terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ensaio sobre a Cegueira


(Blindness) Canadá/Brasil/Japão, 2008. Direção: Fernando Meirelles. Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal. Duração: 121 min.

Embasado na obra do premiado escritor português José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira é um filme forte, não é um daqueles para reunir a galera e assistir depois do culto. É para assistir em silêncio e em sabedoria, e de preferência, estômago vazio.
Como seria uma cidade, um estado, um país ou o mundo se todos de repente começassem a ficar cegos? Uma pandemia de cegueira sobrevém sobre a humanidade, deixando-a a beira do colapso. O filme nos põe nos bastidores de um confinamento que isola os infectados e acompanhamos um grupo de pessoas, que tenta manter a ordem no caos. Uma delas, inexplicavelmente, permanece imune, e junto com ela, acompanhamos os horrores daquele lugar claustrofóbico ao ponto dela dizer: “Se tu pudesses ver o que eu sou obrigado a ver, quererias estar cego”. Filme forte, mas que pode gerar uma boa reflexão.
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Quem enxerga, tem responsabilidades. O pastor Ed René Kivitz faz uma leitura fantástica desse filme em seu artigo Ensaio sobre a Visão, se quiser, leia aqui. Quero fazer coro com ele. A experiência cristã é semelhante a cegueira, mas no caminho inverso, pois éramos cegos, vivíamos em trevas, agora em Cristo, as escamas caem e a pessoa é transportada das trevas para a luz, em Cristo, temos visão, e quem tem visão, tem responsabilidade de guiar quem não tem.


O cristianismo brasileiro está formando um tipo de cristão muito perigoso: aquele que acha que enxerga. Kivitz diz que o pior cego não é aquele que não quer enxergar, mas aquele que acha que enxerga. Temos uma geração que está se distanciando da Bíblia, da verdadeira comunhão, do sentido real do cristianismo e se aproximando de uma cultura gospel podre. Cultura que promete avivamento sem estudo da Bíblia, que faz louvor para atingir somente a emoção, e nesse jogo vale tudo, o importante é levar o fiel ao êxtase, enfim, é só olhar em volta, somos aproximadamente 26 milhões de evangélicos no Brasil, e que diferença fazemos? Fazemos falta? Ou somos um monte de gente que acha que enxerga, mas no fundo está tão cego quanto o mundo. Não adianta cantar “Como um farol que brilha a noite, como ponte sobre as águas...” e não fazer nada.


Sei que são palavras fortes, e elas me estraçalham sempre pela manhã: Deus eu quero ser relevante, quero levar a sério a visão que me deste, ajuda-me! Encerro com as palavras de Kivitz:
“Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente é cego que pensa que vê. E é cego de sua própria cegueira, o que faz dele o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver recebe a missão de servir.”

Um comentário:

Willian Rochadel disse...

UAU, isto foi forte: somos aproximadamente 26 milhões de evangélicos no Brasil, e que diferença fazemos? Fazemos falta?
Realmente, qual a necessidade de nós cristãos? O que adianta estarmos inertes ao mundo encapsulados nas igrejas buscando bençãos e esquecer das pessoas sedentas?
Vale a pena repensar o papel de cristão na sociedade, pois ainda vivemos neste mundo e podemos fazer a diferença.

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