segunda-feira, 30 de novembro de 2009

30 de Novembro - Dia do Teólogo


Parabéns a todos os teólogos que se esmeram em querer conhecer mais a palavra de Deus e as doutrinas cristãs ao longo da história. Que se preocupam com a correta conduta da Igreja e de alguma forma luta para que ela não se perca no caminho...

Parabéns pra você que não se deixa desanimar mesmo quando toda a liderança da igreja pula de alegria ao ouvir um pregador famoso distorcer algum evento do Antigo Testamento ou coisas do tipo, e tenta de alguma forma, mostrar o desvio sem parecer arrogante e dono da verdade...

Parabéns pra você que não se isolou num escritório, ou casa de campo, e de lá critica por criticar a igreja, mas que faz teologia a partir do povo e para o povo. Teologia que trabalha a serviço da comunidade mesmo quando a comunidade não reconheça a importância do seu trabalho, parabéns!
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A todos que enveredaram pelo caminho da teologia, meus parabéns. Que continuemos a servir a Igreja mesmo que para isso tenhamos que engolir alguns “sapos” para podermos continuar no meio dela, pois o teólogo não tem sentido sem a comunidade de fé; não tem sentido no isolamento doutrinário.

Instruções de Lutero para ser um bom teólogo, leia aqui!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Espada ou Curativo


Eu acabei de assistir a primeira temporada de Lost, produzida pelo nerd J. J. Abrams. Ok, eu sei que estou meio atrasado, mas em duas semanas eu chego ao final da quinta temporada…
Além de todos os mistérios que cercam as personagens perdidas na Ilha, chamou-me muito à atenção os flashbacks dos protagonistas que acompanhamos em cada episódio. Esses flashbacks além de nos revelar um pouco da vida de cada um, nos mostra o porque ele/a está agindo dessa maneira na Ilha, o porque reage dessa forma ao ouvir determinada frase ou conceito a seu respeito.

Geralmente, essas reações na Ilha são fruto de alguma palavra dura que ouviram de alguém que amavam ou consideravam importante: vemos a patricinha que ouviu que nunca faria nada importante na vida, o roqueiro viciado que nunca cuidaria de ninguém, etc. Cada flashback visa explicar essas atitudes na Ilha, e geralmente essas ações, são reações ao que ouviram ao longo da vida.

Fiquei pensando sobre o poder das palavras[1]. Veio-me a mente alguns versículos de Provérbios e o quanto nossas palavras podem levantar ou derrubar alguém num momento delicado da vida, ou numa discussão. Elas podem ser conforto ou cacetada.
Vejamos algumas declarações de Provérbios (NVI):

“A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios abriga a violência.” – 10.11;
“Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo,…” – 11.9;
“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura[2]” – 12.18;

Existem muitos outros versículos na Bíblia nos orientando a esse respeito, mas creio que esses de Provérbios já bastam para nos deixar bem claro, que nós, justos em Cristo, somos convidados a fazer de nossas palavras medicina para os que precisam e não espada que ofende e mata. Em nossos relacionamentos as palavras fazem toda a diferença, constroem ou destroem. E como diz o ditado: “palavra falada é como pedra atirada, não volta mais”.

Não posso esquecer-me de falar da palavra de perdão, ela não irá apagar a ofensa proferida, mas restituirá o relacionamento.
Que possamos usar as palavras para construir pontes e não abismos.
“Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” – 15.23.


Não esqueça de comprar o livro: Rascunhos da Alma: reflexões sobre espiritualidade cristã. Leia um capítulo aqui.

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[1] Deixo bem claro que não penso em poder das palavras no sentido apresentado por Don Gossett em seu livro Há Poder em Suas Palavras.
[2] … mas a língua dos sábios é medicina – ARA.


