p. 52.
[3] Cf. OFTESTAD, Alf B. Vivendo Diaconia: edificando a igreja através do cuidado pessoal e social. Curitiba: Encontro, 2006. P. 43.
[4] Cf. AULÉN, Gustaf. A fé cristã. 2. ed. São Paulo: ASTE, 2002. p. 271.
[5] AQUINO, Rodrigo de. Rascunhos da alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Joinville: Refidim, 2009. p. 44.
[6] MONDIN, Battista. Antropologia teológica: historias problemas perspectivas. São Paulo: Paulinas, 1979. p. 139.
[7] Isso não quer dizer que todos na Igreja devem fazer tudo. Deus distribui os dons e no seu corpo as vocações são distintas: Uns gostam de cuidar de idosos, outros não tem o mínimo jeito; uns gostam de envolver-se em questões comunitárias, outros não. O que queremos dizer é que a Igreja de Jesus deve estar envolvida em tudo que promove a vida e o cuidado com a criação.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tic Tac Tic Tac


Eu queria poder saber filosofar sobre o Tempo, mas não tenho condições para isso e mesmo que tivesse, valeria a pena? Não seria perda de Tempo? Não sei...

Tempo é movimento, nunca para. Ninguém pode dizer que ficou parado no Tempo, pois o tempo não para, ele segue um fluxo. E para onde vai esse fluxo? Creio eu que desemboca na eternidade, mas como cada um chegará lá?, bem, vai depender de como está vivendo o Tempo presente. Alias, penso que o Tempo é sempre presente, pois o passado é o presente que já passou e o futuro o presente que virá. Na eternidade será sempre o presente.

Alto lá! Já estou divagando sobre o Tempo enquanto o Tempo passa e essas divagações são perda de Tempo (nesse texto). Perda de Tempo. Somos mestres em gastá-lo com coisas inúteis. Se tem uma coisa que aprendi é essa: O Tempo passa para aquele que faz alguma coisa assim como para aquele que nada faz! O Tempo voa!

Mesmo o avanço tecnológico, que proporcionou mais Tempo à humanidade, não foi capaz de fazer o ser humano investir este Tempo “extra” em coisas que realmente valham a pena. Que pena! Eu espero aproveitar melhor o meu Tempo em todos os seus momentos (Ec 3), pois como disse Darwin: “Um homem que ousa desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida”.

“Aqueles que são pródigos com o seu tempo desprezam suas próprias vidas”. Mattew Henry.

Em breve mais reflexões sobre o Tempo, isso, se eu não gastá-lo com coisas fúteis, devo aumentar a vigilância então!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Vamos ajudar o Haiti


“Pastor, por favor, envie um pedido a todas as igrejas do Brasil. Nossas casas, igrejas, hospitais e escolas estão todos destruídos. Não temos internet, água, eletricidade, comida, roupas e medicamentos. Nossas famílias estão passando por dificuldades. Nossos pastores, nossos amigos, nossos irmãos, por favor, nos ajudem” (Jonathan Joseph, pastor haitiano, através de mensagem de celular - a JMM tem como encaminhar ajuda).


Li que Angelina Jolie e Brad Pitt doaram um milhão de dólares para uma organização que está prestando ajuda aos haitianos. É fácil agora pensar que eles tem dinheiro saindo pelo ladrão e podem aparecer fazendo grandes doações. Mas é bom lembrar que tem pastores por aí comprando jatos sem nenhum constrangimento, gastando mais de 10 vezes este valor. E nós, que não podemos doar nada parecido com a oferta do casal hollyoodiano, menos ainda economizar o dinheiro de um jatinho para dar suporte às organizações que estão trabalhando no país, podemos fazer um pouco. Quem sabe se cada um ajudar um pouquinho somamos mais um milhão, ou quem sabe, doze?

A maioria de nós, mesmo se quisesse, não poderia estar lá. Mas outros estão. Compatriotas nossos morreram ajudando o Haiti. Podemos pelo menos, ajudar quem está ajudando o Haiti. Segue uma lista de organizações que estão trabalhando no Haiti, ou estão arrecandando recursos para ajudar. Escolha a que mais se alinha à sua filosofia, religião, teologia, enfim, por falta de organização humanitária é que você não ficará sem ajudar.








Veio do blog 5 solas

sábado, 16 de janeiro de 2010

Luz na escuridão

Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz.
GÊNESIS 1.3

O pequeno território de Israel ficava espremido entre os poderosos impérios da Babilônia, ao norte, e do Egito, ao sul. Ambos praticavam alguma forma de adoração ao sol, à lua e às estrelas. No Egito, o centro da adoração ao solera a cidade de On, cujo nome grego era Heliópolis, “a cidade do sol”, apoucas milhas de distância da cidade do Cairo. Na Babilônia, os astrônomos já haviam desenvolvido elaborados cálculos dos movimentos dos cinco planetas conhecidos por eles e tinham começado a mapear os céus.


Não é de todo surpreendente, portanto, que muitos líderes israelitas tenham se deixado contaminar por esse tipo de culto praticado pelos povos que viviamao seu redor. Ezequiel ficou horrorizado ao ver uns vinte e cinco homens “com as costas para o templo do Senhor e os rostos voltados para o oriente [...] se prostrando na direção do sol” (Ez 8.16). Jeremias também condenou os líderes da nação que amaram e prestaram culto “ao sol e à lua e a todos os astros do céu” (Jr 8.2).

É neste contexto de idolatria que Gênesis 1 deve ser lido e compreendido. Enquanto que os egípcios e os babilônios adoravam o sol, a lua e as estrelas, o autor do Gênesis insiste que esses elementos não são deuses para serem adorados, mas a criação do único e verdadeiro Deus.
Deus prometeu a Abraão que seus descendentes seriam “tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar” (Gn 22.17). É extraordinário que, sabendo hoje que há cerca de um trilhão de estrelas em nossa galáxia e outros bilhões de galáxias a bilhões de anos-luz de distância daqui, a equivalência entre areia e estrelas possa ser bastante acurada.

O apóstolo Paulo usou o majestoso decreto de Deus ordenando: “Que se faça a luz” como um modelo do que acontece na nova criação. Ele comparou o coração humano não regenerado ao escuro caos primitivo e o novo nascimento à ordem criativa de Deus “Que se faça a luz”. Esta certamente havia sido a experiência dele. “Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 4.6).


Para saber mais: 2 Corintios 4.3-6


Por John Sott em seu devocionário A Bíblia Toda o Ano Todo, da editora Ultimato. Leia um trecho aqui!

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