terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nem todo ócio é teológico...

Eu desejo a você querido leitor um 2010 de muitas descobertas e que os ócios sejam produtivos e somem ao Reino de Deus. A luta por um cristianismo mais bíblico continuará no próximo ano e eu conto com seus comentários para isso, afinal essa labuta é de todos que têm um compromisso com a Bíblia!

Obrigado pelo carinho e disposição de semanalmente acessar esse sítio e ler meus rascunhos, e por falar em rascunhos, a você que adquiriu meu livro, muito obrigado, espero que ele tenha somado à sua vida!

Voltaremos a escrever no blog a partir de Fev/2010, afinal ninguém é de ferro e nem todo ócio é teológico, até lá!

Um bom 2010!
Rodrigo de Aquino...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Avatar


Estado de embasbacamento! É nessa condição que estou após assistir ao filme Avatar, do visionário diretor, roteirista e produtor James Cameron. Um filme impressionante! Avatar já estava na mente do diretor há muitos anos (aprox. 14 anos) porém a tecnologia não estava a altura da sua imaginação, por isso, o projeto foi arquivado. Depois de assistir ao personagem Gollum no segundo filme da trilogia do anel, Cameron se convenceu de que seu projeto poderia sair do papel e se tornar um bom filme, nas palavras dele: “um filme que eu gostaria de ver”.

A história do filme não é nenhuma novidade, Jake Sully (Sam Worthington) é selecionado para participar do programa Avatar em Pandora, um planeta (lua?) distante rico em fauna e flora e unobtanuim, um metal valioso que atrai a atenção de uma mineradora da Terra. Pandora é também o lar dos Na´Vi, cuja cultura e existência é ameaçada pela expansão humana. Nesse cenário, Jake Sully, um fuzileiro naval paraplégico, chega para auxiliar uma equipe de cientistas, controlando a distância seu avatar: um corpo Na´Vi projetado para que ele possa se integrar à cultura local. Mas com os interesses crescentes no planeta e a impaciência militar, Jake terá que escolher o lado que tomará no inevitável conflito.

Mesmo com sua obviedade, o filme vale à pena, afinal você nunca viu Pandora, um lugar impressionante onde os seres vivos vivem em harmonia e de certa forma conectados fisicamente e espiritualmente. Cameron cria todo um eco sistema que surpreende nossos olhos com a perfeição dos detalhes. E não era para menos, pois ele criou tecnologia do zero para fazer essa beleza virtual ser tão real. O filme é mais da metade feito em computação gráfica, mas não parece, os Na´Vi são muito reais, aliás, tudo em Pandora é muito real, a ponto de nossos olhos não conseguirem discernir o que é e o que não é real.

Confesso que hoje 22/12/09, estou me sentindo enojado de ser homo sapiens, que na verdade tem se comportado como homo demens (L. Boff). Vendo a invasão e a exploração humana em Pandora é inevitável não pensar que isso aconteceu e acontece de fato e de verdade em nosso mundo capitalista selvagem. Onde os mais fortes subjugam os mais fracos. O filme é uma crítica a essa exploração em nome do progresso. E aqui eu penso, vendemos a alma pro diabo em troca do progresso. Destruímos o planeta, escravizamos semelhantes tudo em troca do “progresso”. Sinto-me enojado porque de certa forma faço parte dessa engrenagem suja. Pois sou um poluidor, consumidor e desfrutador de tudo o que o capitalismo me oferece e não sei como sair dessa, alguém sabe?

Pandora é uma espécie de Éden, onde todos vivem em harmonia. Foi assim que Deus planejou sua criação: a harmonia entre os seres vivos nesse planeta chamado Terra! Desviamos-nos desse propósito, mas Ele garantiu em sua palavra que essa harmonia voltará e tudo será como sempre devia ser. Mas é claro, isso não nos impede de lutarmos, aqui e agora, por um mundo melhor e harmônico.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Como Deus é chamado no NT?


Eu recebi a seguinte pergunta de um ouvinte, segue na íntegra:

“No AT o nome de Deus é escrito YHVH, de fato é o nome de Deus. João Ferreira de Almeida traduz (troca) a palavra por SENHOR enquanto a Tradução do Novo Mundo traduz a palavra por Jeová...Até aí tudo bem. Mas, no NT JFA continua usando o SENHOR e NM continua usando "Jeová", mas, sei que o tetragrama só é usado no AT, Deus é chamado de quê no Novo Testamento, qual é a palavra usada e qual seria a tradução que chega mais próximo?”


Muito boa a pergunta, vamos tentar uma resposta:

Deus no NT é chamado simplesmente de Deus (Theós gr.). Por quê? Na fé israelita primitiva não se negava a existência de outros deuses, por exemplo, o primeiro mandamento não nega, só conclama para a adoração exclusiva a Javé. Logo, aceitando a idéia de outros deuses, é necessário diferenciar e distinguir o Deus (El heb.) de Israel, Javé. No decorrer da sua compreensão acerca de Deus, Israel aniquilou a existência de outros deuses (Is 45 etc.). Bultmann diz que no monoteísmo judaico do tempo de Jesus “o nome próprio de Deus, Javé, se perdeu, pois ele só fazia sentido enquanto Deus aparecia como sujeito entre outros, sendo necessário diferenciá-lo dos demais por meio de um nome determinado”.[1]


Na tradução grega do AT, a Septuaginta (LXX) o tetragrama YHVH (Iahweh)[2] é traduzido por Kyrios (Senhor), por isso JFA traduz tanto o tetragrama do AT como Kyrios do NT com SENHOR. Mas tem algo importante nesse título Kyrios, pois ele é atribuído a Jesus Cristo no NT, logo, o nome de Deus na aliança do AT é ocupado pelo Cristo no NT. Como diz Ladd: “O Jesus exaltado ocupa o papel do próprio Deus no governo do mundo”.[3]

Algumas notas sobre o nome de Deus – Iahweh

Segundo a concepção antiga, o nome não constituía apenas som e fumaça, mas entre o nome e o seu portador subsistia uma mútua relação que denotava a sua característica natural, isto é, o nome contém uma expressão da natureza do seu portador ou, pelo menos, de algo do seu potencial inerente. Deus revela seu nome como um alento num momento de crise e desespero. Deus Revelou seu nome para Moisés num momento de extrema dificuldade.[4]


O nome de Deus, Iahweh, assemelha-se à expressão Eu sou em hebraico (Ex 3.14), ou seja, relaciona-se com o verbo hebraico “ser”, verbo que não significa simplesmente “existir”, mas antes “estar ativamente presente”, tem o sentido de uma presença relacional e atuante. Deus, dá a conhecer o seu nome ao povo, pretendendo lhes revelar seu caráter mais íntimo. Iahweh é o Deus ativamente presente entre o seu povo, nome revelado no momento em que o povo mais precisava (Ex 3; 33.19).


Então, a tradução mais próxima do sentido do nome de Deus não seria EU SOU O QUE SOU, mas EU ESTAREI PRESENTE QUANDO VOCÊS PRECISAREM, isto é, me transformarei naquilo que precisam! Pois “Ser” no AT. não significa um ser em si absoluto, mas antes, um “estar aí/presente/atuante” ou até um “revelar-se como auxiliador”. “Resumindo, a interpretação mais simples é [...] de acordo com Ex 3.14: ele ‘é/se mostra/atua’”[5]


Jesus Cristo identifica-se com o nome em Jo 8.59, Ele é o próprio Eu Sou encarnado! Deus vem ao encontro da humanidade em Cristo, se revelando e se mostrando atuante como nunca antes na história da salvação!


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[1] BULTMANN, R. Jesus. São Paulo: Teológica, 2005. p. 144.
[2] Jeová ou Javé, são a latinização de Iahweh, que é o tetragrama vocalizado (YHWH).
[3] LADD, G. E. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: 2003. p. 575.
[4] ALEXANDER, D. P. (org.) O mundo da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1985.
[5] SCHMIDT, Werner H. A fé do Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 104.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Venha Estudar Teologia no CEEDUC

"Não perca tempo, lembre-se que o tempo passa para aquele faz alguma e para aquele que nada faz, então, se queres se equipar para trabalhar no Reino de Deus, se sentes que suas mensagens já estão repetitivas e tão profundas quanto uma poça de àgua, se percebes que sua liderança está faltando embasamento bíblico, venha estudar teologia conosco! Temos certeza que desenvolverás espiritualidade e conhecimento a serviço da causa do Mestre."
Fone: 47 - 3466 0058

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

30 de Novembro - Dia do Teólogo


Parabéns a todos os teólogos que se esmeram em querer conhecer mais a palavra de Deus e as doutrinas cristãs ao longo da história. Que se preocupam com a correta conduta da Igreja e de alguma forma luta para que ela não se perca no caminho...

