quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Deus desceu para subir

“Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino”. L. Boff.

Penso que essa frase do teólogo Leonardo Boff sintetiza brilhantemente o Natal, onde a humanidade é abalada com a irrupção do Reino de Deus no seio de sua história. Enquanto os homens funestamente buscaram a divinização como meio de salvação, paradoxalmente Deus tornou-se humano em Cristo para salvar. Gosto das palavras de Lewis:

“De acordo com a história cristã, Deus desce para voltar a subir. Ele desce das alturas da existência absoluta no tempo e espaço à humanidade. [...] ele desce para subir de novo, trazendo consigo todo o mundo arruinado. Isso nos faz pensar em um homem forte abaixando-se cada vez mais para colocar-se debaixo de um grande e complexo fardo. Ele deve abaixar-se para o levantar, quase desaparecendo sob a carga, antes de endireitar incrivelmente as costas e seguir avante com toda a imensa massa balançando em seus ombros.”[1]

O Natal então anuncia essa descida de Deus, esse evento inaudito: O Todo Poderoso tornando-se matéria, entrando no tempo e no espaço, expondo-se a morte, tornando-se homem! Eu me pergunto: o que é salvífico em Cristo, sua encarnação? Sua morte? Ou sua ressurreição? Boff defende a idéia de que tudo em Cristo é salvífico, sua encarnação, vida, morte e ressurreição.[2]
Faço coro com ele e sugiro que nesse Natal pensemos holisticamente Cristo, começando pelo seu nascimento, passando por seus ensinamentos, velando seu sofrimento, alegrando-se com seu ressurgimento, esperando pelo arrebatamento.

A você querido leitor, um Feliz Natal!

PS - texto requentado de 2009 e também um capítulo de meu livro Rascunhos da Alma.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu-tu: a imagem de Deus

Por Fernando Albano

“Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27)

A imagem de Deus é essencialmente a relação que há entre os seres humanos com Deus, consigo e com o próximo. Logo, eu-tu somos imagem de Deus; eu só, distorção desta imagem.
Muito se discute em antropologia teológica o real significado da expressão bíblica, “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1.27). De acordo com muitos teólogos a imagem e semelhança divina de que o ser humano é portador, deve ser considerada primariamente em sua dimensão espiritual, pois Deus é espírito. Dessa forma o corpo não participa da imago Dei. Segundo Cabral:


O corpo não é a imagem de Deus, porque é formado do pó. Porém, o Senhor soprou nele a nephesh _ a vida física da alma que possui a imagem e semelhança de Deus (Gn 2.7) Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.

Segundo essa perspectiva, o ser humano é, pois, imagem e semelhança de Deus por suas faculdades espirituais, que são a inteligência, volição e sentimentos. Seria essa imagem, presente na alma, e não relacionada ao corpo que reflete a Deus, segundo a compreensão usual. Entretanto, compreendo que a imagem e semelhança de Deus, embora comportem essas características, não pode desconsiderar outro elemento fundamental, a saber, a capacidade de relação, socialização que o ser humano possui e, esta é necessariamente mediada pelo corporal.

Portanto, é possível uma concepção de imagem de Deus que seja coerente com a concepção unitária de ser humano conforme apresentada na Bíblia. Por outro lado, pode-se entender a imago Dei pela ótica platônica e, assim, se estabelecer o dualismo metafísico, estranho ao hagiógrafo.

Na realidade conforme as tradições bíblicas, a imagem de Deus não reside na alma, conforme o entendem muitos teólogos ortodoxos, porque imagem de Deus são todas as pessoas em sua comunhão natural: “[...] criou-os macho e fêmea” (Gn 1.27). Portanto, Deus:

[...] não é reconhecido no fundo da alma de cada um por meio da experiência de si próprio, mas na comunhão integral, de relacionamentos, e por isso também na comunhão corporal e de sentidos entre homens e mulheres, pais e filhos, e em outras relações sociais. (MOLTMANN, Jürgen. A fonte da vida: o Espírito Santo e a teologia da vida. 2002. p. 85.)

Assim, diante da ênfase a respeito da espiritualidade de Deus como elemento determinante da imago Dei, convém perguntar pela natureza dessa espiritualidade. Deus é espírito (Jo 4.24), mas o que caracteriza essa condição espiritual do transcendente? Pode-se afirmar que Deus é espírito relacional, ou seja, ele é espírito uno no que tange à sua divindade, contudo, é trino no que diz respeito às identidades, assim, segundo o credo cristão, Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, Deus é um ser relacional e comunitário.

Por conseguinte, não se pode falar de imagem de Deus sem considerar o seu aspecto relacional, comunitário e, ainda corpóreo. O ser humano que foi criado conforme a imagem de Deus é igualmente relacional e, anseia por relação, comunhão (Gn 1.27-28). Portanto, como disse Moltmann: “A verdadeira espiritualidade não pode ser uma experiência solitária, egoísta, pois cada indivíduo existe no tecido de relações sociais e políticas.” (MOLTMANN, 2002, p. 90.)

A teologia cristã com sua ênfase na relação da alma ou espírito com Deus, corre o risco de acabar provocando um distanciamento da pessoa do outro, assim como de si mesmo, pois separa as dimensões espiritual e material, apresentando um aparente conflito entre corpo e alma.

Isto posto, sabe-se que o ser humano estabelece interação com outras pessoas mediante sua corporeidade. De fato, não há relação em nível de meros pensamentos e abstrações. Nas relações humanas há toques, olhares, abraços, entre outros, que promovem a relação. Sendo a capacidade de comunhão algo que caracteriza a imagem e semelhança de Deus, pode-se afirmar que o corpo humano participa desta imagem, pois é o ser humano em relação com outros.

Portanto, pode-se dizer que o ser humano não tem a imagem e semelhança de Deus. Ele é a imagem de Deus em sua corporeidade, em sua relação consigo, com Deus e o outro.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Onde está meu irmão?

 

“Quando Deus perguntou a Caim onde estava Abel, Caim replicou, zangado, com outra pergunta: ‘Sou por acaso guardião do meu irmão?’ O maior filósofo ético do nosso século, Emmanuel Levinas, comentou que dessa pergunta zangada de Caim começou toda a imoralidade. É claro que sou guardião do meu irmão; e sou e permaneço uma pessoa moral enquanto não pergunto por uma razão especial para sê-lo. Quer eu admita, que, não, sou o guardião do meu irmão porque o bem-estar do meu irmão depende do que eu faço ou do que me abstenho de fazer. Eu sou uma pessoal moral porque reconheço essa dependência e aceito a responsabilidade que ela implica. No momento em que questiono essa dependência, e peço, como fez Caim, que me dêem razões para que eu me preocupe, renuncio a minha responsabilidade e deixo de ser um ser moral. A dependência de meu irmão é o que me faz um ser ético. A dependência e a ética estão juntas, e juntas elas caem.”
BAUMAN, Zygmunt. A sociedade individualizada: vidas contadas e histórias vividas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. p. 98.

 
Depois das palavras desse sociólogo polonês não sobram muitas a serem ditas. Jesus Cristo já nos ensinou isso na parábola do bom samaritano, lá já está claro que o próximo é todo aquele precisa de mim.

 
Essas palavras nos desafiam a enxergarmos além de nossos umbigos e percebermos o outro. Elas desmascaram nossa hipocrisia e faz-nos ver que nosso cristianismo está longe de ser cristão. Mas ao mesmo tempo nos mostram o caminho, quem está disposto a segui-lo?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Missão Integral

Já está claro a responsabilidade que pesa sobre aqueles que professam a fé em Jesus Cristo. O estudo da diaconia nos confronta com a realidade de que o Reino de Deus não deve ser somente proclamado, mas demonstrado. Por isso, nas próximas linhas, traçaremos um breve perfil da Missão Integral, uma prática que remonta a Jesus Cristo e à igreja do primeiro século, mas que por muito tempo foi esquecida ao longo da jornada cristã.

Sobre a Missão Integral

A expressão “missão integral” é relativamente nova, se comparada ao modelo de missão que ela representa. A expressão surge no seio da Fraternidade Teológica Latino-Americana há mais ou menos três décadas. Seu intuito era o de enxergar a missão da igreja dentro de um modelo mais bíblico, diferenciando-se assim, do modelo tradicional de missão instalado nos círculos evangélicos.

Não temos espaço para apresentarmos todo o histórico da Missão Integral, todos os movimento que a influenciaram e contribuíram para seu surgimento[1]. As influências vem de movimentos dos Estados Unidos, Europa e América Latina. Destacamos o Congresso de Lausanne, que aconteceu na Suíça em 1974. A partir desse congresso o mundo evangélico, de forma geral, começou a refletir sobre a missão integral da igreja[2] e os teólogos latino-americanos começaram a influenciar o debate missiológico além de suas fronteiras.[3]

Depois de Lausanne, ficou evidente duas maneiras de se entender a principal missão da igreja, os mais conservadores continuaram crendo que a evangelização é a principal tarefa da igreja e outro grupo “começou a trabalhar na direção de que não há prioridade na missão da igreja [...] tanto a evangelização como a ação social se completam, sem uma priorização entre elas”.[4]

A seguir, delinearemos algumas diferenças entre o modelo tradicional de missão e o modelo da missão integral.[5]

O Modelo Tradicional

No modelo tradicional a missão é concebida essencialmente como um cruzar fronteiras geográficas com o propósito de levar o evangelho do “mundo ocidental cristão” para os “campos missionários” do mundo não-cristão (os paises pagãos). Em outras palavras, falar de missão era falar de missão transcultural. O propósito da missão era “salvar almas” e “plantar igrejas”. O papel da igreja local ficou reduzido a prover pessoas para a missão e dar apoio espiritual e econômico.

