terça-feira, 27 de julho de 2010

Cristianismo e simbolismo

Por Fernando Albano

No cristianismo o símbolo mais conhecido é o crucifixo: símbolo da morte de Jesus Cristo em favor dos pecadores. Um bom exemplo da importância dos símbolos na religião, especialmente na cristandade é o catolicismo romano, cuja linguagem simbólica é bastante forte. Isto pode ser confirmado mediante o sacrário, vestes litúrgicas, velas, imagens de santos, arquitetura das igrejas, entre outros. No protestantismo histórico e pentecostalismo também há símbolos, todavia, de modo bem restrito. Muitas igrejas não possuem sequer o símbolo da cruz. Isto se deve a uma postura anti-católica presente no protestantismo. No afã de se afastar dos elementos católicos romanos muitos símbolos cristãos foram eliminados do seio protestante. Isto ocorreu já nos primórdios da Reforma.
Os protestantes e evangélicos, de um modo geral, tem fortes receios quanto à utilização de símbolos, pelo fato de muitos deles terem se tornado instrumento de idolatria, especialmente na Idade Média. Ou seja, tornaram-se importantes em si mesmos, principalmente para a fé popular, e, assim se corrompeu o símbolo que, deixou de apontar para algo ou alguma realidade fora dele mesmo. Todo símbolo que ganha valor em si mesmo torna-se objeto de idolatria.

Os símbolos cristãos desvendam algo da realidade; mas, em si mesmo, não são essa realidade. Nisto os protestantes, evangélicos têm muita razão. Contudo, não se pode negar que o ser humano é um ser que anseia pelo simbólico. Dreher afirma: “É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual”. Na verdade não há relação “pura” com Deus que não seja mediada por elementos concretos, pois apesar de nossa natureza espiritual, somos também materiais.

Devido a esta postura iconoclasta, se incorreu numa pobreza litúrgica e simbólica no segmento protestante. O homem encontra-se no vazio do espaço litúrgico, deste modo, deve olhar para dentro de si. Estabelece-se uma relação com seu interior. Nesta perspectiva: Deus está dentro da gente e basta prestar atenção em nosso coração.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cosmovisão Cristã

A palavra cosmovisão significa visão de mundo e em termos gerais quer dizer a forma, ou a “lente” com a qual enxergamos a realidade.*


Segundo Wolters, uma cosmovisão teria o papel de um guia para a vida, mesmo quando presente de forma inconsciente e desarticulada em uma pessoa. Funciona como um compasso ou um mapa, que nos orientaria quanto ao mundo em geral, dando-nos um sentido do que está certo e errado na confusão dos eventos e fenômenos que confrontamos, afetando a forma como acessamos os eventos da vida, assuntos e estruturas de nosso tempo e sociedade.*

Fica evidente a partir da definição de Wolters que todos nós temos uma visão de mundo, ninguém que vive em sociedade está imune a uma filosofia de vida. Cosmovisão pode ser entendido como uma filosofia ou conceito, adotado por um indivíduo ou grupo social, para nortear suas ações no mundo.

Para entendermos um pouco o poder de influência da sociedade sobre o indivíduo, podemos citar a preocupação de Deus em orientar o povo de Israel, para que fugisse das relações mistas e educasse seus filhos na lei do Senhor, a fim de não se contaminar com as práticas pagãs (Dt 6 -7). Também os cristãos são exortados a não se conformarem com o espírito deste século (Rm 12.1-2).

O espírito deste século é hostil a Deus e a sua palavra, por isso, se faz necessário falar em cosmovisão cristã, para que o povo de Deus saiba viver nesse mundo e não pereça por falta de conhecimento. Como dito acima, todos nós temos uma cosmovisão, contudo, muitos não sabem definir a sua, logo, são facilmente controlados por idéias que nunca chegam a conhecer. Isso é inadmissível para o cristão, pois ele precisa saber a razão de sua fé, precisa saber como Deus enxerga o mundo e que tipo de gente Ele quer como súditos de seu reino.