Parabéns pra você que não se deixa desanimar mesmo quando toda a liderança da igreja pula de alegria ao ouvir um pregador famoso distorcer algum evento do Antigo Testamento ou coisas do tipo, e tenta de alguma forma, mostrar o desvio sem parecer arrogante e dono da verdade...

Parabéns pra você que não se isolou num escritório, ou casa de campo, e de lá critica por criticar a igreja, mas que faz teologia a partir do povo e para o povo. Teologia que trabalha a serviço da comunidade mesmo quando a comunidade não reconheça a importância do seu trabalho, parabéns!
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A todos que enveredaram pelo caminho da teologia, meus parabéns. Que continuemos a servir a Igreja mesmo que para isso tenhamos que engolir alguns “sapos” para podermos continuar no meio dela, pois o teólogo não tem sentido sem a comunidade de fé; não tem sentido no isolamento doutrinário.

Instruções de Lutero para ser um bom teólogo, leia aqui!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Espada ou Curativo


Eu acabei de assistir a primeira temporada de Lost, produzida pelo nerd J. J. Abrams. Ok, eu sei que estou meio atrasado, mas em duas semanas eu chego ao final da quinta temporada…
Além de todos os mistérios que cercam as personagens perdidas na Ilha, chamou-me muito à atenção os flashbacks dos protagonistas que acompanhamos em cada episódio. Esses flashbacks além de nos revelar um pouco da vida de cada um, nos mostra o porque ele/a está agindo dessa maneira na Ilha, o porque reage dessa forma ao ouvir determinada frase ou conceito a seu respeito.

Geralmente, essas reações na Ilha são fruto de alguma palavra dura que ouviram de alguém que amavam ou consideravam importante: vemos a patricinha que ouviu que nunca faria nada importante na vida, o roqueiro viciado que nunca cuidaria de ninguém, etc. Cada flashback visa explicar essas atitudes na Ilha, e geralmente essas ações, são reações ao que ouviram ao longo da vida.

Fiquei pensando sobre o poder das palavras[1]. Veio-me a mente alguns versículos de Provérbios e o quanto nossas palavras podem levantar ou derrubar alguém num momento delicado da vida, ou numa discussão. Elas podem ser conforto ou cacetada.
Vejamos algumas declarações de Provérbios (NVI):

“A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios abriga a violência.” – 10.11;
“Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo,…” – 11.9;
“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura[2]” – 12.18;

Existem muitos outros versículos na Bíblia nos orientando a esse respeito, mas creio que esses de Provérbios já bastam para nos deixar bem claro, que nós, justos em Cristo, somos convidados a fazer de nossas palavras medicina para os que precisam e não espada que ofende e mata. Em nossos relacionamentos as palavras fazem toda a diferença, constroem ou destroem. E como diz o ditado: “palavra falada é como pedra atirada, não volta mais”.

Não posso esquecer-me de falar da palavra de perdão, ela não irá apagar a ofensa proferida, mas restituirá o relacionamento.
Que possamos usar as palavras para construir pontes e não abismos.
“Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” – 15.23.


Não esqueça de comprar o livro: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Leia um capítulo aqui.

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[1] Deixo bem claro que não penso em poder das palavras no sentido apresentado por Don Gossett em seu livro Há Poder em Suas Palavras.
[2] … mas a língua dos sábios é medicina – ARA.


PS - esse texto escrevi há dois meses atrás para o portal formulados.com.br, já estou em dia com Lost...

sábado, 14 de novembro de 2009

2012 - A Evangelização



Há dois anos criei o panfleto A Morte do Coringa, onde refletia sobre a morte do ator Heath Ledger. Esse panfleto foi entregue nos cinemas depois das exibições do filme O Cavaleiro das Trevas. Foi uma experiência interessante e acredito que deu resultados, imagino alguém regando e outro colhendo.
Agora eu escrevi o panfleto 2012, onde falo sobre o filme, as previsões maia do fim do mundo, enfim, tento gerar uma pequena reflexão. Esse não será entregue nas sessões de cinemas, quem sabe, mas em escolas, universidades, terminais de ônibus, etc.
Conto com as vossas orações para que mais uma vez esse projeto possa gerar uma reflexão e porque não uma metanóia...

agradeço ao amigo Elinéias Fabrício que fez a arte do panfleto.

PS - Se você quiser evangelizar com esse panfleto, entre em contato comigo no rodrigo@formulados.com.br que eu lhe mando o arquivo em cdr. ou em jpg. Vamos evangelizar, creio que entregar esse panfleto pode ser uma boa abordagem.

Segue o texto do panfleto...

Mais uma vez o diretor de cinema Roland Emmerich (O Dia Depois de Amanhã) acaba com o mundo. Em seu novo filme, 2012, o planeta é destruído por catástrofes naturais: como fissuras tectônicas, maremotos, erupções vulcânicas, etc. Com efeitos especiais de primeira, o filme cataclísmico mostra o desespero da humanidade tentando escapar da fúria da natureza.
Por que 2012? Cientistas têm afirmado que, em 2012, o planeta poderá ser alvo de tempestades solares nunca antes experimentadas, e isso causará grandes danos à humanidade. Mas o que intriga mesmo e tem despertado filmes, documentários, debates, etc, é que o calendário da antiga civilização Maia acaba em 21/12/2012 e sua cosmologia prevê o fim deste ciclo solar com tormentas solares, teoria ratificada por nossos cientistas contemporâneos.
Mesmo assim, não podemos afirmar que 2012 será o fim do mundo, pois essas profecias e teorias não possuem precisão, mas elas podem nos servir de aviso...

No verso

O aviso claro e evidente é que estamos destruindo a nossa própria casa e seja em 2012 ou em qualquer outra data, a natureza irá dar a sua resposta final a ação degradante do ser humano. Por isso, a preservação deve começar com pequenas atitudes, como: economizar água; reciclar o lixo (jogar lixo no lixo), descartar corretamente pilhas, baterias, óleo de cozinha, etc. São coisas simples que se todos nós praticarmos, poderá fazer alguma diferença no meio ambiente!
Porém, o aviso mais importante que vejo nisso tudo é que: o fim do mundo para mim ou para você pode ser a qualquer momento. Ninguém sabe o dia de sua morte! Nesses filmes catástrofes sempre tem um personagem tentando se reconciliar com alguém ou concertar algum erro do passado enquanto o mundo vai se acabando. Eu e você talvez não tenhamos essa chance, por isso, para manifestarmos amor e doarmos perdão não podemos esperar ou deixar para depois, temos que fazer agora, motivados por uma atitude nobre e corajosa da nossa parte, pois como diz a canção “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
E não podemos deixar para a última hora o nosso relacionamento com Deus, pois o bom relacionamento com ele é a base de todos os demais relacionamentos. Ele até pode nos salvar no último minuto, mas Ele não quer só os momentos finais da nossa vida, Ele quer construir uma história inteira conosco, e ela começa aqui, neste planeta. Não podemos fugir de Deus e de seu amor, pois fomos programados para Ele.
Não resista, entregue-se a Ele – quando? – hoje, pois amanhã poderá ser tarde...

Para saber mais, acesse www.formulados.com.br/2012 (o portal formulados existe, mas o /2012 será criado durante a semana!)
Por Rodrigo “Bibo” de Aquino
Autor do livro Rascunhos da Alma, Editora Refidim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sete Vidas


Ben Thomas (Will Smith) é um agente da receita federal que resolve ajudar sete pessoas. Ele as analisa, se percebe que a pessoa sonegou por que está em apuros, ele dá um tempinho extra para a pessoa se acertar com o leão do fisco, mas se percebe malandragem, a pena é dura. Conforme o filme cresce, descobrimos paulatinamente, em forma de flash`s do passado, o que atormenta Ben e o motiva a ajudar essas pessoas.

A vida de Ben muda quando ele conhece a frágil Emily (Rosario Dawson), encontro que vai resultar na sua maior redenção. Redenção, essa é a palavra do filme! Então prepare os lenços e deixe meleca escorrer!

Em relação ao desempenho de Will, não preciso falar nada, o cara já mostrou em Eu sou a Lenda (2007) que pode levar um filme sozinho nas costas, e aqui, em Sete Vidas, além de mandar bem pra caramba, como em Ali (2001) não domina sozinho, Rosário Dawson acompanha bem o ritmo do drama.

A partir de agora, só continue lendo se você já viu o filme, contém SPOILERS...

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Chegando perto do final do filme, descobrimos que Bem causou acidentalmente a morte de 7 pessoas, entre elas a sua amada esposa. Acompanhamos um cara perdido que de alguma forma encontra sentido ao ajudar as pessoas, e quando encontra uma mulher que vai morrer devido a problemas cardíacos, se mata para que ela tenha o seu coração. Se mata também para que um cego tenha seus olhos. A crítica caiu em cima de Will dizendo que nesse filme ele exagerou, que ele quer ser Deus e tals.