Esse modelo foi instigado no afã de cumpri Mc 16.15 e é inegável que, apesar de suas deficiências, este conceito de missão que prevalece no movimento missionário moderno inspirou (e ainda segue inspirando) milhares de missionários transculturais a sair de suas terras para difundir as boas novas da salvação em Jesus Cristo mundo afora e assim escreveram muitas das mais belas páginas da história de Igreja.

Graças a essa compreensão tradicional de missão, hoje a Igreja é um movimento de alcance mundial, com congregações em praticamente em todas as nações da terra.

Padilla afirma que a identificação da missão da igreja com a missão transcultural, gerou pelo menos quatro dicotomias, que de certa forma afetam negativamente a igreja, dessas quatro, expomos duas:

1 - A dicotomia entre missionários, chamados por Deus a servi-lo, e cristãos comuns, que podiam desfrutar dos benefícios da salvação, mas estavam excluídos de participar do que Deus quer fazer no mundo. Atrevo-me a sugerir que a dicotomia entre “clérigos” (incluindo missionários e pastores) e “leigos” está na raiz do problema de muitos “domingueiros” que fazem parte do povo evangélico.[6]

2 - A dicotomia entre a vida e a missão da igreja. Se, para que a igreja fosse “missionária” bastasse enviar e apoiar alguns de seus membros para que se ocupassem da missão, algumas igrejas não teriam nenhum impacto significativo em sua vizinhança: a vida se desenvolve na situação local (em casa), mas a missão em outro lugar, preferencialmente no exterior (o campo missionário).

Fica evidente, a partir do exposto acima, que essa dicotomia se origina da redução da missão a um esforço missionário transcultural. Disso resulta a ideia de que missão consiste, tão somente, na tarefa de evangelização que um missionário enviado por alguma igreja local realiza num campo missionário em algum lugar do mundo, cumprindo assim a tarefa missionária de toda a igreja.

Um novo paradigma para a missão

A partir da missão integral, o fator geográfico torna-se secundário, a única fronteira a ser cruzada é o que é fé e o que não é e isso só depende do anúncio da pessoa e obra de Jesus Cristo, independendo do local onde esse anúncio é feito.[7] Cada igreja é convidada a participar da missão de Deus, uma missão que tem alcance local, regional e mundial.

A proposta da missão integral exige que a igreja comunique o evangelho mediante tudo o que é, faz e diz. Dessa forma, cada membro passa a servir aos interesses do reino de Deus.[8] E começa a entender que o objetivo da igreja não é crescimento numérico, abundância em bens materiais ou poder político, mas é ser um sinal histórico desse reino, que tem como emblema o amor e a justiça.

Cumprir esse propósito é tarefa de todos os membros da igreja, sem exceção, que recebem do Pai dons e ministérios para o exercício de seu sacerdócio, assim, testificam “do amor e da justiça revelados em Jesus Cristo, no poder do Espírito, em função da transformação da vida humana em todas as suas dimensões, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário.”[9]

Assim, as dicotomias do modelo tradicional são superadas, e todos se descobrem como participantes da obra redentora de Cristo, não importando o local, status social ou cargo eclesiástico.

Teologia da Missão Integral

A Teologia da missão integral, como o próprio nome sugere, pretende ser uma Teologia que se ocupa com a totalidade da realidade que precisa ser redimida. Tem como alvo o não apenas a salvação de almas individuais, mas, sobretudo, a salvação do emaranhado de situações que comprometem a vida e o seu bem-estar. Portanto, o foco não está unicamente no indivíduo, mas este em sua relação com seu contexto social, político, econômico, entre outros. De acordo com Sanches:

A realidade humana é abrangente e integra vários aspectos que se interrelacionam, e não podem ser tratados parcialmente. [...] É nessa realidade humana integral e complexa que a Igreja é chamada a missionar, portanto, não há outra forma de realizar a missão no mundo, senão na perspectiva da integralidade.[10]

É a partir desses pressupostos que nasceu a Teologia da Missão Integral. Ela é resultado de sério e consciencioso trabalho de teólogos latino-americanos, envolvidos diretamente com uma visão mais abrangente de missão e Reino de Deus.

Todo o Evangelho

“O evangelho todo para o homem todo, para todos povos”. Este é o lema que sintetiza a Teologia da Missão Integral. Sua base teológica encontra-se exposto, entre outros, no conhecido “Pacto de Lausanne”. Entende que a evangelização consiste na divulgação das boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor ele agora oferece o perdão dos pecados a todos os que se arrependem e crêem. Ressalta ainda, que Deus é o Criador e juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar a sua vontade pela justiça e reconciliação em toda a sociedade humana, e pela salvação dos homens de todo o tipo de opressão. Isso significa que a fé cristã está inevitavelmente ligada às questões políticas e sociais, que outrora, tantas vezes foram negligenciadas. Ed René Kivitz resume a Teologia da Missão Integral do seguinte modo:

O Reino de Deus é o domínio soberano de Deus, que entrou na história na pessoa de Jesus, com a finalidade de sobrepujar o mal, libertar o homem de seu poder e possibilitar sua participação nas bênçãos inerentes ao governo de Deus sobre todo o universo desde agora e para toda a eternidade.

A soteriologia da missão integral é o domínio de Deus, de direito e de fato, sobre todo o universo criado, através daqueles restaurados à imagem de Jesus Cristo, o primogênito dentre muitos irmãos. A salvação é o Reino de Deus em plenitude, onde a vontade de Deus é realizada - concretizada em perfeição. A redenção pessoal/individual é a apenas uma parcela do que o Novo Testamento chama salvação: o novo céu e a nova terra.

A eclesiologia da missão integral é o novo homem coletivo. Deus não está salvando pessoas, está restaurando a raça humana. Estar em Cristo é não apenas ser nova criatura, mas também e principalmente ser nova humanidade - não mais descendência de Adão, mas de Cristo, o novo homem - homem novo. [...] No Cristianismo, a salvação é pessoal, a peregrinação espiritual é comunitária, e nada, absolutamente nada, é individual.

A missiologia da missão integral é a sinalização histórica do Reino de Deus, que será consumado na eternidade. A igreja, o corpo de Cristo, é o instrumento prioritário através do qual Cristo, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas, no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século, mas também no vindouro. [...] A missão integral implica a ação para que Cristo seja Senhor sobre tudo, todos, em todas as dimensões da existência humana.

A antropologia da missão integral é a unidade indivisível do "pó da terra/fôlego da vida", as dimensões física e espiritual do ser humano. "Corpo sem alma é defunto; alma sem corpo é fantasma"; "Cristo veio não só a alma do mal salvar, também o corpo ressuscitar". A ação missiológica e pastoral da igreja afeta a pessoa humana em todas as suas dimensões: bio-psíco-espiritual-social - a pessoa inteira em seu contexto - o homem e suas circunstâncias.[11]

O kerigma, evangelização, na missão integral é a proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor, seguida da convocação ao arrependimento e à fé, para acesso ao Reino de Deus. [...].

KIVITZ, E. R. Disponível em < http://www.ibab.com.br/artigos.php?id=43> Acesso em: 15 nov. 2010.
Antes de terminarmos esse pequeno esboço da teologia da Missão Integral, é importante ressaltar que ela não é a soma de evangelismo pessoal + assistência social (esta geralmente utilizada como isca evangelística) mas é uma convocação à rendição ao senhorio de Jesus Cristo, tornando-se um súdito desse reino cheio de amor e de justiça.[12]

Ouça o podcast sobre o assunto, CLIQUE AQUI.

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[1] Para aprofundamento do tema sugerimos a leitura do livro de Luiz Longuini Neto, O Novo Rosto da Missão, editado pela Ultimato em 2002.
[2] BARRO, Antônio Carlos. In: MISSÃO integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Ultimato: Viçosa, 2004. p. 72-89. No Brasil, o congresso de Lausanne influenciou os dois congressos brasileiros de evangelização, o primeiro em 1983 e o segundo em 2003.
[3] Disponível em Acesso em: 17 de nov. 2010.
[4] BARRO, Antônio Carlos. In: MISSÃO integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Ultimato: Viçosa, 2004. p. 72-89.
[5] Seguiremos a exposição de PADILLA, C. René. O que é missão integral? Viçosa: Ultimato, 2009. p. 14ss.
[6] Recomendamos a leitura da obra Os outros seis dias de R. Paul Stevens, da editora Ultimato. Nela o autor expõe os perigos dessa dicotomia entre cleros e leigos e retoma o sacerdócio geral de todos os crentes a partir das escrituras.
[7] Aquino afirma: “Parece-me que o conceito de missão está fortemente ligado ao texto de Mc 16.15, onde a ênfase recai no IDE! É inegável que esse versículo inflamou corações a percorrerem o mundo anunciando o evangelho, contudo, amarrou missão com deslocamento geográfico, e isso, de certa forma, pode ser um problema. Ao fazermos uma tradução literal a partir do texto grego de Mc 16.15 descobrimos algo importante: “E disse a eles: Indo para o mundo inteiro proclamai o evangelho...”, o imperativo do versículo não é o ir, mas o proclamar. Se a ênfase é o proclamar, logo, não preciso me deslocar geograficamente, mas, onde estiver, posso viver minha identidade como igreja de Deus.” AQUINO, Rodrigo de. Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Joinville: Refidim, 2009. p. 67.
[8] KIVITZ, E. R. In: MISSÃO integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Ultimato: Viçosa, 2004. p. 64-65.
[9] PADILLA, C. René. O que é missão integral? Viçosa: Ultimato, 2009. p. 18-19.