O ser humano pós-moderno vive inundado em cosmovisões, ele aceita todas que de alguma forma possa preencher e dar sentido a sua vida. Fato é que, mesmo nessa diversidade de visões e modos de viver, o homem moderno continua desorientado.
O mundo de hoje, nesse sentido, é bem parecido com o mundo do primeiro século da era cristã, ao qual chegou a mensagem do evangelho. Nas palavras de Ferreira em sua teologia sistemática:

[...] era um mundo pluralista, onde havia muitas cosmovisões em competição pelos corações das pessoas. Neste meio, a proclamação do evangelho de Jesus Cristo ofereceu um desafio total. E tal evangelho legou ao mundo antigo uma cosmovisão íntegra e coerente, adequada para lidar com todas as áreas da vida.

Sendo assim, fica evidente que a igreja como representante de Deus na terra, deve ter uma cosmovisão que preserve a vida em todas as suas dimensões. Por isso devemos nos perguntar se a nossa missão tem cumprido esse papel.
O assunto é muito amplo e não temos espaço para maiores explanações, mas cremos que isto ficou claro: é a comunidade de Jesus que tem a responsabilidade de viver diaconicamente!


este texto complementa estas reflexões: parte 1 e parte 2


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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 41. James Sire, escritor cristão, definiu cosmovisão como: “um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma narrativa ou como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos.” SIRE, J. Apud OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. Reflexões críticas sobre Weltanschauung In: Fides Reformata. São Paulo: Mackenzie, 1996. v. 3, n. 8. p. 34.



OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. 1996. v. 3, n. 8. p. 37. Por isso os pais devem educar seus filhos no caminho do Senhor para prepará-los contra a enxurrada de cosmovisões contrárias ao evangelho. Isso quer dizer que se os pais não assumirem seu papel de “construtores sociais ativos”, introduzindo seus filhos neste mundo hostil a Deus e à sua palavra, certamente a sociedade secularizada o fará em sentido contrário.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLENITUDE DOS TEMPOS


Acompanhe a série PLENITUDE DOS TEMPOS, clique na imagem, e ouça nosso PODCAST.

O programa Fórmula 3.16 vai ao ar toda sexta feira pela 107,5FM a meia noite, e 24h no site http://www.formulados.com.br/

terça-feira, 15 de junho de 2010

Rascunhos sobre liderança cristã

São fragmentos que escrevi há tempos para um informativo da igreja...
... peço desculpas pela demora em atualizar, vou casar e a correria é grande.
Ser Servo.

Ser líder é ser servo! Essa é uma verdade pouco praticada em nossos dias, pois muitas vezes, confunde-se liderança com autoritarismo, acham que liderar é mandar, delegar, mas a bíblia nos ensina a partir de Jesus Cristo, que o verdadeiro líder é “aquele que lava os pés de seus liderados” (Jo 13.12). Jesus mesmo sendo o mestre, o messias, dá uma bela lição não só aos discípulos de sua época, mas fala a nós hoje de maneira clara. O líder não é melhor do que seus liderados. Quando se tem essa consciência, o que vemos é uma equipe forte e coesa, pois ninguém quer ser melhor do que ninguém, todos querem ver o crescimento do reino de Deus. Quando o líder é narcisista, ele quer que todos saibam que é ele quem manda, que ele é “o bom”. Esse tipo de líder não sabe o que é ter autoridade divina, pois autoridade divina não se conquista com “cara feia” ou “voz grossa”, mas com humildade, oração e serviço. Que possamos ser líderes exemplares na humildade e no amor ensinando o caminho da verdade, sabedores que também somos dependentes para achar esse caminho. Que possamos colocar a “mão na massa” e junto com nossos liderados, construir uma mocidade melhor!
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Alegria em servir!