Também achei exagero, tudo bem que eu nunca perdi alguém que amo, nunca fiquei sem sentido na vida e essas deprês todas, mas percebi que mesmo ele fazendo o bem as pessoas, sua dor não era sanada, por isso, quis se matar, vida por vida, eu tirei vida, eu darei vida.

O suicídio nunca é a melhor saída, mesmo que seja para beneficiar a outrem. Tirar a própria vida é sinal de fraqueza e covardia, é fugir dos problemas e não encará-los. Sei que é muito fácil falar para quem nunca passou por grandes problemas emocionais, mas sei de pessoas que já passaram por barbáries e se levantaram, ou melhor, foram levantadas.

Tem situações que se o humano não se agarrar ao divino, ele se perde, ele se mata. A Bíblia nos dá vários exemplos (Jó/Davi/Jesus) de que o ser humano não pode sozinho. Somente um ser humano morreu e gerou de fato vida, Jesus, o homem-Deus, o resto, é loucura!


Sete Vidas (Seven Pouds) EUA, 2008 - 118min. Drama. Direção: Gabriele Muccino (A Procura da Felicidade). Elenco: Will Smith, Rosário Dawson, Woody Harrelson (caramba, lembram dele?) e Barry Peper.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Chegou!!!


"que meus rascunhos lhe ajudem a escrever a obra-prima de sua vida"


Este pequeno livro é o extrato das reflexões que escrevi no blog Ócio Teológico ao longo de um ano. Lá discorri sobre assuntos que envolvem a fé cristã, refleti sobre o jeito evangélico de ser, compartilhei as minhas dúvidas, ajudei e fui ajudado. A idéia de colocar parte disso no papel surgiu no afã de abençoar os que não têm acesso a internet e aos que ainda preferem o bom e velho livro, pois gostam de riscar, ler em locais diversos, presentear, etc.
O livro tem esse título porque acredito que minhas idéias, aquilo que sou e sinto, estão em constante mudança, em construção. Como sou inacabado, só posso apresentar rascunhos, nada definitivo! Rascunhos da Alma são partes de reflexões que desejo compartilhar com você, por isso, o livro não trata de um único assunto, mas de vários que visam um único objetivo: o despertar para uma espiritualidade saudável que responda em amor a ação graciosa de Deus. Escrevemos sobre oração, amor ao próximo, sinceridade, salvação, missão, arrependimento, etc.

Minha oração é que você seja orientado, edificado e abençoado.

Rodrigo,
Julho de 2009.
quem mora em Joinville encontra nas Lojas da Bíblia, CIA Gospel e Átrios (Pirabeiraba) e quem mora fora, pode comprar clicando no banner acima.

sábado, 17 de outubro de 2009

Lutero e a Escritura

Aproximando-nos de mais um aniversário da Reforma Protestante, nada mais oportuno do que ouvir alguns conselhos de Martim Lutero sobre a Escritura Sagrada:

“A proclamação dos apóstolos foi originalmente também uma palavra falada. Isso corresponde à natureza do Evangelho. Pois o Evangelho não é simplesmente a comunicação de uma verdade da qual alguém poderia tomar conhecimento pelo ler, mas ela é, antes de tudo, um chamado ao homem. Por essa razão, sua forma primária é a proclamação falada. [...] A Escritura tem sua fonte e existência por causa da proclamação oral. Ela surgiu nesse meio como algo que é necessário somente porque é uma ajuda indispensável na proclamação da palavra. A Escritura surgiu da proclamação verbal e está aí por causa dela. A palavra escrito tornou-se necessária por causa do perigo de a pregação descambar para heresias, se a norma da mensagem apostólica fosse esquecida, Por isso a cristandade necessitou a ‘Escritura’, o memorial permanente da pregação apostólica, em forma escrita. Isso torna as congregações mais independentes de seus pregadores. Pregadores podem cair, tornando-se pregadores falsos. Por isso, é necessário que a congregações não dependam absolutamente deles, mas tenham uma posição na qual possam criticar e corrigir seus pregadores. A Escritura possibilita isso”[1]

Que sonho uma comunidade assim. Comunidade conhecedora da palavra que pode auxiliar seus pregadores. Aqui Lutero não fala de crítica por crítica, mas de tarefa da comunidade de Cristo. Se o cenário religioso evangélico brasileiro está assim, é porque nossas comunidades não examinam mais as Escrituras, logo, balançam a cabeça e dizem amém para qualquer coisa que sai dos púlpitos. Uma pena, pois tem saído cada coisa...

Fica o recado...

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[1] Paul Althaus parafraseando Lutero. A Teologia de Martinho Lutero. Canoas: ULBRA, 2008. p. 88-89.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Caça as Bruxas


Quando eu estava, na antiga 5ª série, a professora de português fez um trabalho, onde os alunos teriam que procurar erros gramaticais em cartazes e placas de lojas, outdoors, cardápios, vitrines, etc. Ela batizou o trabalho de Caça as Bruxas. Foi um trabalho interessante. Desde que me formei em teologia, caço algumas bruxas nos púlpitos da vida... não é por mal, é por hábito...

Num final de semana há algum tempo atrás, numa igreja, eu ouvi as seguintes declarações:

1 – um pastor em meio ao seu empolgante discurso sobre o amor de Deus falou: “irmãos, Deus nos amou tanto, que veio a esse mundo e se encarnou num homem”...

2 – outro, ao falar sobre o por que sentimos saudades do céu disse: “sabe por que sentimos saudades do céu? Porque nossa alma veio de lá”.

3 – uma dupla cantou um hino que dizia no refrão: “o anjo vai descer aqui e te abençoar” (não só no refrão, mas em toda letra o anjo era o agente da bênção).

4 – e por último, que não se encaixa no rol de heresias, mas de falta de sensibilidade. O pregador, no afã de falar que a presença de Deus nos cura de todos os males, bradou: “irmãos, esses centros de recuperação só estragam as pessoas, elas entram ruim e saem piores, a pessoa tem que ir é para a igreja”.

Eu reconheço que existem desvios teológicos bem mais graves e que esses que apresentei acima não são um “bicho de 7 cabeças”, contudo, acredito que apesar de serem pequenos, devem ser corrigidos:

1 – Deus não se encarnou num homem chamado Jesus de Nazaré. Na antiguidade apareceram muitas doutrinas cristológicas semelhantes, que foram tidas como heresias (Nestório, ebionitas, monofisismo, etc.). Maria gerou em sem ventre o menino Deus. Temos que nos firmar na decisão do Concílio de Nicéia, na fórmula do homooúsios (da mesma substância) onde Cristo é da mesma substância que o Pai e confessarmos o credo niceno-constantinopolitano que diz: “e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância (ex tes ousías tou patrós) do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância com o Pai (homoousion to patrí) pelo qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual por nós seres humanos e por nossa salvação desceu, foi feito carne do ES e da virgem Maria, e tornou-se humano, e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos...”[1].

2 – Dizer que a alma veio do céu é o mesmo que dizer que a alma é pré-existente, e a Bíblia não fala nada nesse sentido, Platão fala. Para Platão, a alma é um ser eterno, de natureza espiritual, cuja função principal é conhecer o mundo ideal e transcendental. Platão afirma que a alma humana, é imortal e de natureza espiritual e inteligível, sofreu uma espécie de queda original, causada por um mal radical (o que chamamos de pecado). Afirmar que a alma veio do céu além de anti-bíblico é engraçado, pois fico imaginado Deus com saquinho de almas. Se o ser humano foi criado por Deus, logo, todo ele provém de Deus, mas isso não quer dizer que nossa alma estivesse em Deus, numa pré-existência. Pensar dessa forma é reduzir o corpo a receptáculo da alma, e isso não é bíblico também, como vimos nos estudos abaixo
. Por exemplo, o termo hebraico néfesh, geralmente é traduzido como alma em muitas de nossas traduções. Isso é problemático, porque geralmente já lemos o texto tendo em mente a compreensão platônica de alma: algo preso dentro do corpo, separado do corpo. Para termos uma idéia, néfesh abarca em seu campo semântico aproximadamente sete significados (garganta, pescoço, anelo, alma, vida, pessoa, pronome) e hoje podemos concluir que em poucas passagens a tradução dessa palavra por “alma” corresponde ao significado de néfesh. Dois exemplos pertinentes:
A – em Gn 2.7, certamente néfesh não significa alma. Ela dever ser vista em Gn 2.7 em conjunto com a figura total do ser humano, especialmente com sua respiração; por isso o ser humano não tem néfesh ele é néfesh, vive como néfesh.
B – Quando diz sobre Raquel (Gn 35.18) que sua néfesh “saiu” quando ela morreu, de acordo com o Antigo Testamento, só podemos pensar em respiração, e não em alma. [2]

3 – preciso comentar mesmo? Anjos são servos e não merecem adoração, destaque e nem hino. Dedicar hinos a anjos como agentes da bênção é trocar os pés pelas mãos, é roubar a glória de Deus. Ouvindo esse hino, dá até vontade de orar para o anjo...