PS - esse texto escrevi há dois meses atrás para o portal formulados.com.br, já estou em dia com Lost...

sábado, 14 de novembro de 2009

2012 - A Evangelização



Há dois anos criei o panfleto A Morte do Coringa, onde refletia sobre a morte do ator Heath Ledger. Esse panfleto foi entregue nos cinemas depois das exibições do filme O Cavaleiro das Trevas. Foi uma experiência interessante e acredito que deu resultados, imagino alguém regando e outro colhendo.
Agora eu escrevi o panfleto 2012, onde falo sobre o filme, as previsões maia do fim do mundo, enfim, tento gerar uma pequena reflexão. Esse não será entregue nas sessões de cinemas, quem sabe, mas em escolas, universidades, terminais de ônibus, etc.
Conto com as vossas orações para que mais uma vez esse projeto possa gerar uma reflexão e porque não uma metanóia...

agradeço ao amigo Elinéias Fabrício que fez a arte do panfleto.

PS - Se você quiser evangelizar com esse panfleto, entre em contato comigo no rodrigo@formulados.com.br que eu lhe mando o arquivo em cdr. ou em jpg. Vamos evangelizar, creio que entregar esse panfleto pode ser uma boa abordagem.

Segue o texto do panfleto...

Mais uma vez o diretor de cinema Roland Emmerich (O Dia Depois de Amanhã) acaba com o mundo. Em seu novo filme, 2012, o planeta é destruído por catástrofes naturais: como fissuras tectônicas, maremotos, erupções vulcânicas, etc. Com efeitos especiais de primeira, o filme cataclísmico mostra o desespero da humanidade tentando escapar da fúria da natureza.
Por que 2012? Cientistas têm afirmado que, em 2012, o planeta poderá ser alvo de tempestades solares nunca antes experimentadas, e isso causará grandes danos à humanidade. Mas o que intriga mesmo e tem despertado filmes, documentários, debates, etc, é que o calendário da antiga civilização Maia acaba em 21/12/2012 e sua cosmologia prevê o fim deste ciclo solar com tormentas solares, teoria ratificada por nossos cientistas contemporâneos.
Mesmo assim, não podemos afirmar que 2012 será o fim do mundo, pois essas profecias e teorias não possuem precisão, mas elas podem nos servir de aviso...

No verso

O aviso claro e evidente é que estamos destruindo a nossa própria casa e seja em 2012 ou em qualquer outra data, a natureza irá dar a sua resposta final a ação degradante do ser humano. Por isso, a preservação deve começar com pequenas atitudes, como: economizar água; reciclar o lixo (jogar lixo no lixo), descartar corretamente pilhas, baterias, óleo de cozinha, etc. São coisas simples que se todos nós praticarmos, poderá fazer alguma diferença no meio ambiente!
Porém, o aviso mais importante que vejo nisso tudo é que: o fim do mundo para mim ou para você pode ser a qualquer momento. Ninguém sabe o dia de sua morte! Nesses filmes catástrofes sempre tem um personagem tentando se reconciliar com alguém ou concertar algum erro do passado enquanto o mundo vai se acabando. Eu e você talvez não tenhamos essa chance, por isso, para manifestarmos amor e doarmos perdão não podemos esperar ou deixar para depois, temos que fazer agora, motivados por uma atitude nobre e corajosa da nossa parte, pois como diz a canção “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
E não podemos deixar para a última hora o nosso relacionamento com Deus, pois o bom relacionamento com ele é a base de todos os demais relacionamentos. Ele até pode nos salvar no último minuto, mas Ele não quer só os momentos finais da nossa vida, Ele quer construir uma história inteira conosco, e ela começa aqui, neste planeta. Não podemos fugir de Deus e de seu amor, pois fomos programados para Ele.
Não resista, entregue-se a Ele – quando? – hoje, pois amanhã poderá ser tarde...