Devo cumprir meu chamado com alegria, caso contrário ele se torna um castigo de Deus (Brakemeier). Normalmente o que acontece é a empolgação no início, o cansaço no meio e o desânimo no final, isso é uma realidade, mas não é a palavra final, pois se cremos que Deus nos chamou, devemos crer que Ele nos sustenta e nos revigora. Não podemos negar que lidar com jovens é complicado, mas se tivermos sempre em mente de que fazemos a obra de Deus, isso com certeza facilitará o serviço, pois Deus cuida de sua obra. Nosso papel é buscar em Deus orientação e a partir de Deus liderar! Isso não dispensa de nossa parte preparo, pelo contrário, isso nos leva ao trabalho. Como líderes, devemos estar sempre atualizados e por dentro do mundo de nossos jovens, pois nossa pregação não pode ser alheia às necessidades deles.
A alegria deve permear nosso ministério. A alegria contagia (o desânimo também) e da forças pra continuar. Nós como líderes, devemos ser os primeiros a atender o chamado de Mt 11.28 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Isso não será vergonhoso, será um bálsamo pra alma e com certeza caminharemos convictos rumo a uma mocidade melhor.

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O aviso é sério!

Juízo! É isso que vemos na repreensão do profeta Oséias em seus primeiros capítulos. Ele fala sério aos líderes do povo. Sacerdotes corrompidos, reis impiedosos, ninguém escapa, todos condenados pela palavra do profeta. Qual a acusação? Idolatria, prostituição, abandono da Lei do Senhor. Deus não tinha exclusividade no culto e havia relação sexual na liturgia, em homenagem ao deus da fertilidade Baal (Os 4.16-5.7), ou seja, não havia clareza por parte da liderança, que abandonou os preceitos de Deus, logo, todo o povo sofrera com isso. Deus era juntamente adorado ao lado de Baal e o livro de Oséias é um esforço, em manter a primazia de Deus. Oséias vem na esteira do profeta Elias.
E o que Oséias tem a nos dizer hoje? Acredito que a mesma coisa (Os 5.1-7). Deus continua não tendo exclusividade em nosso meio, Baal só trocou de nome, hoje em dia ele se chama dinheiro,prestígio, orgulho, religiosidade.... a lista é grande.
Toda liderança que se afasta dos princípios do Senhor desvia não somente a própria vida, mas a de todo o rebanho. Isso ressalta a importância do líder como leitor e pesquisador das escrituras. A quem diga que os cursos de teologia surgiram porque a igreja deixou de ensinar a palavra de Deus, talvez!
Que nossas lideranças possam ouvir os profetas. Que se voltem para o Senhor com temor e tremor, que aprendam a aprender com seus liderados e deixem o próximo ser a “lixa de Deus” no ego inflado.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reflexões sobre O REINO



Seguem dois textos do prof. Valdinei Gandra, nosso convidado especial no primeiro capítulo da série O REINO, do podcast do www.formulados.com.br , se quiser ouvir, clique aqui!

Parábola do Bom Samaritano: religião e transgressão

A parábola do bom Samaritano é um daqueles trechos bíblicos que, devido sua extraordinária capacidade profética, ultrapassou a esfera religiosa para se tornar um patrimônio literário da humanidade.

Sua importância está na capacidade de superar dois mil anos de abismo cultural com uma mensagem que se enquadra perfeitamente em nossa realidade: a indiferença de alguns frente à solidariedade de um que, sem nenhum motivo aparente, presta assistência a um outro que fora espancado por alguns outros.

A mensagem torna-se chocante quando descobrimos que o espancado e os indiferentes participavam da mesma mesa religiosa – ideológica. Odiavam o que o Samaritano representava. Nem ao menos o cumprimentariam!

A dimensão religiosidade está presente na parábola. Todos os envolvidos na trama são monoteístas e defendem superioridade no relacionamento histórico com Deus.

Qual a diferença então? Transgressão, digo-vos novamente: transgressão!