4 – Infeliz essa colocação. Falar uma coisa dessas é focar nos casos que não deram certo. É esquecer-se das muitas pessoas que se recuperaram nesses centros de tratamento e voltaram a viver em sociedade, voltaram para as pessoas que a amam, é esquecer que esses centros são, para muitas famílias, a única chance de uma nova vida, pois ninguém mais quer, nem mesmo as igrejas. Essas casas de recuperação fazem um excelente trabalho. Acompanhei um pouco o trabalho do CERENE, e vi pessoas sendo transformadas e se rendendo ao evangelho.

Cada tópico aqui poderia ser mais explorado, mas já estouramos o limite de linhas e o tempo do ócio se foi...

Se quiseres aprofundar um pouco sobre a questão da alma, principalmente o tema imortalidade da alma, clique aqui e leia o artigo do Prof. Dr. Euler Westphal na revista Vox Scripturae.



[1] DREHER, Martin N. Coleção história da Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 2004. v. 1. p. 68.
[2] Ver o brilhante estudo de WOLFF, Hans W. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2007. p. 33-56.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tricotomia e Dicotomia, parte final


Breve análise semântica de termos antropológicos em Paulo.

Para compreendermos melhor essa questão sobre a tricotomia ou dicotomia, que foi nosso assunto anterior, vamos analisar brevemente alguns termos centrais na antropologia paulina. Por quê antropologia do apóstolo Paulo? Porque nos seus escritos a antropologia está mais elaborada e são em seus textos que os teóricos buscam fundamentação para suas doutrinas. Por isso, é de extrema importância essa análise semântica.

--> soma/corpo: à o corpo é um termo central na antropologia de Paulo. A dificuldade na compreensão desse termo grego é que não existe um correspondente hebraico direto. A palavra soma utilizada por Paulo e escritos do Novo Testamento, é a tentativa de se traduzir uma variedade de termos hebraicos, sem, contudo, ter uma equivalência com eles. No AT, o termo que possui envergadura teológica e no qual se embasa o pensamento paulino é o termo basar (carne), sendo que, a partir dele, a Septuaginta abra caminho aos termos carne e corpo. [1] Ao surgir a pergunta, como os hebreus expressam numa palavra o que os gregos expressam duas, John Robinson afirma que a resposta se encontra nos pressupostos presentes nos sistemas de pensamento de ambas as culturas. O pensamento grego é organizado sob antagonismos: matéria e forma, o um e o múltiplo, corpo e alma. Robinson diz que tem-se a noção de que o corpo é limite ou separação dos outros corpos ou objetos. Desta forma, “soma, em oposição a sarx, é o princípio de individuação, o que distingue e separa um homem de outrem”[2].


Já no pensamento hebraico, que não é dualista, enxerga-se a realidade como totalidade, onde “basar significa toda substância (realidade) vivente dos homens e dos animais organizada numa forma corporal”; “A idéia hebraica de personalidade [...] é a de um corpo animado, e não a de uma alma encarnada [...]. O ser humano não tem um corpo, ele é um corpo. Ele é carne-animada-por-uma-alma, sendo concebida a totalidade como uma unidade psico-física.” [3]
Com base nisso, pode-se então afirmar que para Paulo, soma tem um sentido de pessoa[4], onde a existência humana, mesmo na esfera do “espírito”, é uma existência corporal, somática. Logo, soma não é meramente um meio de expressão, mas a pessoa total.[5] Bultmann afirma que o ser humano não tem um soma, ele é um soma.[6]. Dunn acredita que o conceito de corpo em Paulo é maior do que o de corpo físico, por isso sugere soma como corporificação de toda pessoa.
“Nesse sentido soma é conceito relacional. Denota a pessoa corporificada em determinado ambiente. É o meio para viver no ambiente, para experimentá-lo [...] soma como corporificação significa mais que mero corpo: é o ‘eu’ corporificado, o meio com o qual ‘eu’ e o mundo agimos um sobre o outro.”[7]

Segundo Dunn, o que chama atenção é a distinção que Paulo faz entre o corpo atual e o corpo da ressurreição, onde na redenção não se tem uma fuga da experiência corporal, mas transformação numa espécie diferente de existência corporal, não mais sujeita a corrupção e a morte.[8] “Aliás, somente a partir da ressurreição do soma, torna-se compreensível, não só a reivindicação exclusiva do Senhor sobre o homem todo, como também a incompatibilidade de ser membro de Cristo e se unir à meretriz”.[9]


Para Paulo, soma, representa a humanidade criada como existência corporificada, onde por meio dessa corporificação a pessoa faz parte da criação e participa dela, tornando a dimensão social da vida humana possível.

--> sarx/carne: esse é outro termo fundamental na antropologia paulina. É um termo controverso, pois pode significar simplesmente a parte física do corpo até o sentido de “carne” como força hostil a Deus, como pecado. Essa gama de sentidos se dá pelo fato de que Paulo teve influências hebraicas e gregas.[10] Então, ora ele usa sarx com o sentido de corpo material, refletindo o termo hebraico basar (que representa o ser humano como um todo diferente de Deus), ora como “carne”, algo antagônico a Deus, refletindo a cultura helênica. Tanto que seu dualismo carne x espírito lembra Platão.[11] Teríamos que analisar texto por texto para sabermos quando Paulo emprega um sentido e quando emprega outro. Mas em síntese, podemos afirmar que sarx para Paulo representa o ser humano como criatura fraca, vulnerável, completamente dependente de Deus, bem como em oposição e em contradição com Deus e o Espírito de Deus.

Clique aqui para baixar um pequeno excurso sobre a relação soma e sarx e nous (inteligência) e kardia (coração). É fundamental leres esse texto para ter sua visão ampliada sobre a compreensão do ser humano em Paulo. Texto retirado do livro, A Teologia do apóstolo Paulo, de James Dunn.


--> psyche/alma: Paulo emprega esse termo no mesmo sentido do termo hebraico néfesh, ou seja, representa a vida toda da pessoa e não algo isolado do meu corpo como na compreensão grega. Psyche designa a pessoa a partir de determinado ponto de vista; o homem que pensa, trabalha e sente, ou a personalidade. Embora o corpóreo e o incorpóreo sejam distintos, a atividade dinâmica entre eles dá testemunho da unidade da pessoa. Para Paulo a psyche não é superior ao soma, apenas designa e salienta outro aspecto do ser.[12] Psyche denotando a pessoa é clara em muitas passagens (Rm 2.9; 13.1; 1Co 15.45; etc.), em outros lugares o sentido desloca-se para “vida” (Rm 11.3; Fl 2.30; etc) ou “vitalidade humana” (Cl 3.23; Ef. 6.6; etc.).[13]
à pneuma/ e/Espírito: Paulo não considera o pneuma uma centelha divina (o verdadeiro eu) encarcerada no físico. A pessoa que, como espírito, experimenta a comunhão com Deus é um ser corpóreo. O pneuma assim como a sarx precisam ser purificados (2Co 7.1). Nada escapa das garras do pecado, nem o pneuma, logo, não pode ser algo divino em nós. Podemos voltar ao texto de 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus... vos santifique totalmente (holísticamente)...”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (holos). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.[14]


Uma dificuldade que encontramos com esse termo, a semelhança de sarx, é que o número de usos de pneuma significando espírito humano em Paulo é incerto, pois em muitas passagens não é claro se a referência é ao Espírito divino ou ao humano. De qualquer modo, é significativo que número de referências ao Espírito Santo supera em muito o das referências ao espírito humano.