[10] SANCHES, Regina Fernandes. A teologia da missão integral: história e método da teologia evangélica latino-americana. São Paulo: Reflexão, 2009. p. 147.
[11] Em outro texto, Kivitz diz: A missão da igreja, portanto, não consiste apenas do testemunho de uma mensagem verbal, convocando espíritos humanos a que recebam perdão para os pecados e se acomodem na esperança do céu pós morte. A missão da igreja consiste em levar o evangelho todo para o homem todo, convocando pessoas (unidade corpo-espírito) para que se integrem e participem do reino de Deus desde já, rendendo todas as áreas e dimensões da existência humana à autoridade de Jesus. KIVITZ, E. R. Disponível em Acesso em: 15 nov. 2010

[12] KIVITZ, E. R. In: MISSÃO integral: proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo. Ultimato: Viçosa, 2004. p. 64-65.

Os editores

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Salvação: Expiação, Liberdade e Cura

Por Fernando Albano

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes” (Rm 5.1-2ª)

Aceite ser AceiA Bíblia ensina que Deus se tornou homem. Isso significa que não estamos sós. Alguém se ocupa de nós e vence o mal e pecado, reparando o dano causado ao relacionamento entre a humanidade e Deus. O ser humano é salvo de suas cadeias e curado daquilo que o aflige e o afasta de Deus. Portanto, a morte e a ressurreição de Jesus dá ao cristão uma nova vida, isto é, uma vida eterna.

a. – Expiação

Expiar significa cobrir o pecado. Deste modo, remover o obstáculo à comunhão com Deus. Foi exatamente isto que Jesus realizou na cruz. O cristianismo ensina que o Jesus inocente assumiu para si a culpa de toda a humanidade e sofreu a punição que caberia ao ser humano. Ele padece e morre no lugar do pecador. A teologia cristã denomina isso de sofrimento vicário, isto é, substitutivo. Por meio dele, Deus se reconcilia com a humanidade, e a comunhã do ser humano com Deus é restabelecido.

O apóstolo Paulo destaca que a expiação de Jesus é uma dádiva para a humanidade, embora esta não o merecesse (Ef 2.8-9). Aqui temos o conceito de graça, tão caro ao cristianismo. Deus nos aceita mediante a fé em Jesus, apesar de sermos inaceitáveis. Assim, nossa obra é simplesmente aceitar ser aceito. Geralmente as pessoas têm senso de reivindicação. Isto ocorre por pensarem que possuem méritos. Assim, onde houver méritos haverá reivindicação. Contudo, na salvação de Deus isto não se aplica, pois somos pecadores diante de Deus e, portanto, a base de nossa relação com Ele encontra-se na Sua graça. Definitivamente não há lugar para o mérito humano na salvação. Portanto, só os que são capazes de se deixar presentear. Somente estes são justificados por Deus porque aceitam ser aceitos, se permitem ser alvo do amor e do perdão de Deus.

b. – Salvação

A palavra utilizada no Novo Testamento para “salvo” é um verbo grego que significa “redimido”, “preservado”, “libertação” ou “curado”.

Uma ideia fundamental da teologia cristã é que o indivíduo não pode salvar a si mesmo. A salvação é concedida gratuitamente a pessoa se ela acreditar em Cristo e em sua expiação na cruz (Ef 2.8-9).

É somente por meio da fé em Jesus que o indivíduo pode ser salvo. Convém ressaltarmos que, é “por meio da fé” e não pela fé que somos salvos. Somos salvos pela graça de Deus. A fé serve de canal dessa graça salvadora. Caso contrário, a fé poderia ser compreendida como uma obra humana e, portanto, negaria o próprio conceito de graça conforme ensinada nas Escrituras.

A fé que salva não é assentimento intelectual a respeito de um conjunto de doutrinas, não é mera decisão da vontade em relação à Cristo e nem questão de pura emoção. Mas é aceitar ser aceito por Deus apesar de ser inaceitável. É confiança numa pessoa _ Cristo. É ser livre para viver a liberdade e ser unido a Cristo, a fim de viver em Deus e Deus nele, enfim, receber o perdão e passar a viver em comunhão com Deus, consigo e com o próximo.

c. - Salvação _ do quê?

Do que o ser humano precisa ser salvo? A Bíblia ensina que a salvação significa basicamente se libertar do poder do pecado que domina as pessoas. Para Aulén pecado é tudo o que interrompe e quebra a comunhão com Deus. Sendo a essência do pecado a descrença. Grudem afirma que: “pecado é deixar de se conformar à lei moral de Deus, seja em ato, seja em atitude, seja de natureza”. Elienai Cabral escreveu: “O pecado é, de fato, uma ativa oposição a Deus, uma transgressão das suas leis, que o homem, por escolha própria (livre), resolveu cometer conforme relata a Bíblia”.

A angústia, vazio e ansiedade, que facilmente pode ser constatado em nossos dias, frequentemente são sintomas de indivíduos e sociedades dominadas pelo pecado. Precisamos urgente de salvação. Mas graças a Deus que: “[...] onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5.20-21). Logo, a última palavra não precisa ser necessariamente do pecado, pois há graça, perdão e cura por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor.

d. – Salvação _ para quê?

Outra palavra para “salvação” é liberdade. “Se, pois, o Filho vos libertar, sereis, realmente, livres”, disse Jesus (Jo 8.36). “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, escreve Paulo aos Gálatas (Gl 5.1; cf. Rm 8.2).

É um conceito bíblico que a vida nesta terra tem valor intrínseco. Não somos salvos para fugir deste mundo, pelo contrário somos salvos para poder usufruir dele de modo legítimo, recebendo todas as coisas como dádivas do amor de Deus. Isto posto, a morte é vista como algo negativo. Algo que ofende a vida, por isso Paulo disse que a morte é o “último inimigo”. E é a vitória de Jesus sobre a morte, com sua ressurreição, que fundamenta a esperança na vida eterna.

A Esperança Cristã

Os ensinamentos do Evangelho deixam claro que o Reino de Deus e sua salvação não consistem unicamente no livramento individual, como comumente se pensa. A esperança cristã tem um aspecto comunitário. Em outras palavras, seu objetivo é a criação de um novo mundo, uma era de paz, justiça e fraternidade universais. De fato, a esperança cristã abrange ainda uma dimensão cósmica: haverá “um novo céu e uma nova terra”. Para os salvos, não haverá apenas o céu, mas todas as coisas e o próprio Deus será tudo em todos.

Mas infelizmente, nem todos serão salvos. Não porque Deus não queira salvar toda a humanidade, mas porque muitos permanecerão em pecado, recusando-se a confiar no Filho de Deus. Na realidade podemos afirmar que o julgamento se baseará na resposta do coração humano ao Cristo crucificado (Lc 23.39-43). O ser humano não pode merecer a salvação por causa de suas boas ações. Assim, somente pode ser salvo gratuitamente por Jesus. “Em verdade, em verdade, vos digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não vem o julgamento, mas passou da morte à vida” (Jo 5.24).

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Profundidade em poucas palavras

“Os justos carregam sua natureza carnal, os injustos são carregados por ela.” (Agostinho)

“Sei porque a igreja tem pouca influência no mundo atualmente: é porque o mundo tem muita influência na igreja.” (C.H. Spurgeon)
“Ser um cristão sem orar é tão possível quanto viver sem respirar.” (Lutero)

“Deus promete pra você vitória, não ausência de lutas. Deus promete pra você chegada certa, não caminhada fácil.“ (Hernandes Dias Lopes)

“É possível ser muito ativo no serviço de Cristo e ainda esquecer de amá-lo.” (P.T. Forsyth)

“O Espírito não é dado para tornar desnecessário o estudo da Bíblia, mas para torná-lo eficiente.” (J.I. Packer)

“Nunca me canso de dizer que aquilo de que a Igreja mais necessita não é organizar campanhas de evangelização, a fim de atrair as pessoas que ainda estão do lado de fora, mas começar, ela mesma, a viver a vida cristã.” (Martyn Lloyd-Jones)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Reforma: 493 anos de Mudança

Ouça o primeiro PodCast da série: Reforma: 493 anos de Mudança

Companheiro de Viagem

Hoje, dia 29 de outubro, comemora-se o dia nacional do livro. Comemoração que nasceu em 1810, quando a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro foi criada. A idéia em dar esse dia “ao livro” nasce no afã de despertar o desejo pela leitura nas pessoas.

Creio ser de grande valia esse incentivo, pois segundo o caderno Anexo do jornal AN , uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-livro mostrou que 77% dos cinco mil entrevistados preferem ver TV no tempo livre, sendo que o livro é a quinta opção para os momentos de ócio. Uma pena!