A religião se comporta como um pai severo, que na tentativa de proteger seu filho o enquadra num confinamento “educacional” fundamentado no principio do “não toque”, “não ouse”, “não invente”, “não veja”, “não prove”, etc.

Seja indiferente, sugere-se nas entrelinhas. Toque, mas não “toque”. Ouse, mas não “ouse”. Invente, mas não “invente”. Veja, mas não “olhe”. Prove, mas não “prove”.

Se alguém desejar realmente romper com estas contradições invisíveis que nos aprisionam, outra vez vos digo: transgridam!

Transgressão neste contexto seria a implosão dos muros religiosos perversos, historicamente construídos para nossa “segurança”, que nos impedem de potencializar uma fé sensível, inovadora e criativa.

O samaritano transgressor viu e num gesto de ousadia aproximou-se para olhar e “olhando” sentiu a necessidade de tocar, “tocando” percebeu a gravidade dos ferimentos, “percebendo”, ousou na prestação do socorro: levantou-o e colocando sobre sua cavalgadura o conduziu para uma hospedaria, arcando com todos os custos do tratamento.

Em silêncio seguiu seu caminho. Se esta estória fosse verdadeira e não uma metáfora, certamente aquele homem teria provado a mais extraordinária experiência do ser – humano: sinalizar a presença do Reino de Deus.

I O que é o Reino de Deus?

Quando refletimos sobre o Reino de Deus é necessário destacar que o conceito não diz respeito à questão de soberania territorial de Deus, pois as escrituras do primeiro e segundo testamentos pressupõem que o domínio de Deus é cósmico. Sendo assim, a expressão deve ser compreendida como o Senhorio de Deus (vontade e intenções de Deus) internalizado nas pessoas que se renderam a ele por intermédio de Cristo na Cruz do calvário e que a partir desta rendição buscam imitar a Cristo: e isto é revolucionário!

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me”. Lc 9: 23/ Mt 16: 24/ Mc 8: 34

II Parábolas: as metáforas do Reino de Deus
A semente semeada pelo agricultor é a “Palavra do Reino”. Mt 13:19.
“O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo”. Mt 13: 24-30
“O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo”. Mt 13: 31 – 32
“E contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”“. Mt 13: 33.
“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo”. Mt 13:44.
“O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou”. Mt 13: 45,46
“O Reino dos céus é ainda como uma rede que é lançada ao mar e apanha toda sorte de peixes”.

III Quais são as condições necessárias para fazer parte do Reino de Deus

Em conversa com Nicodemos Jesus disse:
“Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Jo 3: 3.
No sermão da montanha: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus”. Mt 3:3.
Quando tentaram impedir que as crianças se aproximassem de Jesus, Ele afirma: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.
IV O Reino de Deus e a Igreja

Historicamente houve uma tentativa de entender a igreja como sendo o Reino de Deus e foi um desastre. Á igreja cabe a prerrogativa de representar o Reino de Deus. Evidentemente que esta representatividade está condicionada a sua rendição à vontade plena de Deus. Sinalizar o Reino de Deus deve ser a missão de uma comunidade dita cristã. Portando a igreja não é o reino e os seus obreiros não são sob nenhuma hipótese os nobres deste reino. Ao contrario a Igreja é agência do Reino e seus obreiros são os voluntários (servos) deste Reino na construção de um mundo mais justo.

V Os sinais do Reino de Deus

Em tese a comunidade é formada por pessoas que se renderam ao Senhorio de Deus em Cristo e que optaram em perseguir o objetivo de serem parecidas com Ele. Se isto é um fato, certamente alguns sinais evidenciarão esta presença histórica do Reino de Deus no mundo.
1. “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. Jo 13:35
2. Os que são sal da terra e luz do mundo (ação invisível, mas perceptível).
3. Os que têm fome e sede de Justiça
4. Os que praticam a misericórdia
5. Os mansos
6. Os que são perseguidos por causa da justiça
7. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Gl 5: 22-23
8. Atos 2: 42 -47/ Atos 4: 32 – 37
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Frases que edificam