Para saber mais, acesse www.formulados.com.br/2012 (o portal formulados existe, mas o /2012 será criado durante a semana!)
Por Rodrigo “Bibo” de Aquino
Autor do livro Rascunhos da Alma, Editora Refidim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sete Vidas


Ben Thomas (Will Smith) é um agente da receita federal que resolve ajudar sete pessoas. Ele as analisa, se percebe que a pessoa sonegou por que está em apuros, ele dá um tempinho extra para a pessoa se acertar com o leão do fisco, mas se percebe malandragem, a pena é dura. Conforme o filme cresce, descobrimos paulatinamente, em forma de flash`s do passado, o que atormenta Ben e o motiva a ajudar essas pessoas.

A vida de Ben muda quando ele conhece a frágil Emily (Rosario Dawson), encontro que vai resultar na sua maior redenção. Redenção, essa é a palavra do filme! Então prepare os lenços e deixe meleca escorrer!

Em relação ao desempenho de Will, não preciso falar nada, o cara já mostrou em Eu sou a Lenda (2007) que pode levar um filme sozinho nas costas, e aqui, em Sete Vidas, além de mandar bem pra caramba, como em Ali (2001) não domina sozinho, Rosário Dawson acompanha bem o ritmo do drama.

A partir de agora, só continue lendo se você já viu o filme, contém SPOILERS...

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Chegando perto do final do filme, descobrimos que Bem causou acidentalmente a morte de 7 pessoas, entre elas a sua amada esposa. Acompanhamos um cara perdido que de alguma forma encontra sentido ao ajudar as pessoas, e quando encontra uma mulher que vai morrer devido a problemas cardíacos, se mata para que ela tenha o seu coração. Se mata também para que um cego tenha seus olhos. A crítica caiu em cima de Will dizendo que nesse filme ele exagerou, que ele quer ser Deus e tals.

Também achei exagero, tudo bem que eu nunca perdi alguém que amo, nunca fiquei sem sentido na vida e essas deprês todas, mas percebi que mesmo ele fazendo o bem as pessoas, sua dor não era sanada, por isso, quis se matar, vida por vida, eu tirei vida, eu darei vida.

O suicídio nunca é a melhor saída, mesmo que seja para beneficiar a outrem. Tirar a própria vida é sinal de fraqueza e covardia, é fugir dos problemas e não encará-los. Sei que é muito fácil falar para quem nunca passou por grandes problemas emocionais, mas sei de pessoas que já passaram por barbáries e se levantaram, ou melhor, foram levantadas.

Tem situações que se o humano não se agarrar ao divino, ele se perde, ele se mata. A Bíblia nos dá vários exemplos (Jó/Davi/Jesus) de que o ser humano não pode sozinho. Somente um ser humano morreu e gerou de fato vida, Jesus, o homem-Deus, o resto, é loucura!


Sete Vidas (Seven Pouds) EUA, 2008 - 118min. Drama. Direção: Gabriele Muccino (A Procura da Felicidade). Elenco: Will Smith, Rosário Dawson, Woody Harrelson (caramba, lembram dele?) e Barry Peper.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Chegou!!!


"que meus rascunhos lhe ajudem a escrever a obra-prima de sua vida"


Este pequeno livro é o extrato das reflexões que escrevi no blog Ócio Teológico ao longo de um ano. Lá discorri sobre assuntos que envolvem a fé cristã, refleti sobre o jeito evangélico de ser, compartilhei as minhas dúvidas, ajudei e fui ajudado. A idéia de colocar parte disso no papel surgiu no afã de abençoar os que não têm acesso a internet e aos que ainda preferem o bom e velho livro, pois gostam de riscar, ler em locais diversos, presentear, etc.
O livro tem esse título porque acredito que minhas idéias, aquilo que sou e sinto, estão em constante mudança, em construção. Como sou inacabado, só posso apresentar rascunhos, nada definitivo! Rascunhos da Alma são partes de reflexões que desejo compartilhar com você, por isso, o livro não trata de um único assunto, mas de vários que visam um único objetivo: o despertar para uma espiritualidade saudável que responda em amor a ação graciosa de Deus. Escrevemos sobre oração, amor ao próximo, sinceridade, salvação, missão, arrependimento, etc.

