terça-feira, 14 de outubro de 2008

Brincando No Paraíso Perdido - Resumo

Resumo do Livro: Brincando no Paraíso Perdido – as estruturas religiosas da ciência. Autor: Euler Renato Westphal.
Este livro tem como meta investigativa a relação entre Teologia e Bioética. Impressiona as semelhanças entre ciência contemporânea e a religião, tanto nas funções litúrgicas quanto nas expectativas messiânicas.
Após anos de docência na Universidade, o autor aprendeu muito no diálogo com mestres de outros saberes, e descobriu a teologia cristã tem uma contribuição significativa para o ser humano do século XXI.
Existe na ciência pós-moderna uma dimensão religiosa muito forte, principalmente no âmbito da biotecnologia, que domina o patrimônio genético, assim ela tem o poder de decidir sobre a vida e a morte das pessoas, inclusive atender a encomendas, um filho conforme o desejo dos pais. No livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, temos a ditadura científica representada com muita propriedade. Nesse admirável mundo novo os cientistas são chamados de “predestinadores”, ou seja, aqueles que decidem sobre a usina humana, sobre os destinos dos embriões. Lá existem os seres superiores, os Alfa-Mais, outros são os Alfa-Menos. Do outro lado, os Gama e os Ypsilon, os seres inferiores, que formam a classe trabalhadora. Esses seres inferiores são destinados a amarem aquilo que são obrigados a fazer, amarem seu destino social, sua predestinação. No Admirável Mundo Novo, a ciência é uma grandeza religiosa, onde o encontramos o Todo-Poderoso D.I.C, que administra O Centro. Temos a religião oficial onde todos adoram FORD, através de um ato litúrgico, no qual o sinal da cruz é um T.[1] A eternidade é possível a partir do laboratório.
Vemos aqui a dominação da ciência como uma grandeza religiosa, pois ela promete a salvação eterna através da saúde perfeita. Um mundo sem dor e sem a possibilidade da morte.
A teologia contempla a saúde e a salvação eterna sob a perspectiva da kenosis, onde Deus vem ao nosso encontro, se faz de fraco para com os fracos. Isso é estranho aos ouvidos da filosofia grega, pois deus que é deus não ama, não sofre e não se compadece. Pois na visão aristotélica Deus é pantocrator, não tem debilidade, e amor é fraqueza. Nessa visão deve-se fazer coisas para agradar os deuses, contudo Jesus rompe com essa tradição dia-bólica e revela a graça simbólica de Deus.
Esse conceito encontra resistência em Nietzsche e sua visão de amor solidário, que na verdade é solidário com os fortes e capacitados (os Alfa-Mais). É a solidariedade do “Übermensh”, que consiste no abandono do amor ao próximo e na opção pôr aquele que ele escolhe. Este super-homem vive além do bem e do mal, do certo e do errado, do ódio e do amor, da vida e da morte. Vive heroicamente sem Deus, pois Deus morreu.
Como conseqüência dessa solidariedade sem amor e sem misericórdia, as ações humanas são pragmáticas, instrumentalizando o ser humano, excluindo os fracos. A vida humana é digna na medida em que ela traz algum benefício para a sociedade e para o mercado.
É isso que vemos na ciência moderna, que entra num beco sem saída com sua atitude arrogante, que despreza o amor, a espiritualidade e o respeito diante da sacralidade da vida. Ciência sem amor torna-se uma ameaça ao ser humano e a criação como um todo. O ser humano passa a ser coisa, e coisa não pensa, logo não existe.
Não é isso que pensa o Deus que se manifestou nos evangelhos. Pois o próprio Deus torna-se “saco de vermes”. Ele é sym-pathos com nossas fraquezas. Ele compartilha o sofrimento humano. Ele não exige atos heróicos de nós para podermos nos aproximar dele, mas Deus fez atos humanos para se aproximar de nós.
Oficialmente o sagrado é negado no interior da ciência médica. Entretanto o sagrado encontra-se dissimulado e amorfo, todavia constante e onipresente no interior do imaginário da medicina. Mas essa visão mecânica e hidráulica do ser humano não permite ver o sofrimento humano na sua real perspectiva. É necessário colocar a dor em um plano cartesiano para ser tratada.
Existe um cuidado a ser tomado em ralação ao pensar médico vigente, aquele que encontra a dignidade no viver e no morrer. Marcos Aurélio Da Ros afirma que: “não se trata de abandonar a prática médica clínica tradicional, mas redimensioná-la numa prática humanizada, crítica e reflexiva, que seja a pessoa como um todo em suas relações...”. A realidade não pode ficar restrita ao mensurável. O amor é um processo de vínculo e não pode ser reduzido a uma molécula.É preciso experimentar a gratuidade oferecida por Deus, abandonar essa preocupação excessiva com a beleza e com a saúde perfeita, que reflete o esforço humano de reconquistar sua imagem perdida. Contudo Deus nos dá salvação, sentido e esperança em meio ao desespero.
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[1] Encontramos também a eucaristia, que é celebrada com soma, um alucinógeno.

Um comentário:

Juber Donizete Gonçalves disse...

Rodrigo,

Que resumo hein! Deus até vontade de ler o livro. Parabéns pela postagem.

Graça e paz.

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