segunda-feira, 15 de março de 2010

Foi Apenas um Sonho...

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008)

O filme do diretor Sam Mendes (Beleza Americana, 1999) é um bom drama. Nele acompanhamos a vida conjunta de Frank (Leonardo DiCaprio) e sua esposa April (Kate Winslet) desde o seu primeiro encontro até morarem na rua Revolutionary Road do título original, subúrbio de Nova York.

Estão ali o casal de vizinhos que olha para a casa ao lado para ver como a grama deles é mais verde; os colegas do trabalho de Frank em um escritório em Nova York; e a corretora de imóveis Helen Givings (Kathy Bates), que lhes vendeu a casa e os visita com frequência ao lado do marido (Richard Easton) e o filho John (Michael Shannon), um ex-matemático que sofreu nas mãos dos tratamentos mentais da época. Este trabalho de ambientação logo mostra o que pensa dos subúrbios estadunidenses: lindos, perfeitos e... vazios. E é por esse "vazio desesperançoso da vida", como bem descrevem os protagonistas, que eles decidem sair dali. Ela queria ir para Paris onde trabalharia como secretária em algum órgão do governo e ele ficaria livre para estudar, viver e encontrar algo que o agrade em vez de ficar enfurnado em um cubículo de um trabalho que odeia apenas para garantir o holerite no fim do mês.[1]

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A partir de agora contém SPOILERS! Leia por conta e risco.

April não encontrava sentido em sua vida, por isso, queria toda aquela mudança. Ela estava a procura do “do algo a mais” que alguns defendem que a vida pode dar. A grande verdade é que ela queria uma mudança na vida, queria fugir do grande vazio daquele lugar e talvez pensasse que o deslocamento geográfico pudesse ajudar. Ledo engano.

A frase mais sensata no filme vem do “louco” John, filho do casal “perfeito”, ele diz: “muitas pessoas estão no vazio, mas é preciso coragem para ver o desespero”. April percebeu o vazio, elaborou um plano mas não conseguiu executá-lo. A atitude do jovem casal na procura da felicidade é frustrada pelas circunstâncias da vida. E isso fica claro no filme: é nos pequenos detalhes que somos atropelados.

A vida é assim, dura, e para cada dia basta o seu mal! Esse vazio que o casal tentou superar está dentro de todos nós, sem exceção. Sempre estamos buscando um sentido para nossa vida, sempre estamos em busca do “algo a mais”, parece que acreditamos no pote de ouro no fim do arco íris.

Penso que o cristianismo é muito realista em sua antropologia: o ser humano é um ser vazio e desorientado. Só encontra sentido em Cristo. O escritor russo Dostoievsky já disse que o vazio dentro do homem é do tamanho da eternidade. Ser cristão é encarar o desespero interior e correr em direção ao Pai, só existe esse caminho.

O lindo casal tentou resolver da sua maneira e tropeçou. Naquela cena em que April acorda aparentemente feliz, preparando o café da manhã como se nada tivesse acontecido na noite anterior, me causou calafrios, naquela hora, eu soube o que ela iria fazer.

O mundo matou Deus e está tentando resolver do seu jeito, o resultado a gente vê na TV. No encontro com Deus eu me enxergo e me desespero, mas sou segurado em mãos firmes que me conduzem no caminho, afinal, a tristeza segundo Deus produz mudança de direção.

O filme permite outros olhares, mas por hora fico com esse. E como bem frisou Marcelo Forlani do Omelete, a última cena do filme é genial!



[1] Adaptado do site Omelete . Acesso dia 11/03/2010

3 comentários:

Mario Gonçalves disse...

Vi o filme, muito bom, triste mas realista!

Somos pobres e vazios (Zaqueu, moço "rico", o rapaz que queria que Jesus dividisse a herança, Nicodemos, etc.

Vale ver o filme e refletir...

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Willian Rochadel disse...

Realmente, triste realidade incutida no marketing hoje, apenas que Deus são regras antigas e inapropriadas para nosso tempo, enquanto isto o vazio continua.
Deus está fora de moda segundo o mundo, mas para nós cristãos Ele é o nosso universo ;)

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