Minha oração é que você seja orientado, edificado e abençoado.

Rodrigo,
Julho de 2009.
quem mora em Joinville encontra nas Lojas da Bíblia, CIA Gospel e Átrios (Pirabeiraba) e quem mora fora, pode comprar clicando no banner acima.

sábado, 17 de outubro de 2009

Lutero e a Escritura

Aproximando-nos de mais um aniversário da Reforma Protestante, nada mais oportuno do que ouvir alguns conselhos de Martim Lutero sobre a Escritura Sagrada:

“A proclamação dos apóstolos foi originalmente também uma palavra falada. Isso corresponde à natureza do Evangelho. Pois o Evangelho não é simplesmente a comunicação de uma verdade da qual alguém poderia tomar conhecimento pelo ler, mas ela é, antes de tudo, um chamado ao homem. Por essa razão, sua forma primária é a proclamação falada. [...] A Escritura tem sua fonte e existência por causa da proclamação oral. Ela surgiu nesse meio como algo que é necessário somente porque é uma ajuda indispensável na proclamação da palavra. A Escritura surgiu da proclamação verbal e está aí por causa dela. A palavra escrito tornou-se necessária por causa do perigo de a pregação descambar para heresias, se a norma da mensagem apostólica fosse esquecida, Por isso a cristandade necessitou a ‘Escritura’, o memorial permanente da pregação apostólica, em forma escrita. Isso torna as congregações mais independentes de seus pregadores. Pregadores podem cair, tornando-se pregadores falsos. Por isso, é necessário que a congregações não dependam absolutamente deles, mas tenham uma posição na qual possam criticar e corrigir seus pregadores. A Escritura possibilita isso”[1]

Que sonho uma comunidade assim. Comunidade conhecedora da palavra que pode auxiliar seus pregadores. Aqui Lutero não fala de crítica por crítica, mas de tarefa da comunidade de Cristo. Se o cenário religioso evangélico brasileiro está assim, é porque nossas comunidades não examinam mais as Escrituras, logo, balançam a cabeça e dizem amém para qualquer coisa que sai dos púlpitos. Uma pena, pois tem saído cada coisa...

Fica o recado...

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[1] Paul Althaus parafraseando Lutero. A Teologia de Martinho Lutero. Canoas: ULBRA, 2008. p. 88-89.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Caça as Bruxas


Quando eu estava, na antiga 5ª série, a professora de português fez um trabalho, onde os alunos teriam que procurar erros gramaticais em cartazes e placas de lojas, outdoors, cardápios, vitrines, etc. Ela batizou o trabalho de Caça as Bruxas. Foi um trabalho interessante. Desde que me formei em teologia, caço algumas bruxas nos púlpitos da vida... não é por mal, é por hábito...

Num final de semana há algum tempo atrás, numa igreja, eu ouvi as seguintes declarações:

1 – um pastor em meio ao seu empolgante discurso sobre o amor de Deus falou: “irmãos, Deus nos amou tanto, que veio a esse mundo e se encarnou num homem”...

2 – outro, ao falar sobre o por que sentimos saudades do céu disse: “sabe por que sentimos saudades do céu? Porque nossa alma veio de lá”.

3 – uma dupla cantou um hino que dizia no refrão: “o anjo vai descer aqui e te abençoar” (não só no refrão, mas em toda letra o anjo era o agente da bênção).

4 – e por último, que não se encaixa no rol de heresias, mas de falta de sensibilidade. O pregador, no afã de falar que a presença de Deus nos cura de todos os males, bradou: “irmãos, esses centros de recuperação só estragam as pessoas, elas entram ruim e saem piores, a pessoa tem que ir é para a igreja”.