“A suficiência dos meus méritos está em saber que meus méritos não são suficientes.” (Agostinho)

“Deus, envia-me para qualquer lugar, desde que vás comigo. Coloca qualquer carga sobre mim, desde que me carregues, e desata todos os laços de meu coração, menos o laço que prende o meu coração ao teu.” (David Livingstone)

“Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.” (Lutero)

“O problema não consiste em persuadir Deus a que nos encha do Espírito, mas em desejar a Deus o suficiente para permitir-Lhe que o faça.” (A.W. Tozer)

“Há duas grande razões por que não amamos o avivamento. Um, estamos
satisfeitos em viver sem ele. Dois, custa muito. Não queremos que Deus desfaça
nossa rotina.” (Leonard Ravenhill)


“Ser cristão significa perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você.” (C.S. Lewis)

“A Igreja é como esterco. Se você amontoa, exala um cheiro horrível por toda a vizinhança. Mas se você espalha, então ela fertiliza o mundo inteiro.” (Luis Palau)

recebi de Taline Schroeder!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Casa Caiu


A confissão do cantor Davi Silva (veja aqui) ao mesmo tempo em que surpreende, não causa impacto nenhum. Surpreende pela coragem em expor as armações do ministério, falar de cara limpa e admitir a culpa, sabendo que isso pode tirá-lo por um tempo do mercado gospel, mercado esse que só pensa em dinheiro, como qualquer outro. Ou não, pode aumentar a popularidade do grupo e render muitos cds e dvds vendidos, o tempo dirá. Na verdade surpreende porque não estamos acostumados com pessoas famosas admitindo erros assim, na lata!

Não causa impacto, pois sabemos que tem muita gente mentindo em nome de Deus. Tem muito pastor se dizendo ex-cientista da NASA, mas que não passa de fraude. Davi não foi e nem será o único a mentir testemunhos para gerar “poder” de Deus na congregação. Quando a pregação de alguém é focada em seus testemunhos e não na palavra de Deus, é inevitável que esse venha a ter que inventar histórias para ter sempre algo novo para pregar, afinal, é bem mais fácil inventar um testemunho do que estudar e perscrutar as profundezas da Escritura.

Quem sabe essa confissão do Davi Silva possa ser um leve sinal de avivamento, pois seria muito bom se esses “grandes” ministros e ministras do evangelho(?) criassem vergonha na cara e admitissem suas falcatruas e parassem de enganar o povo. E que o povo apreenda a não ir em qualquer embalo e pregação, que seja mais criterioso, mais bíblico, mais racional, pois é assim que o avivamento virá (Rm 12.1-2).

Eu nunca acompanhei o grupo do cantor Davi Silva, até mesmo porque desde que vi ele “desviando de anjos” não dei muito crédito a sua palavra. Mas sei de pessoas que foram ricamente abençoadas com suas canções e ministrações, então, oremos por ele e pelo ministério, para que encontrem o caminho de casa.

Ah, não esqueçamos de agradecer a Deus pelo pecado que ele cometeu, mentira e charlatismo, pois esse o povo perdoa, assim como desvio de dízimos e ofertas entre outras coisas, porque se fosse escândalo sexual, Davi nunca mais pisaria num púlpito, afinal, esse o povo não perdoa...