Em síntese, Dunn nos diz:


...podemos dizer que a pessoa humana, de acordo com Paulo, é um ser que funciona dentro de várias dimensões. Como seres corporificados, somos sociais, definidos em parte pela nossa necessidade e nossa capacidade de entrar em relação, não como opcional extra, mas como dimensão da nossa própria existência. Nossa carnalidade atesta nossa fragilidade e fraqueza como meros humanos, a inevitabilidade de nossa morte, nossa dependência da satisfação dos apetites e dos desejos, nossa vulnerabilidade à manipulação desse apetites e desejos. Ao mesmo tempo, como seres racionais, somos capazes de alçar às maiores alturas do pensamento reflexivo. E como seres que sentem somos capazes das mais profundas emoções e da mais intensa motivação. Somos seres vivos, animados pelo mistério da vida como um dom, e há uma dimensão do nosso ser pela qual somos diretamente tocados pela realidade mais profunda dentro e além do universo. Paulo não duvidaria em dizer, grato e reconhecido, com o salmista: “Eu te celebro por tão grande prodígio, eu me maravilho com as tuas maravilhas (Sl 139.14)”.[15]



[1] PUENTES REYES, Pedro A. O corpo como parâmetro antropológico na bioética. Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em: Acesso em: 03 maio 2007. p. 72. Puentes ressalta que “a totalidade humana como materialidade, pó, corpo, não é em si fonte do pecado e do mal. [...] Em Paulo os aspectos negativos da existência humana se devem à sarx, a carne, e não ao soma, o corpo.” Ibid., p. 101.
[2] John A. T. Robinson apud.: Pedro A. O corpo como parâmetro antropológico na bioética. Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em Acesso em: 03 maio 2007. p. 73.
[3] John A. T. Robinson. Loc. cit.
[4] Nunca de cadáver. Cf. DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 86.
[5] WIBBING, S. corpo in:COENEN, L. BROWN, C. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 521.
[6] BULTMANN, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. p. 248.
[7] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 87.
[8] DUNN, James. op. cit., p. 92. Nesse sentido, entende-se o labor de Paulo em 1Co 15 afirmando a ressurreição do corpo. “A vida humana é inconcebível sem o corpo.” Cf. WIBBING, S. corpo in:COENEN, L. BROWN, C. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 522.
[9] WIESE, Werner. A importância da corporalidade na escatologia paulina: uma análise de textos paradigmáticos das cartas autênticas de Paulo. Dissertação de Mestrado. Sem. Teo. Batista do Norte do Brasil. Recife, PE. 1996. (Não publicado). p. 133.
[10] Segundo Bultmann, Paulo se opõe a algumas das noções apreciadas pelos gnósticos, como a depreciação do corpo, mas vê uma fenda tão profunda no homem, uma tensão tão grande no seu interior... que se aproxima do dualismo gnóstico. Embora ele utilize primordialmente psychê no sentido veterotestamentário de “vida ou pessoa”, seu uso do termo em sentido depreciativo em contraste com pneuma evidencia a influencia gnóstica. REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[11] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 93.
[12] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[13] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 109.
[14] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[15] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 112.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dicotomia ou Tricotomia?

Como a Bíblia divide o ser humano? Ou melhor, ela o divide? Somos uma criatura dividida? Como entender corpo, alma e espírito?
Antes de procurarmos um posicionamento que se aproxime das escrituras, é importante definirmos os termos tricotomia e dicotomia.[1]

–> tricotomia: o termo, que significa uma “divisão em três partes” (gr. tricha, “em três partes”; temnein, “cortar”), é aplicado na teologia à divisão tríplice da natureza humana em corpo, alma e espírito. Esse conceito desenvolveu-se da divisão dupla feita por Platão [...]. Os escritores cristãos primitivos, influenciados por essa filosofia grega, acharam a confirmação da sua opinião em 1Ts 5.23: “os mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Em uma versão de tricotomia, Deus habita o espírito (a pessoa interior) e o liberta da escravidão à alma (pessoa exterior) e ao corpo (a pessoa mais exterior) e faz a alma e o corpo subservientes ao espírito.
–> dicotomia: este termo, que significa uma divisão em duas partes (grego dicha, “em dois”; temnein, “cortar”), aplica-se na teologia àquele conceito de natureza humana que sustenta que o homem tem duas partes fundamentais no seu ser: o corpo e a alma/espírito, uma parte material e outra imaterial.[2] Por influência de Agostinho e dos reformadores protestantes, a dicotomia tornou-se a opinião estabelecida na teologia ocidental. J. G. Machen, por exemplo, afirmou ser inquestionável que a Bíblia “reconhece a presença de dois princípios ou substancias distintos no homem – o corpo e a alma”. Para ele, e à maioria dos exegetas, alma e espírito simbolizam a mesma realidade.

Problemas da interpretação tricotômica do ser humano

Essa interpretação da natureza humana, pode, facilmente, deixar despercebida a tremenda ênfase bíblica na integralidade e na unidade, onde mesmo no texto “prova” em Tessalonicenses, Paulo ora para que sejam santificados em tudo, e que [todo - ARC] seu espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros.
Geralmente, a escola teológica que defende a tricotomia, reduz o corpo a “carcaça”, “templo”, “receptáculo”, etc. da alma e espírito. Leiamos essas declarações:


Em resumo, a imagem de Deus, no homem, refere-se à imagem espiritual e moral, conforme a semelhança de Deus; e também à imagem natural, pelo fato de o homem ser uma pessoa, à semelhança de Deus, que também é Pessoa. Quanto ao corpo, foi feito por Deus para abrigar a parte espiritual do homem, formado por espírito e alma.
O corpo não é a imagem de Deus, porque é formado do “pó”. Porém, o Senhor soprou nele a nephesh _ a vida física da alma que possui a imagem e semelhança de Deus (Gn 2.7) Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.
Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.
[3]


Nessa perspectiva, a utilidade do corpo se resume a “abrigar” a parte espiritual do ser humano, de modo que, se estabelece a superioridade deste em relação àquele. De acordo com estas declarações, alma e espírito abrigam a imagem de Deus, portanto, a dimensão espiritual do ser humano é privilegiada e tem relação direta com Deus. Quanto ao corpo, este possui relação direta com a alma e espírito e só num segundo momento, há relação com Deus.

O corpo na concepção tricotômica está excluído daquilo que constitui a “imagem e semelhança” de Deus, tendo como função abrigar a parte espiritual do homem, isto é, o espírito e a alma. Aqui se percebe uma nítida desvalorização do corpo porque a dignidade do ser humano está no fato de ser semelhante a Deus. Sendo o corpo excluído do vínculo com esta semelhança de Deus, pois é privilégio apenas da alma/espírito, fica estabelecido a divisão do ser humano. Uma parte sua é imagem e semelhança de Deus enquanto outra não.

Tudo no ser humano é Imago Dei (falo mais sobre isso aqui), e o ser humano não tem corpo, ele é corpo (entenda mais clicando aqui). É preciso entender que os muitos termos que a Bíblia utiliza para se referir as partes específicas do ser humano, dizem respeito ao ser humano com um todo. Vemos muito isso em Paulo, pois ele frequentemente indica a pessoa toda por meio de termos que em outros contextos designam um aspecto ou uma dimensão da pessoa. Ao fazê-lo, ele não contradiz o outro emprego, nem confunde a parte com o todo. Ele vê a pessoa toda de um ponto de vista determinado, ou realça a contribuição de determinado aspecto para o funcionamento do todo.[4]

Em 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus… vos santifique totalmente (holísticamente)…”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (holos). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.[5]

Na próxima parte de nosso estudo, vamos entender que Paulo não valoriza o espírito em detrimento do corpo, o coração em detrimento da razão, Paulo enxerga o ser humano como um todo, tanto que a salvação do ser humano não acontecerá sem o corpo (1Co 15).

____
[1] Utilizaremos as definições de WARD W. E. In: ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 1984. Vol. 1 e 3. e de REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.[2] Existe também autores que rejeitam a dicotomia e defendem que o ser humano é retratado na Bíblia como uma totalidade, um todo, um ser unitário, que nesta vida presente não pode ser assim dividido. Esse pensamento, denominado Monismo, encontra amparo na antropologia do AT.[3] GILBERTO, Antonio. (Ed.) Teologia sistemática pentecostal. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 259 e 307.[4] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.[5] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência e Morte!

Hoje, 7 de setembro, simbolicamente comemora-se a independência do Brasil, quando D. Pedro bradou: “Independência ou morte”, a partir de então, nosso País começa a ter autonomia política em relação ao Reino de Portugal.

Pensando sobre essa data comemorativa, fui parar naquele jardim, O Jardim no Éden. Foi lá que aconteceu o maior processo emancipatório da história da humanidade, quando Adão e Eva gritaram as margens do “rio Eufrates”: Independência e Morte.
Segundo o txt de Gn 3.3 o casal estava ciente de seu futuro caso comecem o fruto: “mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’” (NVI).