Eu reconheço que existem desvios teológicos bem mais graves e que esses que apresentei acima não são um “bicho de 7 cabeças”, contudo, acredito que apesar de serem pequenos, devem ser corrigidos:

1 – Deus não se encarnou num homem chamado Jesus de Nazaré. Na antiguidade apareceram muitas doutrinas cristológicas semelhantes, que foram tidas como heresias (Nestório, ebionitas, monofisismo, etc.). Maria gerou em sem ventre o menino Deus. Temos que nos firmar na decisão do Concílio de Nicéia, na fórmula do homooúsios (da mesma substância) onde Cristo é da mesma substância que o Pai e confessarmos o credo niceno-constantinopolitano que diz: “e em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, da substância (ex tes ousías tou patrós) do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância com o Pai (homoousion to patrí) pelo qual foram feitas todas as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual por nós seres humanos e por nossa salvação desceu, foi feito carne do ES e da virgem Maria, e tornou-se humano, e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos...”[1].

2 – Dizer que a alma veio do céu é o mesmo que dizer que a alma é pré-existente, e a Bíblia não fala nada nesse sentido, Platão fala. Para Platão, a alma é um ser eterno, de natureza espiritual, cuja função principal é conhecer o mundo ideal e transcendental. Platão afirma que a alma humana, é imortal e de natureza espiritual e inteligível, sofreu uma espécie de queda original, causada por um mal radical (o que chamamos de pecado). Afirmar que a alma veio do céu além de anti-bíblico é engraçado, pois fico imaginado Deus com saquinho de almas. Se o ser humano foi criado por Deus, logo, todo ele provém de Deus, mas isso não quer dizer que nossa alma estivesse em Deus, numa pré-existência. Pensar dessa forma é reduzir o corpo a receptáculo da alma, e isso não é bíblico também, como vimos nos estudos abaixo
. Por exemplo, o termo hebraico néfesh, geralmente é traduzido como alma em muitas de nossas traduções. Isso é problemático, porque geralmente já lemos o texto tendo em mente a compreensão platônica de alma: algo preso dentro do corpo, separado do corpo. Para termos uma idéia, néfesh abarca em seu campo semântico aproximadamente sete significados (garganta, pescoço, anelo, alma, vida, pessoa, pronome) e hoje podemos concluir que em poucas passagens a tradução dessa palavra por “alma” corresponde ao significado de néfesh. Dois exemplos pertinentes:
A – em Gn 2.7, certamente néfesh não significa alma. Ela dever ser vista em Gn 2.7 em conjunto com a figura total do ser humano, especialmente com sua respiração; por isso o ser humano não tem néfesh ele é néfesh, vive como néfesh.
B – Quando diz sobre Raquel (Gn 35.18) que sua néfesh “saiu” quando ela morreu, de acordo com o Antigo Testamento, só podemos pensar em respiração, e não em alma. [2]

3 – preciso comentar mesmo? Anjos são servos e não merecem adoração, destaque e nem hino. Dedicar hinos a anjos como agentes da bênção é trocar os pés pelas mãos, é roubar a glória de Deus. Ouvindo esse hino, dá até vontade de orar para o anjo...


4 – Infeliz essa colocação. Falar uma coisa dessas é focar nos casos que não deram certo. É esquecer-se das muitas pessoas que se recuperaram nesses centros de tratamento e voltaram a viver em sociedade, voltaram para as pessoas que a amam, é esquecer que esses centros são, para muitas famílias, a única chance de uma nova vida, pois ninguém mais quer, nem mesmo as igrejas. Essas casas de recuperação fazem um excelente trabalho. Acompanhei um pouco o trabalho do CERENE, e vi pessoas sendo transformadas e se rendendo ao evangelho.

Cada tópico aqui poderia ser mais explorado, mas já estouramos o limite de linhas e o tempo do ócio se foi...