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Meu livro Rascunhos da Alma está na segunda edição. Está nas livrarias evangélicas de Joinville ou pelo site http://www.livrariarema.com.br/



segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Influência da Igreja Evangélica Brasileira


Segundo o sociólogo Rodolfo Amorim, as religiões históricas devem desempenhar duas funções básicas: a primeira seria apresentar a mensagem de salvação pessoal num relacionamento com Deus e a segunda seria fornecer uma lente para interpretarmos o mundo. De acordo com o sociólogo a igreja brasileira não tem respondido adequadamente a segunda função. Ela ficou restrita ao âmbito privado, ou seja, uma dimensão muito estreita da vida, e pior, aceitou essa condição cultural. Amorim diz:


Segundo essa proposta cultural, os cristãos poderiam viver e expressar sua fé apenas na esfera privada da vida, sem direito a voz ou participação concreta nas questões fundamentais de interesse público, como política, mídia, ciências e educação. *

Comumente ouvimos nas pregações que a igreja não foi feita para ficar entre quatro paredes, porém, no entendimento da maioria, sair das quatro paredes é fazer somente evangelismo, entregando um panfleto aqui, ajudando um missionário ali, etc. Pensar dessa maneira é não compreender a magnitude que é ser representante de Deus fora das paredes da igreja.

A Igreja de Cristo tem (deveria ter) uma cosmovisão distinta das demais instituições, pois ela enxerga o mundo com os olhos do Criador. Mas o que é cosmovisão? continua...

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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 40.

terça-feira, 23 de março de 2010

CQC Nas Igrejas

Geralmente, se estou em frente a uma TV, é porque estou vendo filmes. Como disse a minha mãe, se eu não tivesse que trabalhar, passaria o dia inteiro vendo filmes. Não é bem assim. quase... Mas não é somente filmes que me levam para frente da telinha, o programa CQC na Band também. Não curto tudo no programa, mas os segmentos Controle de Qualidade (que não sei se teve esse ano ainda) e o Proteste Já, são fenomenais. O primeiro revela o quão nossos representantes são ignorantes (nem todos, existem exceções) e não ligam a mínima para o povo, o que eles querem mesmo é garantir o deles (e o da família é claro). Esse quadro no programa tem me politizado. Nunca gostei muito desses assuntos políticos, mas depois desse segmento, tenho prestado um pouco mais de atenção em Brasília. Penso no poder do meu voto.

Já o Proteste Já para mim é profético, isso mesmo, leste certo, profético. Enquanto nos especializamos em coisas inúteis, eles agem diretamente em prol de uma comunidade. Para mim não interessa as motivações deles, o que importa é que eles denunciam, lutam por justiça, melhores condições de vida, etc. Deveria existir um Proteste Já em cada cidade, em cada igreja.

Falando em igreja. Muita “trambiqueira” acontece nas igrejas porque os membros não fiscalizam o que é feito com o dinheiro das arrecadações de ofertas e dízimos. Creio que quem contribui com a igreja tem o direito desta prestação de contas. Se muito pastor por aí se folga com o bem material da igreja, é porque ela permite isso. Pensamos: “Ah, ele é um homem de Deus, eu confio nele”. Fiscalizar as finanças de uma igreja não é questão de confiar ou não confiar no pastor, mas de exercer um direito que lhe pertence. Não é pecado!

As igrejas pentecostais nesse sentido deveriam imitar o modelo congregacional. Os membros deveriam acordar para a realidade de que pastores ficam um tempo na comunidade e saem. Já eles, ficam quase a vida inteira. Por isso, a congregação deve estar por dentro de tudo que acontece com o dinheiro da igreja, os bens, os projetos missionários, etc, pois pertencem a ela e não ao pastor. O pastor está ali para servir a comunidade e fazer o que é melhor para ela, e não o contrário, como acontece muitas vezes...

Em nossas igrejas deveriam existir um departamento chamado Controle de Qualidade, para fiscalizar a qualidade de nossos representantes sagrados e um Proteste Já, onde atenderíamos as necessidades locais. Onde a igreja não seria mero encontro de pessoas num domingo a noite, mas um local de amparo aos necessitados. Igreja que luta por melhorias em seu bairro, tanto na infraestrutura como na saúde. Isso é ser relevante.