Aqueles que estão no poder, são beneficiados com a “burrice” generalizada, são gratos àqueles que sentam na frente da TV se deixam alienar. Não estou generalizando, até existe coisa boa na TV, mas dá para contar nos dedos da mão (do Adoni-Bezeque Jz 1:4-7) e confesso, já assisti a programas que me levaram a concordar com os “ermãos” mais tradicionais, quando afirmam que a TV é do diabo.

Na igreja isso também acontece, pois quanto mais inculta a membresia, mais poder a liderança tem, pois informação é poder! Tanto que quem critica ou simplesmente tem outra opinião, é chamado de crente frio, eu sei bem o que é isso... mas isso são outros quinhentos...

Eu escrevi o livro Rascunhos da Alma por acreditar no poder que um livro na transformação do indivíduo, como disse o poeta: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Mário Quintana

Vamos ler, vamos pensar. Vamos aumentar nosso vocabulário, aumentar nosso poder de imaginação e criatividade. Vamos tornar um livro nosso companheiro de viagem, e eu falo não só da viagem do trabalho/escola/academia para casa, mas da viagem da vida.

Termino esse texto com a carta de John Wesley a John Trembath em 17/08/1760.
“O que tem prejudicado a sua vida no passado e lamento dizer, até hoje, é a sua negligência quanto à leitura. Negligência tal que por sua vez chega a prejudicar até o próprio desejo de ler. Dificilmente me recordo de um pregador que leia tão pouco. Eis a razão porque seu talento em pregar não aumenta. Você continua pregando como pregava há sete anos; com emoção, porém sem profundidade. Falta variedade e conteúdo.

A leitura poderá preencher estas lacunas com meditação e oração diária. Você prejudica a si mesmo em omitir tal prática. Desprezo à leitura impede alguém de ser um pregador maduro. Até para ser um cristão íntegro é mister a leitura adequada. Oxalá que começasse logo!

Separe uma parte do dia para este exercício. Assim adquirirá o sabor por aquilo que faltava; o que parece monótono no início se tornará com o tempo um prazer. Com ou sem disposição leia e ore diariamente. É para a sua própria vida; não existe outro caminho.

Faltando isso será para sempre um pregador superficial.”

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

MEU DEUS, POR QUÊ?

Por Fernando Albano*

“Deus meu, Deus meu por que me abandonaste?”. Estas palavras foram proferidas por Jesus Cristo na cruz. Brado de dor e desamparo que num primeiro momento obteve o silêncio como resposta. Essa pergunta que Jesus fez ainda é feita regularmente em nossos dias. Certamente muitos se debatem com esta questão: a dor que não recebe explicação. Sentimentos de abandono que se instalam no coração e parecem vir marcados pela vocação da perpetuidade. São sentimentos teimosos! Recusam-se a ir embora, querem ser nossos companheiros!

O abandono é uma experiência de dor que todos nós em algum momento da vida já experimentamos na pele. Mas esta dor atinge níveis elevadíssimos quanto nos sentimos desamparado pelo próprio Deus. Assim, quem nunca perguntou a Deus: “Por quê?”. Quem nunca se sentiu abandonado por Deus? Até Jesus sentiu-se assim quando a morte aproximava-se.

Jesus amava a vida e como tal demonstrou pavor diante da morte. Quem ama viver não pode sentir-se bem quando a morte se avizinha. Mas o relato do Evangelho não termina deste modo, a saber com a apresentação de um Cristo abandonado em dor. Antes, ele ora corajosamente e diz em oração: “Em tuas mãos entrego o meu espírito”. Esta é a atitude apropriada no dia mau, da dor e tribulação: entregar, sim entregar nas mãos de Deus o destino de nossa vida. É nas mãos de Deus que nossa existência deve estar, mesmo que não vejamos num primeiro momento qualquer mudança em nossa situação de crise.

Jesus assim faz, entrega a sua vida e finalmente morre. Deste modo, aparentemente jaz derrotado na cruz, sucumbido ante os poderes da morte e do mal. Mas a história de Jesus Cristo não termina desse modo trágico. Sim, porque há ressurreição, há vida. Enfim, o abandono dá lugar ao acolhimento, a derrota dá lugar à vitória. Jesus Cristo ressuscita! Triunfa sobre a morte e todos os poderes do mal e, finalmente assenta-se junto à direita do Pai. Diante disto você pode indagar: “Ok, tudo bem, isso é bonito, mas e minha vida?! Minhas lutas e tribulações?” Calma! Hoje, você se sente abandonado porque está vivendo a sexta feira da paixão existencial, ou seja, momento de abandono e silêncio divino, porém, o dia da páscoa virá, haverá ressurreição, sua vida mudará! Ainda mais: não desista de clamar, mesmo que tenha obtido como resposta o silêncio divino, pois como disse Paulo, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. No final vai dar certo! Não morrerás! Haverá vida e vitória. Portanto, entrega sua vida e confia em Deus, mesmo em meio ao silêncio divino e sob a ameaça da morte; se você assim fizer e puder dizer a Deus confiantemente, “Deus meu” e aquietar em Sua mão, certamente você será surpreendido pelo poder da ressurreição que a todos vivifica e abençoa. Repito: Não é o fim! Pois Deus não o abandonou e garante a possibilidade de um novo começo! Creia e experimente a vida que triunfa sobre a morte e mal.

* Fernando Albano é Presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Joinville/SC. Graduado em Ciência da Religião: Licenciatura Plena em Ensino Religioso – UNIVILLE. Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST). Professor no Centro Evangélico de Educação e Cultura - CEEDUC e Professor de Ensino Religioso na Escola Municipal Paul Harris em Joinville/SC.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Somente Cristo

Prezados leitores, mais uma vez peço perdão pela demora em atualizar o blog, mas a vida de casado e em fase de TCC, o ócio está escasso, e pra piorar, quando sobra um tempinho, as muitas séries da TV americana me roubam à atenção.
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Nesse mês, o podcast dos formulados não poderia trabalhar outro tema se não o da Reforma Protestante.  Depois de fazermos uma pequena introdução, começamos a abordar os pilares da teologia de Lutero: Somente Cristo; Somente a Fé; Somente a Escritura e Somente a Graça. Semana passada abordamos o primeiro pilar, e apesar de óbvio, foi muito proveitoso rever alguns pontos, que compartilho em breves palavras a seguir.

Lutero não planejou uma revolução, como professor de exegese bíblica ele só queria entender a salvação da humanidade. A pergunta: como o ser humano é salvo, o levou até o Cristo das Escrituras, diferente daquele “oferecido” pela igreja de então. O acesso a Cristo na época de Lutero era extremamente “burocratizado” sendo os ritos/sacramentos central na piedade dos fiéis.

Com a declaração Somente Cristo, Lutero quis colocar Cristo no centro da existência humana. O ser humano na busca pelo Pai só o encontra em Cristo. Todas as perguntas acera de salvação e relacionamento entre o divino e o humano se resolvem no Cristo.
Em Jesus Cristo, mediante a sua pessoa, atividade e história, Deus tem aberto seu coração à nós. Assim, Ele nos deu a certeza do que sente a nosso respeito e sua intenção para conosco. CRISTO É O ESPELHO DO CORAÇÃO PATERNO DE DEUS. Podemos dizer sem titubear: Deus é por nós, Deus quer nos Salvar.

Tudo parece óbvio para nós hoje em dia, mas não era para aquela época, em que a salvação estava ancorada nas tradições e não na Escritura/Cristo. As pessoas viviam a tensão céu/inferno e toda piedade era movida pelo medo de ir para o inferno e não por amor e devoção a Deus. Fazendo essa observação percebo que muitas pessoas ainda vivem nesse mesmo esquema.
No meio pentecostal se pergunta muito pela certeza da salvação. E é incrível como muitos não respondem de pronto. Depois de conversar com muitos irmãos e irmãs, cheguei a conclusão que essa incerteza se dá pelo fato da ausência da centralidade de Cristo. Quando alguém titubeia diante dessa pergunta, é porque a concepção de salvação ainda é meritocrática. Fica claro que não é Cristo que está no centro, mas a piedade.

Alguns colocam a piedade no centro (sou salvo porque oro, jejuo, blá blá), outros o ministério (sou salvo porque sou um obreiro/a aprovado), enfim, existem muitos amuletos que tiram Cristo do centro. Por isso, se faz necessário colocarmos CRISTO no centro e sempre de novo reconhecermos que Somente Cristo Salva e que nossa justiça não passa de absorvente (Is 64.6).
Nesta sexta, 15/10/2010, abordaremos o segundo pilar, Somente a Fé, ouça ao vivo nosso podcast na rádio 107,5FM (quem está fora de Joinville pode acessar www.1075fm.com.br) as 23h. Esse podcast estará disponível para download no portal www.formulados.com.br.

Para elaboração desse texto usei o livro A Teologia de Martinho Lutero, de Paul Althaus, editora da Ulbra, 2008.

SOMENTE CRISTO (Solus Christus)

Lutero resgata o ensino bíblico da centralidade de Cristo, como único fundamento da nossa fé e da nossa salvação. Somente Cristo salva, somente Cristo perdoa, somente Cristo nos conduz à comunhão com Deus. O ser humano não tem forças, nem recursos para salvar a si mesmo, por meio de suas obras ou méritos pessoais. Por si só o ser humano é escravo da corrupção e da perdição. Jesus Cristo, por causa da sua obra realizada na cruz é o único que pode resgatar o ser humano do mal e do pecado no qual se encontra. Lutero coloca no centro da fé somente o Cristo e a cruz e tira do ser humano todo poder ou pretensão de fazer a salvação passar por imagens, santos, promessas ou obras meritórias.
Quanto a isso o reformador nada inventou. Apenas chamou atenção para aquilo que sempre esteve registrado nas Sagradas Escrituras. Quero lembrar apenas uma passagem que aponta para esta centralidade de Cristo como fundamento da nossa fé. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4.12).