Adão e Eva escolheram caminhar sozinhos, terem conhecimento do bem e do mal. O autor bíblico utiliza a figura de uma árvore, visto essa figura simbolizar o conhecimento humano no Antigo Oriente. Tudo então fica claro: o autor quer nos dizer que um dia a humanidade decidiu caminhar sozinha, independente, seguindo sua própria sabedoria. O autor ainda faz questão de utilizar o termo hebraico Adam tanto para o relato da criação como o da queda, porque:

A origem do pecado está na humanidade, está em Adão (Rm 5.12). Adão e Eva são personagens coletivos, representam a humanidade em geral. Paulo diz: em Adão todos pecaram (1Co 15.22). Adão é personalidade corporativa! Não há como atribuir culpa somente a um ancestral, utilizando-o como “bode expiatório”. A queda repete-se em cada pessoa, pois todos pecam. Ninguém está em condições de começar da estaca zero, pois a humanidade traz consigo a marca do pecado.[1]

Emancipar-se de Deus foi a maior estupidez da humanidade. Nosso rastro histórico tem provado que nossa independência de Deus, que é sinônimo de dependência do pecado, só nos conduz ao caos e ao abismo. O ser humano autônomo é burro, pois ele foi programado para Deus.[2]

Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti
Agostinho em suas Confissões.
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[1]http://ocioteologico.blogspot.com/2008/08/origem-do-mal-rascunho-de-um-pensamento.html
[2] WESTERMANN, apud. WIESE, Werner. Ética fundamental: critérios para crer e agir. São Bento do Sul: União Cristã. 2008. p. 64.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Abbá Pai e a ignorância


[1] O movimento gospel dos últimos dez anos tem formatado uma geração que chora nos momentos de louvor, que chama de Deus de papai e que não lê mais a Bíblia. Afinal, para que me esforçar em entender uma coleção de livros se eu tenho essa “palavra” cantada? Tudo tão fácil, tão diluído, tão pobre. Mas não é sobre o descaso com a Bíblia que quero pensar com vocês, é sobre chamar de Deus de Abbá – papai querido, afinal, chamar Deus de papai é algo muito sério, pelo menos foi para Jesus.

Essa declaração sai muito fácil de nossos lábios, e acabamos esquecendo as dimensões dela. É no falar de Jesus Cristo que Deus é chamado de Abbá pela primeira vez, contudo, ele sabia o que e com quem estava falando. Jesus não estava seguindo uma tendência, pelo contrário, estava abrindo o caminho da oração e do louvor consciente.

Para entender as declarações de Jesus é importante conhecer o ambiente histórico-cultural de sua época. Para termos uma idéia, para os povos antigos, a palavra “pai” aplicada para a divindade evocava algo semelhante ao que a palavra mãe significa para nós. No Antigo Testamento, Deus é chamado de Pai apenas catorze vezes, mas cada uma delas é muito importante. Quando Deus é chamado de pai ele é honrado como criador[2], ou seja, tinha-se a consciência de que Ele é o Senhor que merece obediência e o Pai que é misericordioso.

Israel acreditava que a paternidade divina era exclusividade sua[3], contudo, é nos profetas que o conceito de Deus como Pai adquire todo o seu sentido no Antigo Testamento. Através dos profetas somos informados que a paternidade divina geralmente é correspondida com infidelidade da parte de Israel. É a ingratidão diante da misericórdia.[4]

O judaísmo palestinense mantém o mesmo significado do AT, é sóbrio em falar de Deus como Pai, onde seu amor e sua misericórdia são a palavra final, contudo, nos tempos de Jesus, não se tem registro de um indivíduo dirigindo-se a Deus como “meu Pai”, era sempre uma invocação coletiva: “Nosso Pai, Nosso Rei” .

Abbá” nas orações de Jesus.

Foi isso que Jesus fez, dirigiu-se a Deus como “meu Pai”[5], não só isso impressionou seus discípulos, o que impressionou mesmo foi o fato de Jesus utilizar a palavra aramaica Abbá (o acento está na última sílaba), pois esse termo fazia parte do balbucio infantil. Mas você pode estar se perguntado, o que isso tem de mais? Referir-se a Deus como Abbá para o judaísmo palestinense era desrespeitoso, e portanto, impensável invocar a Deus com um nome tão familiar.

Jesus abre o caminho para a intimidade com Deus. Foi algo único e inaudito “Jesus ter tomado essa iniciativa e falar a Deus como uma criança fala a seu pai, com simplicidade, intimidade e sem temor. Portanto, não há dúvida alguma de que a palavra Abbá, utilizada por Jesus para dirigir-se a Deus, revela o próprio fundamento de sua comunhão com ele.”[6]

As orações de Jesus influenciaram a comunidade cristã, tornando-se comum invocar a Deus como Abbá, Pai (Abbá, ho patér), e isso é ensinado pelo próprio Espírito Santo.[7] Portanto, somo autorizados a chamar Deus de papai: “As palavras de Jesus expressam simplesmente uma experiência cotidiana: só um pai e um filho é que se conhecem mutuamente”.[8]

Chamar Deus de Abbá é para quem vive o cotidiano com Ele, e não quem aprendeu o sucesso gospel do momento. Chamar Deus de Abbá é mais que friozinho na barriga e mãos levantadas, é compromisso e cruz!

__________
[1] Esse texto embasa-se, nas informações técnicas, na obra de JEREMIAS, Joachim. A mensagem central do Novo Testamento. São Paulo: Academia Cristã, 2005. p. 13-37.
[2] Dt 32.6; Ml 2.10.
[3] Dt. 14.1s.
[4] Ml 1.6; Jr 3.19s; Is 64.7.
[5] Todos os evangelhos são unânimes nessa afirmação. Somente no grito na cruz que Jesus não se serve do termo Abbá (Mc 15.34)
[6] JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 25.
[7] Gl 4.6.
[8] JEREMIAS, Joachim. Op. Cit. p. 31.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

analogia...














Este prédio que caiu na China, na fase final de construção me levou a duas rápidas reflexões:
1 - o movimento evangélico brasileiro, em grande parte, está sendo constrído sem fundamentos, uma hora vai cair, inteiro...

2 - minha própria vida precisa, volta e meia, de uma vistoria nos fundamentos. E dizem os entendidos, que para se fazer um bom fundamento, leva tempo. A construção, aquilo que aparece, pode se fazer muito rápido, comparado com os fundamentos...
como está faltando o Ócio, não posso desenvolver mais o tema, mas...., precisa?
PS - sei que essa notícia é velha, mas como dizem, notícia velha é nova para quem não leu...detalhes do acontecimento e fotos aqui!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Adeus Silas

Já existem muitos blogs denunciando o abuso da teologia da prosperidade, por isso, tento escrever sobre outras coisas, olhar para outros horizontes, mas hoje, quero escrever. Na verdade quero desabafar, compartilhar meu desânimo com o pastor Silas Malafaia.

Estou terminando de escrever meu livro, previamente intitulado Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã, e por isso fui dormir muito tarde. Eram 3h25 da manhã quando liguei a televisão. Programa do Silas com a presença do Dr.[1] Morris Cerullo. Eu já tinha visto o vídeo no youtube, mas não me causou o mesmo impacto que ver na televisão, altas horas da madrugada. Eu não acreditei.

Fiquei estarrecido com os argumentos desse homem que, talvez um dia, já foi um homem de Deus, mas agora tenho sérias dúvidas. Cerullo falou sobre uma unção financeira para sair da crise. Nunca ouvi falar de tal unção na Bíblia, mas deve estar lá, pois ele disse que ter ouvido isso de Deus. Disse mais: “que Ele derramaria uma unção financeira sobre seus filhos, que essa crise era para o mundo, não para os filhos de Deus”, e Cerullo complementa a “voz” divina: desde que, agora vem a contrapartida, que o fiel, o telespectador, desse voluntariamente uma pequena oferta de R$ 900,00. Caramba, o que é isso? Além de fazer uma exegese absurda do livro de Apocalipse, ele vem com uma explicação frouxa para justificar os novecentos reais.
Sem contar que ofertando, você leva inteiramente grátis, a Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira e Deus até 01 de Jan cumprirá todas as promessas que te fez. Se você quiser ver as promessas de Deus se cumprir em sua vida, acho bom você ter R$ 900,00. E o Silas ali, concordando com tudo...

Só quero deixar registrado que o pastor Silas Malafaia, para mim, vai do reconhecimento para a repugnância. O que antes era para mim motivo de orgulho, agora é de desprezo. Não me identifico mais com sua pregação, sua postura de fé.

Fico pensando naquela pessoa abatida, cansada, que está atrás de uma palavra de conforto e ânimo. Minha oração é que ela passe longe da Band e da Record pela madrugada, pois, caso esteja sem dinheiro, ficará sem conforto.

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[1] Doutor em que será? Divindade?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tá difícil...

Eu ainda não tenho acesso a internet em minha casa, pois, como passo a maior parte do meu dia no trabalho, não via a necessidade de ter esse gasto extra. Mas recentemente atendi ao telefone e era uma daquelas adoráveis operadoras de telemarketing. Ela se identificou como sendo da empresa Oi (que deveria se chamar Tchau!).