Ano passado eu teci alguns comentários acerca da Marcha para Jesus (leia aqui < >) e um dos organizadores me disse que não ficariam somente na marcha, mas que estavam se mobilizando para algo concreto na sociedade joinvillense. Como eu disse em outro texto, se isso acontecer, pode contar comigo, caso contrário... Bem, ainda estou esperando... até agora só ouvi falar do lançamento de um DVD. Fato é que eu posso estar desinformado, então se alguém tem alguma novidade sobre a marcha do ano passado, por favor, deixe um comentário. Ou se alguém tem um testemunho para contar, eis aqui seu espaço!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Foi Apenas um Sonho...

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)

O filme do diretor Sam Mendes (Beleza Americana, 1999) é um bom drama. Nele acompanhamos a vida conjunta de Frank (Leonardo DiCaprio) e sua esposa April (Kate Winslet) desde o seu primeiro encontro até morarem na rua Revolutionary Road do título original, subúrbio de Nova York.

Estão ali o casal de vizinhos que olha para a casa ao lado para ver como a grama deles é mais verde; os colegas do trabalho de Frank em um escritório em Nova York; e a corretora de imóveis Helen Givings (Kathy Bates), que lhes vendeu a casa e os visita com frequência ao lado do marido (Richard Easton) e o filho John (Michael Shannon), um ex-matemático que sofreu nas mãos dos tratamentos mentais da época. Este trabalho de ambientação logo mostra o que pensa dos subúrbios estadunidenses: lindos, perfeitos e... vazios. E é por esse "vazio desesperançoso da vida", como bem descrevem os protagonistas, que eles decidem sair dali. Ela queria ir para Paris onde trabalharia como secretária em algum órgão do governo e ele ficaria livre para estudar, viver e encontrar algo que o agrade em vez de ficar enfurnado em um cubículo de um trabalho que odeia apenas para garantir o holerite no fim do mês.[1]

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A partir de agora contém SPOILERS! Leia por conta e risco.

April não encontrava sentido em sua vida, por isso, queria toda aquela mudança. Ela estava a procura do “do algo a mais” que alguns defendem que a vida pode dar. A grande verdade é que ela queria uma mudança na vida, queria fugir do grande vazio daquele lugar e talvez pensasse que o deslocamento geográfico pudesse ajudar. Ledo engano.

A frase mais sensata no filme vem do “louco” John, filho do casal “perfeito”, ele diz: “muitas pessoas estão no vazio, mas é preciso coragem para ver o desespero”. April percebeu o vazio, elaborou um plano mas não conseguiu executá-lo. A atitude do jovem casal na procura da felicidade é frustrada pelas circunstâncias da vida. E isso fica claro no filme: é nos pequenos detalhes que somos atropelados.

A vida é assim, dura, e para cada dia basta o seu mal! Esse vazio que o casal tentou superar está dentro de todos nós, sem exceção. Sempre estamos buscando um sentido para nossa vida, sempre estamos em busca do “algo a mais”, parece que acreditamos no pote de ouro no fim do arco íris.

Penso que o cristianismo é muito realista em sua antropologia: o ser humano é um ser vazio e desorientado. Só encontra sentido em Cristo. O escritor russo Dostoievsky já disse que o vazio dentro do homem é do tamanho da eternidade. Ser cristão é encarar o desespero interior e correr em direção ao Pai, só existe esse caminho.

O lindo casal tentou resolver da sua maneira e tropeçou. Naquela cena em que April acorda aparentemente feliz, preparando o café da manhã como se nada tivesse acontecido na noite anterior, me causou calafrios, naquela hora, eu soube o que ela iria fazer.

O mundo matou Deus e está tentando resolver do seu jeito, o resultado a gente vê na TV. No encontro com Deus eu me enxergo e me desespero, mas sou segurado em mãos firmes que me conduzem no caminho, afinal, a tristeza segundo Deus produz mudança de direção.

O filme permite outros olhares, mas por hora fico com esse. E como bem frisou Marcelo Forlani do Omelete, a última cena do filme é genial!



[1] Adaptado do site Omelete . Acesso dia 11/03/2010

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