Disponível em http://www.luteranos.com.br/articles/9353/1/Os-pilares-da-Reforma/1.html

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Meu nome não é Lúcifer.

Satanás vive dando entrevistas nas igrejas[1] por aí. Penso que uma das coisas que ele deveria falar é: Parem de me chamar de Lúcifer! Se bem que para o “peludo”[2], quanto mais ignorante o povo for a seu respeito, melhor, como bem frisa CS Lewis em seu magnífico livro[3] Cartas de um diabo ao seu aprendiz (Martins Fontes).

Na mente evangélica é automático associar o nome Lúcifer à Satanás, isso é aceito como verdade inquestionável. Porém, nem sempre foi assim na história da igreja. Até o século IV um bispo cristão ainda podia chamar-se São Lúcifer e seus seguidores de luciferianos. Somente quando alguns Pais da Igreja começaram a interpretar Is 14.12 como sendo o relato da queda de Satanás, que essa associação aconteceu e Lúcifer passou a ser nome do diabo.[4]

A palavra lúcifer foi introduzida no texto de Is 14.12, por ser a tradução latina da palavra hebraica hêlel, que significa “portador da luz” ou “estrela da manhã”. Era o nome latino para o planeta Vênus, o objeto mais brilhante no céu depois do sol e da lua, que algumas vezes aparece de noite, outras vezes pela manhã.[5]

O texto de Is 14 em seu contexto, em nenhum momento sugere a queda de um ser angelical. É explicitamente um oráculo contra o rei da Babilônia (v. 4), um ser humano que queria ser igual a Deus.[6] O título dado ao rei, Estrela d`alva, ou estrela da manhã, é de ascendência mítica em literaturas antigas, e “aplicado ao rei de Babilônia equivale a título divino”.[7] Título aplicado de forma pejorativa, pois o rei babilônico, com sua glória e pomposidade, se considerava entre os deuses.[8] Mas a profecia coloca o rei em seu devido lugar a partir do versículo 15. Leia o texto, vai ajudar a entender melhor a reflexão, clique aqui.

Oropeza afirma: “O rei da Babilônia, não Satanás, está em foco, porque ‘subjuga as nações’ (Is 14.12). É difícil ver como Satanás poderia subjugar nações inteiras em sua queda original, quando elas ainda nem existiam”.[9]

O fato é que, não se encontra amparo nem no Novo Testamento nem nos escritos dos pais apostólicos[10] nenhuma afirmação de que Satanás uma vez foi um belo anjo chamado Lúcifer. Como já dissemos acima, foi a partir do séc. III, com Orígenes, que essa associação começou e nunca parou. Contudo, uma exegese honesta com o texto bíblico não pode cometer esse erro. Dizer que Lúcifer é Satanás é ser arbitrário na escolha dos versículos. É ler o texto isolado de seu contexto, acreditando que ele contém uma verdade escondida, mais espiritual. É querer fazer o texto falar algo que ele não quer falar! Não é dessa forma que se lê e interpreta a Bíblia. Eu não posso escolher dois ou três versículos bíblicos, isola-los e dizer que eles querem dizer tal coisa.

O texto de Is 14 sempre é comparado com Ez 28:11-19. Não iremos entrar em detalhes agora, mas os mesmos princípios aplicados em Isaías servem para Ezequiel. Só deixo de tira gosto o v. 2 do cap. 28 “"Filho do homem, diga ao governante de Tiro: Assim diz o Soberano, o Senhor: "No orgulho do seu coração você diz: 'Sou um deus; sento-me no trono de um deus no coração dos mares'. Mas você é um homem, e não um deus, embora se considere tão sábio quanto Deus”.

Podem perguntar: “se esses textos bíblicos não falam da queda de Satanás, onde fala?” A bíblia não relata com clareza a queda de Satanás, pois ele não é seu foco, assim como os anjos, é assunto marginal. Calvino afirma: “Murmuram alguns por que a Escritura não expõe, sistematicamente e distintamente, em muitas passagens, essa queda e sua causa, modo, tempo e natureza. Mas uma vez que essas coisas nada têm a ver conosco, lhe pareceu melhor, ou não dizer absolutamente nada, ou que fossem apenas tocadas de leve, pois não foi digno do Espírito Santo alimentar-nos a curiosidade com histórias fúteis, destituídas de proveito. E vemos ter sido este o propósito do Senhor: nada ensinar em seus sagrados oráculos que não aprendêssemos para nossa edificação”. As Institutas I 14.16.

Só enfatizo que com esse texto não estou negando a existência ou queda de Satanás, estou apenas dizendo que não temos amparo exegético seguro para chama-lo de Lúcifer. Satanás tem muitos nomes, mas não Lúcifer. Aliás, se tem alguém na bíblia, digno de receber esse nome, é o próprio Cristo, ele sim, é a verdadeira Estrela da Manhã (Ap. 22.16).[11]

Ficou claro? Caso não, use os comentários para postar a sua dúvida. Vamos caminhar juntos!

Rodrigo "Bibo" de Aquino é autor do livro Rascunhos da Alma e faz o podcast do portal http://www.formulados.com.br/
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[1] As entrevistas com o demônio começaram no Brasil, com intensidade, a partir da década de sessenta com a Igreja Deus é Amor e ganhou força nacional com as igrejas neopentecostais (pseudo-pentecostais para alguns teóricos como Robinson Cavalcante).
[2] A palavra hebraica seirim é traduzida em algumas versões (como a NVI) como “ídolos bodes”. Na tradição hebraica os seirim eram chamados “peludos”, uma referência a espíritos malignos.
[3] Algum livro do Lewis não é magnífico?
[4] CROSS, F. L.; LIVINGSTONE, E. A. (org) In: OROPEZA, B. J. 99 perguntas sobre anjos, demônios e batalha espiritual. São Paulo: Mundo Cristão, 2000. p. 85.
[5] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.
[6] Algo bem típico da raça humana desde Adão!
[7] SCHÖKEL, L. A.; SICRE DIAZ, J. L. Profetas I Isaías – Jeremias. São Paulo: Paulus, 1988. p. 181.
[8] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.
[9] OROPEZA, B. J. 99 perguntas sobre anjos, demônios e batalha espiritual. São Paulo: Mundo Cristão, 2000. p. 85.
[10] Homens que preservaram a doutrina dos apóstolos no segundo século da era cristã.
[11] D.H.W. Lúcifer In: DOUGLAS, J.D. (org) Novo dicionário da bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 967.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Teologia da Cruz

Por Fernando Albano

No Evangelho de Marcos observamos uma verdadeira teologia da cruz. Há uma notável identificação de Deus com a fraqueza e miséria humana. O Messias é alguém que sofre na cruz (Mc 9.9-10; 15.39), portanto, é um servo sofredor; algo paradoxal para a figura do Messias triunfante e poderoso conforme entendida pelo Judaísmo da época (Is 53.1-7). Nesse sentido, a teologia da cruz em Marcos fundamenta-se na identificação divina com o sofrimento humano. O amor e a justiça de Deus conduzem Jesus à cruz. É na cruz que ocorre a maior revelação de Deus: o pecado é apresentado como algo terrível que resultou na morte do Filho e, além, disso ficou comprovado o amor de Deus. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.8).

Em tempos de confusão doutrinária e igrejas-empresas, comprometidas com a conhecida “Teologia da Prosperidade”, parece-nos salutar atentar para a realidade dura e crua, como Marcos nos apresenta a revelação de Deus. Deus não se revela plenamente por intermédio de bênção e milagres, mas sim na terrível cruz.

Vale considerar que, se o Filho de Deus obteve fim tão trágico, ainda que tenha sido por nossos pecados, o que não poderá suceder aos seus discípulos? “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará” (Mc 8.34-35).

Marcos enfatiza a morte de Jesus em boa parte de seu evangelho. Mais ou menos um quinto do seu conteúdo é dedicado à morte e ressurreição de Cristo (1). Marcos não deixa dúvidas de que a cruz é central em seu livro. E, como vimos esta morte de Jesus tem implicações para o discipulado cristão, especialmente no que tange a morte do nosso ego. Contudo, não foi apenas para se identificar conosco e nos dar exemplo, que Cristo assumiu a condição humana e morreu, mas principalmente para expiar (2) a nossa culpa. De acordo com Marcos, o pecado da humanidade foi o principal motivo da morte e ressurreição de Jesus Cristo (Mc 8.31; 14.31).

A morte de Jesus não ocorreu apenas por que ele atacou as estruturas religiosas da época; por que em sua vida demonstrou aspectos revolucionários que teriam motivado o desfavor do império romano, resultando em sua condenação à morte. Estes aspectos, apesar de serem verdadeiros não constituem o motivo central da morte de Jesus. Acima de tudo sua paixão cumpre com o desígnio redentor de Deus. Sua morte tem efeito vicário, isto é, Cristo morreu em lugar do pecador, segundo o desígnio de Deus.