Com toda sua conversa de retenção de clientes ela me convenceu a fazer uma plano: “super em conta com super vantagens, o senhor terá isso; isso e aquilo, por apenas X reais, é uma super promoção para clientes super especiais”, aham, sei, ela deveria ser honesta e dizer o senhor terá isso; isso e aquilo somado a muito incômodo. Desde que aceitei o plano, recebo todos os dias, ou ligação da Oi, ou do UOL, ou da BR Turbo, e acreditem, cada hora recebo uma informação diferente: senhor o técnico vai na sua casa; senhor, quem disse que o técnico vai na sua casa?; senhor sua internet é de 1,5 mega; senhor não existe essa velocidade, sua internet é de 1 mega; senhor seu login é esse; senhor, seu login não é esse, tivemos problemas com seu cadastro; blá blá blá. Um verdadeiro descaso com o consumidor.
A partir do momento que a Oi me ligou oferecendo-me um serviço, seu papel deveria ser o de facilitar meu acesso a web. Sua função era me passar corretamente as informações tornando muito claro seus produtos e serviços. Não deveria permitir esse fast food de informações. Isso confunde e tu não sabes mais em quem acreditar. Tentar cancelar? É mais uma novela. Só estou esperando a próxima fatura.

Não sei por que, mas todo esse incômodo que estou tendo com a Oi, lembrou-me algumas igrejas que conheço, explico. Uma das funções da igreja, é apresentar uma “proposta” de vida as pessoas, é facilitar o acesso das pessoas a Deus, é proporcionar um ambiente onde as pessoas possam com suas diferenças adorar a Deus. Mas o que vejo é ao contrário, o acesso a Deus é obstruído por muito entulho dogmático. São tantas regras fúteis que o acesso a Deus se torna privilégio de “poucos”.

O que vejo são pessoas tentando se adaptar a esquemas eclesiásticos e não ao padrão do evangelho de Cristo. São pessoas que, por preguiça ou sei lá, não tem outra fonte de informação além daquilo ouvem nos púlpitos de suas igrejas ou assistem nos DVD`s desses conferencistas desmiolados (quanto mais asneira, barulho, mais vende). É uma pena. O resultado está aí para quem quiser ver. Essas igrejas são como a Oi/UOL, dão a informação pela metade, te cobram uma mensalidade e dificultam o acesso a Deus.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ser de Jesus


Por Fernando Albano[1]

O chamado de Jesus consiste primeiramente num chamado para sermos dele. Somos chamados acima de tudo para sermos de Jesus. De modo que antes de pensarmos em função devemos pensar em relação, antes de pensar em atividade, pensemos em afetividade, antes de pensarmos em funcionalidade, pensemos em comunicabilidade. Não somos chamados para simplesmente fazer, mas somos chamados para ser, ser de Jesus e de fato, somente depois de pertencermos a Jesus é que podemos resolver fazer alguma coisa. Aliás, ninguém faz nada de efetivo no Reino de Deus se não pertenceu antes a Jesus, se antes não foi embalado em seus braços.
Hoje vivemos num tempo em que se priorizam as atividades, de modo que as pessoas que são estimadas são aquelas cuja agenda está repleta de ativismo, ocupações de toda ordem a todo instante. _ “Você é o que faz” _ eis a máxima desse grupo. Mas quem acaba fazendo tudo a todo instante pode pensar que o sentido da vida está em sua funcionalidade pragmática, no progresso tecnológico, no ativismo desenfreado. Entretanto no Reino de Deus a coisa não funciona assim. Pois no Reino os relacionamentos pessoais são priorizados. Antes de sermos chamados para fazer somos chamados para sermos de Jesus Cristo. Mais importante do que estar envolvido numa série de ocupações que gastam a vida é estar diante de Jesus autor e sustentador de toda a vida.
Há no Evangelho uma bela ilustração daquilo que estamos afirmando aqui. Trata-se do relato da ocupação e preocupação de Marta que envolvida em suas ocupações se incomodou com a aparente ociosidade de Maria, que persistia em permanecer aos pés de Jesus, ouvindo-o atentamente. Marta trabalha e Maria permanece parada. Marta não suporta! Chama a atenção de Cristo, e, até lhe pede que censure Maria. Jesus por outro lado diz pra espanto dela que Maria havia escolhido a melhor parte, ou seja, preferiu estar com Jesus Cristo que fazer coisas para ele. De fato, há ocasiões que melhor que fazer é estar parado (a) em contemplação diante do Filho de Deus. Jesus nos chama para sermos dele para somente depois fazermos algo por Ele. Não inverta a ordem, não queira fazer para depois ser, seja de Jesus e depois farás!
Sendo assim, cabe-nos perguntar: E você já pertence a Jesus? Anda imerso em realizações, mas ainda não parou diante de Jesus Cristo? Pretende fazer tantas coisas, mas não está nas mãos de Jesus? Então deixa lhe dizer que realizações à parte da comunhão com Cristo são empreendimentos marcados pelo orgulho e pecado humano; obras sem relacionamento com Jesus é obra de natureza egoística, marcada pelos próprios interesses; atividade sem Jesus é construção de torres de babéis que inevitavelmente resultarão em confusão; realizações sem o senso de pertencimento a Jesus é obra de “madeira, palha e feno” que não subsistirão no dia do Juízo. Antes de pretender fazer, se permita ser de Jesus. Sua Palavra nos diz: “Se hoje ouvirdes a Sua voz não endureçais o coração”... “Eis que estou a porta e bato se alguém ouvir a voz e abrir a sua porta entrarei em sua e cearei com ele e ele comigo”. Escolha a melhor parte _ ouça seu chamado para ser Dele, Jesus.

[1] Fernando Albano é professor no Centro Evangélico de Educação e Cultura – CEEDUC. Contato: fernando@ceeduc.org

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ainda sobre a marcha...

Alguns amigos e amigas participaram da marcha e foram unânimes em relação à organização do evento: muito bem organizado. Outro fator positivo é que maioria realmente marchou e poucos estavam na Arena quando a multidão chegou. A marcha aconteceu e cumpriu de certa forma seus objetivos, o povo declarou publicamente a sua fé, oraram e adoraram juntos, e de fato, isso não é irrelevante, e ainda que não seja o suficiente, pode ser um começo.

No portal do meu programa de rádio, alguém provavelmente ligado a organização da marcha deixou o seguinte recado:
"Queridos irmãos, gostaríamos de agradecer a todos que divulgaram e participaram da Marcha para Jesus em Joinville. Aos poucos, nos próximos dias, estaremos fazendo a cobertura completa [...] e também definindo o caminho para a continuidade dos propósitos: união, clamor, oração, solidariedade e ação (grifo meu)."

Se isso acontecer, colocarei junto a mão no arado direi que a marcha para Jesus foi relevante. Creio que as igrejas precisam mesmo se unir em prol da divulgação do evangelho e da transformação social. Ok, com a marcha, em partes divulgamos o evangelho, agora vamos para a transformação através do evangelho integral.

Acabei de assistir ao filme A Troca, de Clint Eastwod, com Angelina Jolie e John Malkovich, sei que Ricardo Gondim já comentou o filme, mas quero assinar em baixo. Malkovich interpreta o Reverendo Briegleb que não só denuncia os desvios do departamento de polícia da cidade, como age em prol da causa da Sra. Collins. Creio que agir de forma profética é agir como Briegleb. Para entender o que é ação profética é só ler os profetas na Bíblia, e verás palavras acompanhadas de ações. Ação profética é ação concreta numa realidade e não ficar “declarando” Joinville é do Senhor Jesus, esse tipo de coisa, realmente, é irrelevante e não muda nada.

Oxalá a comissão de pastores continuar se mobilizando e chegar a esse ponto, de unir as igrejas em prol de transformação social, não é tarefa fácil, mas, juntos somos mais (CN).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A (Ir)relevância da Marcha para Jesus!

Joinville terá sua primeira* Marcha para Jesus. O evento está sendo promovido pelo conselho de pastores da cidade. O tema da marcha é sobre a família e segundo um dos envolvidos: dia 04/07 o povo de Deus vai marchar pelas ruas da cidade para abençoar as famílias [...] a atmosfera de Joinville irá mudar!

Não sou contra a marcha, só começo a me perguntar pela relevância dela! Creio que unir as igrejas é o ponto alto da manifestação. É empolgante ver a Igreja do Senhor unida num único propósito. Mas receio que o propósito esteja equivocado. Será que sair pelas ruas é a melhor maneira de abençoar as famílias da cidade? Tenho minhas dúvidas, pois não creio que “eventos” mudem duras realidades. Tenho minhas dúvidas se uma marcha tira um pai afogado no álcool e o torna sóbrio para a sua família. Disseram que na marcha terá intercessão pelas famílias, isso é bom, pois creio que Aquele que ouve nossas orações é poderoso para livrar o ser humano do vício, etc. Porém, oração sem ação é inútil e me parece, com base naquilo que tenho ouvido, que só ficará na oração, no evento, no espetáculo.