Infelizmente, há teólogos que negam a necessidade da morte de Jesus para a efetivação da reconciliação. Ensinam que Jesus não teve que morrer para que Deus pudesse perdoar os homens. Deste modo, minimizam o conceito de “ira de Deus”, claramente exarado nas Escrituras (Rm 1.18; Mt 23.33; Jd 14,15).

Para Marcos a morte de Jesus não era comum. No Calvário aconteceu algo significativo para a humanidade. Além de Jesus morrer em lugar do ser humano pecador, sua morte tem um caráter de resgate: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (10.45). Segundo Morris:

Resgate era o termo relacionado com o preço pago para libertar um prisioneiro de guerra, um escravo ou alguém sentenciado à morte. Ele não diz do que está libertando as pessoas, mas, no contexto deste evangelho, claramente se trata de liberdade do pecado e de uma vida pecaminosa. Essa liberdade não vem de modo fácil ou automático. Ela tem um preço, e Jesus pagou esse preço. (3)

De acordo com o evangelista, este resgate está intimamente ligado ao ato de Jesus beber do “cálice”, que representa o sofrimento da punição retributiva (14.36). Isto de conformidade à vontade de Deus. Na última ceia, Jesus deixou bem claro, que o pão e o cálice representam o seu corpo e sangue que seria “derramado em favor de muitos” (12.22-24) (4). Deste modo, parece irrefutável que Marcos defende a ideia de que a morte de Jesus não foi algo acidental, mas realização do propósito de Deus e, que o próprio Jesus estava consciente disto. Convém destacar que Paulo, o primeiro teólogo da Igreja primitiva já defendia tais conceitos (1 Co 15.3-4) (5). Definitivamente Jesus pagou o preço do resgate da humanidade, e, isso faz parte do propósito de Deus. (6)

Para a Igreja primitiva, a interpretação da cruz como fazendo parte do projeto de Deus foi de fundamental importância para acreditar em Jesus ressuscitado. Não há dúvidas de que as comunidades cristãs entenderam a morte de Jesus na cruz como mediação para reconciliar a humanidade com Deus (Rm 5.6,10; 14,15; 1 Co 8.11; 2 Co 5.18-19), libertando-nos da lei (Gl 3.13). A teologia de Marcos vai nesta direção, de tal modo, que pode perfeitamente ser denominada de “teologia da cruz”.

Isto posto, hoje, as igrejas comprometidas com a Bíblia devem alçar a bandeira da “teologia da cruz”, e seguir pregando o Evangelho que cura, liberta, abençoa, mas que também chama para a renúncia, morte do ego, enfim para a cruz.
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1 - MORRIS, Leon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2003. p. 117.
2 - Expiação em sentido religioso, como era compreendida em todo o mundo antigo, pressupõe que o mundo está sujeito a uma ordem cuja não observância é castigada pelos poderes supra-mundanos. Somente a expiação, portanto, pode romper uma reação em cadeia de pecado e desgraça.GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento. 3. ed. São Paulo: Teológica, 2003. p. 210.
3 - MORRIS, 2003, p. 132-33.
4 - Vale ressaltar que, as comunidades cristãs conheciam muito bem a ceia. Deste modo, o evangelista Marcos ao realçar a relação da ceia com o salvador, contribui para livrar o rito cristão de ser compreendido como mera mecânica litúrgica.
5 - Segundo especialistas, os escritos do apóstolo Paulo (anos 50 do século I) antecedem os Evangelhos. Cf. BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 58.
6 - A quem Jesus pagou o preço do resgate da humanidade? Alguns afirmam que Jesus pagou ao diabo. Mas esta interpretação é completamente equivocada, pois a humanidade pecou contra Deus, logo, a dívida diz respeito a Deus e não ao diabo. Portanto, Jesus quitou a nossa dívida junto à justiça divina (Cf. 1 Jo 4.10). Por outro lado, hesitamos em falar em pagamento de “resgate” a Deus Pai, porque não era ele que nos mantinha como escravos, mas sim nossos próprios pecados.
7 - GASS, Ildo Bohn. Uma introdução à Bíblia: as comunidades cristãs da primeira geração. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2005. p. 38-39.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Livro de Eli


Ontem, 9 de agosto de 2010, assisti ao filme O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), e gostei muito do que vi. O filme levou-me a refletir em questões importantes a respeito de um tal livro sagrado e seu papel na história da humanidade.

Na película acompanhamos Eli (Denzel Washington), uma homem que a 30 invernos caminha em direção ao Oeste carregando e protegendo um livro. O filme não entra em detalhes sobre o que aconteceu com a terra que está diante dos nossos olhos. O que vemos é um mundo pós-apocalíptico, destruído por uma guerra. Um mundo sem regras e sem lei. Eli viaja com o livro porque ouviu uma voz, que o orientou a rumar para onde o sol se põe. Eli é da paz, mas ai de quem se meter em seu caminho. E para gerar um pouco de boas cenas ação, alguns se metem. O vilão dessa história é Carnegie (Gary Oldman), o chefe de um vilarejo bem interessante, que há tempos caça um livro, que segundo a sua crença, possui palavras poderosas, que podem torná-lo um grande líder e dominador. Bem, não é difícil imaginar que o livro que o bandido quer é o livro que o mocinho tem.

O filme é bom, tem um final decente e você não fica com aquela sensação: Perdi 2 horas da minha vida. Vale a pena reunir a turma da igreja ou os amigos e curtir O Livro de Eli.

Abaixo, compartilho umas reflexões.
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SPOILER A FRENTE
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Não quero discutir se Eli era cego ou não, se era, caramba, o cara tinha uma mira fora do sério, o que pode ser fato, visto ele ser uma espécie de messias, pois carrega a palavra da salvação. Sem contar que sobrevive a um tiro a queima roupa, então era possível ser cego e fazer tudo aquilo, ou não.

O que me chamou a atenção é que nesse futuro caótico quase todas as Bíblias foram destruídas exceto a que Eli carrega e protege. Não sabemos se a Bíblia foi a causa dessa grande guerra, só sabemos que ela foi destruída porque suas palavras são poderosas e nela consta preciosas orientações para humanidade.

Destruir a Bíblia foi um meio de privar o povo do conhecimento da verdade. Verdade essa que pode ser usada com motivações erradas. O vilão do filme queria usá-la para legitimar a opressão sobre outros povos, tipo o Bush, ta lembrado?

É interessante perceber que essa história de ocultar a Bíblia do povo não é nova na história, aconteceu na Idade Média e está acontecendo em nossos dias. Só que vivemos o contrário do que é apresentado no filme. Hoje temos centenas de traduções, versões, modalidades, Bíblia da mulher que ora, da que não ora, de Genebra, de gengibre, etc. E mesmo com tudo isso, vive-se uma obscuridade bíblica incrível. A palavra de Deus está tão marginalizada em nossos cultos e vivência comunitária que parece não sentirmos falta dela. A substituímos por longos períodos de louvor, apelação para extorsão de ofertas e dízimos, políticos, esoterismos, etc, nesses momentos ela é até citada, porém, só serve para legitimar tais práticas, por isso, os textos citados ficam completamente fora do contexto, gerando o pretexto para tal atitude. Uma lástima!

Não preciso ficar falando da importância da Bíblia na vida da igreja. Só posso lembra-los que:
- pessoas perderam a própria vida protegendo-a;
- foi a maneira que Deus escolheu para preservar suas orientações;
- a genuína fé só vem por meio dela;
- vida cristã sem espiritualidade embasada na palavra não passa de fogo de palha;
- sem conhece-la, você engole qualquer baboseira que alguém diga e acha que aprendeu algo bíblico.

Enfim, vamos voltar um pouco mais nossa atenção para as Escrituras!

PS – o filme permite outros olhares, como por exemplo o compromisso que Eli tinha em proteger essa palavra e como a conhecia, tanto que a recitou toda no final do filme. Que tal você compartilhar sua impressão? Fique a vontade, os comentários são todos seus!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cristianismo e simbolismo

Por Fernando Albano

No cristianismo o símbolo mais conhecido é o crucifixo: símbolo da morte de Jesus Cristo em favor dos pecadores. Um bom exemplo da importância dos símbolos na religião, especialmente na cristandade é o catolicismo romano, cuja linguagem simbólica é bastante forte. Isto pode ser confirmado mediante o sacrário, vestes litúrgicas, velas, imagens de santos, arquitetura das igrejas, entre outros. No protestantismo histórico e pentecostalismo também há símbolos, todavia, de modo bem restrito. Muitas igrejas não possuem sequer o símbolo da cruz. Isto se deve a uma postura anti-católica presente no protestantismo. No afã de se afastar dos elementos católicos romanos muitos símbolos cristãos foram eliminados do seio protestante. Isto ocorreu já nos primórdios da Reforma.
Os protestantes e evangélicos, de um modo geral, tem fortes receios quanto à utilização de símbolos, pelo fato de muitos deles terem se tornado instrumento de idolatria, especialmente na Idade Média. Ou seja, tornaram-se importantes em si mesmos, principalmente para a fé popular, e, assim se corrompeu o símbolo que, deixou de apontar para algo ou alguma realidade fora dele mesmo. Todo símbolo que ganha valor em si mesmo torna-se objeto de idolatria.

Os símbolos cristãos desvendam algo da realidade; mas, em si mesmo, não são essa realidade. Nisto os protestantes, evangélicos têm muita razão. Contudo, não se pode negar que o ser humano é um ser que anseia pelo simbólico. Dreher afirma: “É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual”. Na verdade não há relação “pura” com Deus que não seja mediada por elementos concretos, pois apesar de nossa natureza espiritual, somos também materiais.

Devido a esta postura iconoclasta, se incorreu numa pobreza litúrgica e simbólica no segmento protestante. O homem encontra-se no vazio do espaço litúrgico, deste modo, deve olhar para dentro de si. Estabelece-se uma relação com seu interior. Nesta perspectiva: Deus está dentro da gente e basta prestar atenção em nosso coração.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cosmovisão Cristã

A palavra cosmovisão significa visão de mundo e em termos gerais quer dizer a forma, ou a “lente” com a qual enxergamos a realidade.*


Segundo Wolters, uma cosmovisão teria o papel de um guia para a vida, mesmo quando presente de forma inconsciente e desarticulada em uma pessoa. Funciona como um compasso ou um mapa, que nos orientaria quanto ao mundo em geral, dando-nos um sentido do que está certo e errado na confusão dos eventos e fenômenos que confrontamos, afetando a forma como acessamos os eventos da vida, assuntos e estruturas de nosso tempo e sociedade.*

Fica evidente a partir da definição de Wolters que todos nós temos uma visão de mundo, ninguém que vive em sociedade está imune a uma filosofia de vida. Cosmovisão pode ser entendido como uma filosofia ou conceito, adotado por um indivíduo ou grupo social, para nortear suas ações no mundo.

Para entendermos um pouco o poder de influência da sociedade sobre o indivíduo, podemos citar a preocupação de Deus em orientar o povo de Israel, para que fugisse das relações mistas e educasse seus filhos na lei do Senhor, a fim de não se contaminar com as práticas pagãs (Dt 6 -7). Também os cristãos são exortados a não se conformarem com o espírito deste século (Rm 12.1-2).

O espírito deste século é hostil a Deus e a sua palavra, por isso, se faz necessário falar em cosmovisão cristã, para que o povo de Deus saiba viver nesse mundo e não pereça por falta de conhecimento. Como dito acima, todos nós temos uma cosmovisão, contudo, muitos não sabem definir a sua, logo, são facilmente controlados por idéias que nunca chegam a conhecer. Isso é inadmissível para o cristão, pois ele precisa saber a razão de sua fé, precisa saber como Deus enxerga o mundo e que tipo de gente Ele quer como súditos de seu reino.

O ser humano pós-moderno vive inundado em cosmovisões, ele aceita todas que de alguma forma possa preencher e dar sentido a sua vida. Fato é que, mesmo nessa diversidade de visões e modos de viver, o homem moderno continua desorientado.
O mundo de hoje, nesse sentido, é bem parecido com o mundo do primeiro século da era cristã, ao qual chegou a mensagem do evangelho. Nas palavras de Ferreira em sua teologia sistemática:

[...] era um mundo pluralista, onde havia muitas cosmovisões em competição pelos corações das pessoas. Neste meio, a proclamação do evangelho de Jesus Cristo ofereceu um desafio total. E tal evangelho legou ao mundo antigo uma cosmovisão íntegra e coerente, adequada para lidar com todas as áreas da vida.

Sendo assim, fica evidente que a igreja como representante de Deus na terra, deve ter uma cosmovisão que preserve a vida em todas as suas dimensões. Por isso devemos nos perguntar se a nossa missão tem cumprido esse papel.
O assunto é muito amplo e não temos espaço para maiores explanações, mas cremos que isto ficou claro: é a comunidade de Jesus que tem a responsabilidade de viver diaconicamente!


este texto complementa estas reflexões: parte 1 e parte 2


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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 41. James Sire, escritor cristão, definiu cosmovisão como: “um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma narrativa ou como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos.” SIRE, J. Apud OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. Reflexões críticas sobre Weltanschauung In: Fides Reformata. São Paulo: Mackenzie, 1996. v. 3, n. 8. p. 34.



OLIVEIRA, Fabiano de Almeida. 1996. v. 3, n. 8. p. 37. Por isso os pais devem educar seus filhos no caminho do Senhor para prepará-los contra a enxurrada de cosmovisões contrárias ao evangelho. Isso quer dizer que se os pais não assumirem seu papel de “construtores sociais ativos”, introduzindo seus filhos neste mundo hostil a Deus e à sua palavra, certamente a sociedade secularizada o fará em sentido contrário.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PLENITUDE DOS TEMPOS


Acompanhe a série PLENITUDE DOS TEMPOS, clique na imagem, e ouça nosso PODCAST.

O programa Fórmula 3.16 vai ao ar toda sexta feira pela 107,5FM a meia noite, e 24h no site http://www.formulados.com.br/

terça-feira, 15 de junho de 2010

Rascunhos sobre liderança cristã

São fragmentos que escrevi há tempos para um informativo da igreja...
... peço desculpas pela demora em atualizar, vou casar e a correria é grande.
Ser Servo.

Ser líder é ser servo! Essa é uma verdade pouco praticada em nossos dias, pois muitas vezes, confunde-se liderança com autoritarismo, acham que liderar é mandar, delegar, mas a bíblia nos ensina a partir de Jesus Cristo, que o verdadeiro líder é “aquele que lava os pés de seus liderados” (Jo 13.12). Jesus mesmo sendo o mestre, o messias, dá uma bela lição não só aos discípulos de sua época, mas fala a nós hoje de maneira clara. O líder não é melhor do que seus liderados. Quando se tem essa consciência, o que vemos é uma equipe forte e coesa, pois ninguém quer ser melhor do que ninguém, todos querem ver o crescimento do reino de Deus. Quando o líder é narcisista, ele quer que todos saibam que é ele quem manda, que ele é “o bom”. Esse tipo de líder não sabe o que é ter autoridade divina, pois autoridade divina não se conquista com “cara feia” ou “voz grossa”, mas com humildade, oração e serviço. Que possamos ser líderes exemplares na humildade e no amor ensinando o caminho da verdade, sabedores que também somos dependentes para achar esse caminho. Que possamos colocar a “mão na massa” e junto com nossos liderados, construir uma mocidade melhor!
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Alegria em servir!

Devo cumprir meu chamado com alegria, caso contrário ele se torna um castigo de Deus (Brakemeier). Normalmente o que acontece é a empolgação no início, o cansaço no meio e o desânimo no final, isso é uma realidade, mas não é a palavra final, pois se cremos que Deus nos chamou, devemos crer que Ele nos sustenta e nos revigora. Não podemos negar que lidar com jovens é complicado, mas se tivermos sempre em mente de que fazemos a obra de Deus, isso com certeza facilitará o serviço, pois Deus cuida de sua obra. Nosso papel é buscar em Deus orientação e a partir de Deus liderar! Isso não dispensa de nossa parte preparo, pelo contrário, isso nos leva ao trabalho. Como líderes, devemos estar sempre atualizados e por dentro do mundo de nossos jovens, pois nossa pregação não pode ser alheia às necessidades deles.
A alegria deve permear nosso ministério. A alegria contagia (o desânimo também) e da forças pra continuar. Nós como líderes, devemos ser os primeiros a atender o chamado de Mt 11.28 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Isso não será vergonhoso, será um bálsamo pra alma e com certeza caminharemos convictos rumo a uma mocidade melhor.

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O aviso é sério!

Juízo! É isso que vemos na repreensão do profeta Oséias em seus primeiros capítulos. Ele fala sério aos líderes do povo. Sacerdotes corrompidos, reis impiedosos, ninguém escapa, todos condenados pela palavra do profeta. Qual a acusação? Idolatria, prostituição, abandono da Lei do Senhor. Deus não tinha exclusividade no culto e havia relação sexual na liturgia, em homenagem ao deus da fertilidade Baal (Os 4.16-5.7), ou seja, não havia clareza por parte da liderança, que abandonou os preceitos de Deus, logo, todo o povo sofrera com isso. Deus era juntamente adorado ao lado de Baal e o livro de Oséias é um esforço, em manter a primazia de Deus. Oséias vem na esteira do profeta Elias.
E o que Oséias tem a nos dizer hoje? Acredito que a mesma coisa (Os 5.1-7). Deus continua não tendo exclusividade em nosso meio, Baal só trocou de nome, hoje em dia ele se chama dinheiro,prestígio, orgulho, religiosidade.... a lista é grande.
Toda liderança que se afasta dos princípios do Senhor desvia não somente a própria vida, mas a de todo o rebanho. Isso ressalta a importância do líder como leitor e pesquisador das escrituras. A quem diga que os cursos de teologia surgiram porque a igreja deixou de ensinar a palavra de Deus, talvez!
Que nossas lideranças possam ouvir os profetas. Que se voltem para o Senhor com temor e tremor, que aprendam a aprender com seus liderados e deixem o próximo ser a “lixa de Deus” no ego inflado.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reflexões sobre O REINO



Seguem dois textos do prof. Valdinei Gandra, nosso convidado especial no primeiro capítulo da série O REINO, do podcast do www.formulados.com.br , se quiser ouvir, clique aqui!

Parábola do Bom Samaritano: religião e transgressão

A parábola do bom Samaritano é um daqueles trechos bíblicos que, devido sua extraordinária capacidade profética, ultrapassou a esfera religiosa para se tornar um patrimônio literário da humanidade.