Será que nossos irmãos e irmãs estão conscientes do sentido da marcha ou só querem aproveitar os shows que a embalam? Bem, vamos ver quantas pessoas estarão marchando e quantas estarão na Arena Joinville na apresentação do David Q., Mauríci Paes e FdH. Espero estar errado!

As igrejas devem se unir e testemunhar de Cristo, mas com ações concretas na sociedade de Joinville. Deveríamos marchar testemunhando de Cristo e protestando contra o aumento da passagem de ônibus, aumento da água, injustiça social, etc. Deveríamos nos unir e fazer campanhas solidárias que promovessem dignidade humana. Deveríamos nos unir para sermos relevantes e fazermos a diferença, mas não no discurso, mas na prática!

Finalizo deixando bem claro que respeito os organizadores, os que acharam a idéia uma bênção, os que apóiam porque são obrigados por algum motivo, enfim, todos que estarão lá marchando. Só quero gerar uma reflexão e dar minha opinião, nada mais!
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* errata: Segundo o "ocioso" JB, Joinville há dez anos atrás teve uma marcha para Jesus.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Acessórios de Deus

Ao comentar sobre a teofania no Horebe no contexto da história de Elias, von Rad faz um comentário interessante, ele diz:

No Antigo Testamento, quando Deus aparece, o que é importante é a palavra que Deus comunica. Os fenômenos que a acompanham são sempre acessórios [...][1]

Hoje em dia, parece que escolhemos viver somente com os acessórios, dispensamos Deus. Tornamos a religião um bom negócio, onde oferecemos salvação à alma cansada e lhe vendemos “os acessórios” de Deus, o que Ele fala não importa muito.

Acredito que a maioria (há exceções) dos grandes conferencistas, pregadores de multidões, enfim, toda essa corja, um dia se importaram com a voz de Deus, para o evangelho que emana da maior teofania divina: o calvário. Mas parece-me que na metade do caminho, resolveram enfatizar “os acessórios”, e deu certo: o povo comprou a idéia e foi atrás. A partir de então o evangelho foi diluído no dando é que se recebe, bênçãos e vitórias, pobreza é maldição, doença é possessão, etc.

Caíram na tentação que Jesus venceu no deserto: dar o show, o espetáculo, impressionar a multidão! Transformaram as pedras em pão, pularam do lugar mais alto do templo e se dobraram ao Diabo para ganhar todos os reinos da terra. Tudo isso em nome de Jesus é claro!
Esse evangelho genérico cresce a cada dia em nossos púlpitos e parece que não há muito que fazer, pois os que pensam diferente são minoria e nem sempre tem oportunidade na comunidade, então, o jeito é escrever um testinho no blog[2] e pedir à Deus: Não me deixes cair em tentação!

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[1] RAD, Gerhard von. Teologia do Antigo Testamento. 2 ed. São Paulo: ASTE/TARGUMIM, 2006. p. 462.
[2] O que é meio inútil, pois quem merecia ler isso dificilmente lerá, e mesmo que por um acaso lesse, não daria a mínima.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

As injustiças e os Absurdos da Vida


De novo olhei a e vi toda a opressão que ocorre debaixo do sol:

Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder está do lado dos seus opressores, e não há quem os console.
Por isso considerei os mortos mais felizes do que os vivos, pois estes ainda tem que viver!
No entanto, melhor do que ambos é aquele que ainda não nasceu, que não viu o mal que se faz debaixo do sol.

Descobri que todo trabalho e toda a realização surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento.

O tolo cruza os braços e destrói a própria vida.Melhor é ter um punhado com tranqüilidade do que dois punhados a custa de muito esforço e de correr atrás do vento.

Descobri ainda outra situação absurda debaixo do sol:

Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Contudo os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele se perguntava: “Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir?” Isso também é absurdo; é um trabalho por demais ingrato.
É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levanta-se! [...]

Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.

Eclesiastes 4 – NVI

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Não sou eu sem você...

Somos seres sociais, foi assim que Deus nos fez. É o conjunto de pessoas que me torna ser humano. É a cultura que confere humanidade ao indivíduo, por meio das “práticas que criam a existência social, econômica, política, religiosa, intelectual e artística”[1], dessa forma, posso quase afirmar que a existência enquanto ser humano está condicionada a existência de um próximo.

Ultimamente venho percebendo o quanto o “meu” “eu” é a mistura dos “eus” que rodeiam, que “eu”, sou na verdade um pouco de cada um. Tenho experimentado muito isso, ao notar como a minha mãe me completa, como a minha noiva me completa, meus amigos e até meu chefe. E essa percepção, vem de pequenas atitudes, das vírgulas da vida. Vejo que estou sendo forjado em gotas.

Ser um pouco de cada um não é ausência de personalidade, mas presença de complementaridade. Quem se fecha em si mesmo e não se deixa complementar é um ser humano incompleto, cego, pobre e nu.

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[1] Cf. CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995. p. 294-95. Um fato que pode exemplificar a idéia de que a cultura confere humanidade ao ser humano foi o que ocorreu na Índia em 1920, o caso das meninas-lobo. Amala, um ano e meio, e Kamala, oito anos, foram encontradas vivendo com uma família de lobos, ao serem resgatadas não apresentavam nada de humano, pelo contrário, comportavam-se como seus “irmãos” lobos. Caminhavam de quatro com os joelhos e cotovelos para pequenos trajetos e com os pés e as mãos para os trajetos longos e rápidos. Não conseguiam ficar de pé. A alimentação era composta de carne crua ou podre, até o jeito de beber água era como o dos lobos. No instituto onde foram acolhidas, de dia viviam quietas e pacatas sempre em uma sombra, e de noite eram ativas e ruidosas procurando fugir e uivando como os lobos. Amala teve um contato curto com a vida civilizada, pois morreu um ano depois de ser resgatada, já Kamala passou por um processo de humanização, conseguindo ficar de pé somente seis anos depois do resgate, contudo, em 1929 morreu com um vocabulário de dinquenta palavras. Cf. REYMOND, B. in: ARANHA, M. L. de Arruda; MARTINS, M. H. Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. p. 2.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Miojinho nosso de cada dia...

Quem frequenta uma igreja pentecostal há mais de cinco anos, provavelmente já escutou o jargão: “Porque na presença de Deus até a tristeza salta de alegria”. Você já leu o contexto desse versículo bíblico? Vamos juntos então analisar Jó 41.22[1]... vamos ao miojinho nosso de cada dia:

Uma rápida olhada no contexto do versículo em questão nos revela algo interessante: Não é na presença de Deus que a tristeza salta de alegria/prazer, mas do Leviatã/monstro marinho/(crocodilo?). No poema anterior, também aparece um animal, o Beemot, onde as descrições apontam hiperbolicamente para um hipopótamo.[2]

No terceiro poema que compõem o segundo discurso de Javé a Jó é que encontramos essa figura, o Leviatã. Tanto na descrição do Beemot como na do Leviatã, aparecem características que vão além do reino animal, nos levando a crer que a intenção do autor ao colocar esses dois seres nos discursos de Javé é apontar para outra realidade, pois no discurso anterior Javé já havia se revelado como Senhor dos animais.

Nessa teofania Javé está mostrando a Jó que é Senhor sobre todas as coisas, inclusive desses dois monstros, que aqui provavelmente simbolizam as forças do mal. Nas palavras de Ternay:

“Quanto mais progredimos na leitura dessa poema mais se torna evidente que o mosntro não é um simples crocodilo. O Leviatã é descrito aqui com feições que supõem uma mitologia lírica do mal cósmico, o que permite ao autor utilizar esta figura como um símbolo das forças do mal atuando na história, presente na humanidade”.[3]

Bem, muitas outra coisas poderiam ser escritas, mas como é só um miojo, vamos parando por aqui. O que fica claro é que esse versículo é erroneamente utilizado pelos pregadores que dele se apropriam, pois em nenhum momento Leviatã é sinônimo de Javé, pelo contrário, é hostil a Ele.

Bem, da próxima vez que ouvirem o jargão, orientem o pregador a ler o capítulo inteiro.

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[1] Bíblia de Jerusalém – Em seu pescoço reside a força, diante dele corre o pavor. Bíblia do Peregrino – Em seu pescoço se assenta a força, diante dele dança o terror.
[2] SCHÖKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. 2 ed. São Paulo: Paulus, 2006. p. 1142.
[3] TERNAY, Henri de. O livro de Jó: da provocação à conversão, um longo processo. Petrópolis: Vozes, 2001. p. 299-307.

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