Sua importância está na capacidade de superar dois mil anos de abismo cultural com uma mensagem que se enquadra perfeitamente em nossa realidade: a indiferença de alguns frente à solidariedade de um que, sem nenhum motivo aparente, presta assistência a um outro que fora espancado por alguns outros.

A mensagem torna-se chocante quando descobrimos que o espancado e os indiferentes participavam da mesma mesa religiosa – ideológica. Odiavam o que o Samaritano representava. Nem ao menos o cumprimentariam!

A dimensão religiosidade está presente na parábola. Todos os envolvidos na trama são monoteístas e defendem superioridade no relacionamento histórico com Deus.

Qual a diferença então? Transgressão, digo-vos novamente: transgressão!

A religião se comporta como um pai severo, que na tentativa de proteger seu filho o enquadra num confinamento “educacional” fundamentado no principio do “não toque”, “não ouse”, “não invente”, “não veja”, “não prove”, etc.

Seja indiferente, sugere-se nas entrelinhas. Toque, mas não “toque”. Ouse, mas não “ouse”. Invente, mas não “invente”. Veja, mas não “olhe”. Prove, mas não “prove”.

Se alguém desejar realmente romper com estas contradições invisíveis que nos aprisionam, outra vez vos digo: transgridam!

Transgressão neste contexto seria a implosão dos muros religiosos perversos, historicamente construídos para nossa “segurança”, que nos impedem de potencializar uma fé sensível, inovadora e criativa.

O samaritano transgressor viu e num gesto de ousadia aproximou-se para olhar e “olhando” sentiu a necessidade de tocar, “tocando” percebeu a gravidade dos ferimentos, “percebendo”, ousou na prestação do socorro: levantou-o e colocando sobre sua cavalgadura o conduziu para uma hospedaria, arcando com todos os custos do tratamento.

Em silêncio seguiu seu caminho. Se esta estória fosse verdadeira e não uma metáfora, certamente aquele homem teria provado a mais extraordinária experiência do ser – humano: sinalizar a presença do Reino de Deus.

I O que é o Reino de Deus?

Quando refletimos sobre o Reino de Deus é necessário destacar que o conceito não diz respeito à questão de soberania territorial de Deus, pois as escrituras do primeiro e segundo testamentos pressupõem que o domínio de Deus é cósmico. Sendo assim, a expressão deve ser compreendida como o Senhorio de Deus (vontade e intenções de Deus) internalizado nas pessoas que se renderam a ele por intermédio de Cristo na Cruz do calvário e que a partir desta rendição buscam imitar a Cristo: e isto é revolucionário!

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente sua cruz e siga-me”. Lc 9: 23/ Mt 16: 24/ Mc 8: 34

II Parábolas: as metáforas do Reino de Deus
A semente semeada pelo agricultor é a “Palavra do Reino”. Mt 13:19.
“O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo”. Mt 13: 24-30
“O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo”. Mt 13: 31 – 32
“E contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada”“. Mt 13: 33.
“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo”. Mt 13:44.
“O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou”. Mt 13: 45,46
“O Reino dos céus é ainda como uma rede que é lançada ao mar e apanha toda sorte de peixes”.

III Quais são as condições necessárias para fazer parte do Reino de Deus

Em conversa com Nicodemos Jesus disse:
“Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. Jo 3: 3.
No sermão da montanha: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus”. Mt 3:3.
Quando tentaram impedir que as crianças se aproximassem de Jesus, Ele afirma: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.
IV O Reino de Deus e a Igreja

Historicamente houve uma tentativa de entender a igreja como sendo o Reino de Deus e foi um desastre. Á igreja cabe a prerrogativa de representar o Reino de Deus. Evidentemente que esta representatividade está condicionada a sua rendição à vontade plena de Deus. Sinalizar o Reino de Deus deve ser a missão de uma comunidade dita cristã. Portando a igreja não é o reino e os seus obreiros não são sob nenhuma hipótese os nobres deste reino. Ao contrario a Igreja é agência do Reino e seus obreiros são os voluntários (servos) deste Reino na construção de um mundo mais justo.

V Os sinais do Reino de Deus

Em tese a comunidade é formada por pessoas que se renderam ao Senhorio de Deus em Cristo e que optaram em perseguir o objetivo de serem parecidas com Ele. Se isto é um fato, certamente alguns sinais evidenciarão esta presença histórica do Reino de Deus no mundo.
1. “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. Jo 13:35
2. Os que são sal da terra e luz do mundo (ação invisível, mas perceptível).
3. Os que têm fome e sede de Justiça
4. Os que praticam a misericórdia
5. Os mansos
6. Os que são perseguidos por causa da justiça
7. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Gl 5: 22-23
8. Atos 2: 42 -47/ Atos 4: 32 – 37
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Frases que edificam

“A suficiência dos meus méritos está em saber que meus méritos não são suficientes.” (Agostinho)

“Deus, envia-me para qualquer lugar, desde que vás comigo. Coloca qualquer carga sobre mim, desde que me carregues, e desata todos os laços de meu coração, menos o laço que prende o meu coração ao teu.” (David Livingstone)

“Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.” (Lutero)

“O problema não consiste em persuadir Deus a que nos encha do Espírito, mas em desejar a Deus o suficiente para permitir-Lhe que o faça.” (A.W. Tozer)

“Há duas grande razões por que não amamos o avivamento. Um, estamos
satisfeitos em viver sem ele. Dois, custa muito. Não queremos que Deus desfaça
nossa rotina.” (Leonard Ravenhill)


“Ser cristão significa perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você.” (C.S. Lewis)

“A Igreja é como esterco. Se você amontoa, exala um cheiro horrível por toda a vizinhança. Mas se você espalha, então ela fertiliza o mundo inteiro.” (Luis Palau)

recebi de Taline Schroeder!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Casa Caiu


A confissão do cantor Davi Silva (veja aqui) ao mesmo tempo em que surpreende, não causa impacto nenhum. Surpreende pela coragem em expor as armações do ministério, falar de cara limpa e admitir a culpa, sabendo que isso pode tirá-lo por um tempo do mercado gospel, mercado esse que só pensa em dinheiro, como qualquer outro. Ou não, pode aumentar a popularidade do grupo e render muitos cds e dvds vendidos, o tempo dirá. Na verdade surpreende porque não estamos acostumados com pessoas famosas admitindo erros assim, na lata!

Não causa impacto, pois sabemos que tem muita gente mentindo em nome de Deus. Tem muito pastor se dizendo ex-cientista da NASA, mas que não passa de fraude. Davi não foi e nem será o único a mentir testemunhos para gerar “poder” de Deus na congregação. Quando a pregação de alguém é focada em seus testemunhos e não na palavra de Deus, é inevitável que esse venha a ter que inventar histórias para ter sempre algo novo para pregar, afinal, é bem mais fácil inventar um testemunho do que estudar e perscrutar as profundezas da Escritura.

Quem sabe essa confissão do Davi Silva possa ser um leve sinal de avivamento, pois seria muito bom se esses “grandes” ministros e ministras do evangelho(?) criassem vergonha na cara e admitissem suas falcatruas e parassem de enganar o povo. E que o povo apreenda a não ir em qualquer embalo e pregação, que seja mais criterioso, mais bíblico, mais racional, pois é assim que o avivamento virá (Rm 12.1-2).

Eu nunca acompanhei o grupo do cantor Davi Silva, até mesmo porque desde que vi ele “desviando de anjos” não dei muito crédito a sua palavra. Mas sei de pessoas que foram ricamente abençoadas com suas canções e ministrações, então, oremos por ele e pelo ministério, para que encontrem o caminho de casa.

Ah, não esqueçamos de agradecer a Deus pelo pecado que ele cometeu, mentira e charlatismo, pois esse o povo perdoa, assim como desvio de dízimos e ofertas entre outras coisas, porque se fosse escândalo sexual, Davi nunca mais pisaria num púlpito, afinal, esse o povo não perdoa...

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Meu livro Rascunhos da Alma está na segunda edição. Está nas livrarias evangélicas de Joinville ou pelo site http://www.livrariarema.com.br/



segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Influência da Igreja Evangélica Brasileira


Segundo o sociólogo Rodolfo Amorim, as religiões históricas devem desempenhar duas funções básicas: a primeira seria apresentar a mensagem de salvação pessoal num relacionamento com Deus e a segunda seria fornecer uma lente para interpretarmos o mundo. De acordo com o sociólogo a igreja brasileira não tem respondido adequadamente a segunda função. Ela ficou restrita ao âmbito privado, ou seja, uma dimensão muito estreita da vida, e pior, aceitou essa condição cultural. Amorim diz:


Segundo essa proposta cultural, os cristãos poderiam viver e expressar sua fé apenas na esfera privada da vida, sem direito a voz ou participação concreta nas questões fundamentais de interesse público, como política, mídia, ciências e educação. *

Comumente ouvimos nas pregações que a igreja não foi feita para ficar entre quatro paredes, porém, no entendimento da maioria, sair das quatro paredes é fazer somente evangelismo, entregando um panfleto aqui, ajudando um missionário ali, etc. Pensar dessa maneira é não compreender a magnitude que é ser representante de Deus fora das paredes da igreja.

A Igreja de Cristo tem (deveria ter) uma cosmovisão distinta das demais instituições, pois ela enxerga o mundo com os olhos do Criador. Mas o que é cosmovisão? continua...

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SOUZA, Rodolfo A. C. de. In: LEITE, Cláudio A. C. (org) Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 40.

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