Se quiseres aprofundar um pouco sobre a questão da alma, principalmente o tema imortalidade da alma, clique aqui e leia o artigo do Prof. Dr. Euler Westphal na revista Vox Scripturae.



[1] DREHER, Martin N. Coleção história da Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 2004. v. 1. p. 68.
[2] Ver o brilhante estudo de WOLFF, Hans W. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2007. p. 33-56.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tricotomia e Dicotomia, parte final


Breve análise semântica de termos antropológicos em Paulo.

Para compreendermos melhor essa questão sobre a tricotomia ou dicotomia, que foi nosso assunto anterior, vamos analisar brevemente alguns termos centrais na antropologia paulina. Por quê antropologia do apóstolo Paulo? Porque nos seus escritos a antropologia está mais elaborada e são em seus textos que os teóricos buscam fundamentação para suas doutrinas. Por isso, é de extrema importância essa análise semântica.

--> soma/corpo: à o corpo é um termo central na antropologia de Paulo. A dificuldade na compreensão desse termo grego é que não existe um correspondente hebraico direto. A palavra soma utilizada por Paulo e escritos do Novo Testamento, é a tentativa de se traduzir uma variedade de termos hebraicos, sem, contudo, ter uma equivalência com eles. No AT, o termo que possui envergadura teológica e no qual se embasa o pensamento paulino é o termo basar (carne), sendo que, a partir dele, a Septuaginta abra caminho aos termos carne e corpo. [1] Ao surgir a pergunta, como os hebreus expressam numa palavra o que os gregos expressam duas, John Robinson afirma que a resposta se encontra nos pressupostos presentes nos sistemas de pensamento de ambas as culturas. O pensamento grego é organizado sob antagonismos: matéria e forma, o um e o múltiplo, corpo e alma. Robinson diz que tem-se a noção de que o corpo é limite ou separação dos outros corpos ou objetos. Desta forma, “soma, em oposição a sarx, é o princípio de individuação, o que distingue e separa um homem de outrem”[2].


Já no pensamento hebraico, que não é dualista, enxerga-se a realidade como totalidade, onde “basar significa toda substância (realidade) vivente dos homens e dos animais organizada numa forma corporal”; “A idéia hebraica de personalidade [...] é a de um corpo animado, e não a de uma alma encarnada [...]. O ser humano não tem um corpo, ele é um corpo. Ele é carne-animada-por-uma-alma, sendo concebida a totalidade como uma unidade psico-física.” [3]
Com base nisso, pode-se então afirmar que para Paulo, soma tem um sentido de pessoa[4], onde a existência humana, mesmo na esfera do “espírito”, é uma existência corporal, somática. Logo, soma não é meramente um meio de expressão, mas a pessoa total.[5] Bultmann afirma que o ser humano não tem um soma, ele é um soma.[6]. Dunn acredita que o conceito de corpo em Paulo é maior do que o de corpo físico, por isso sugere soma como corporificação de toda pessoa.
“Nesse sentido soma é conceito relacional. Denota a pessoa corporificada em determinado ambiente. É o meio para viver no ambiente, para experimentá-lo [...] soma como corporificação significa mais que mero corpo: é o ‘eu’ corporificado, o meio com o qual ‘eu’ e o mundo agimos um sobre o outro.”[7]

Segundo Dunn, o que chama atenção é a distinção que Paulo faz entre o corpo atual e o corpo da ressurreição, onde na redenção não se tem uma fuga da experiência corporal, mas transformação numa espécie diferente de existência corporal, não mais sujeita a corrupção e a morte.[8] “Aliás, somente a partir da ressurreição do soma, torna-se compreensível, não só a reivindicação exclusiva do Senhor sobre o homem todo, como também a incompatibilidade de ser membro de Cristo e se unir à meretriz”.[9]


Para Paulo, soma, representa a humanidade criada como existência corporificada, onde por meio dessa corporificação a pessoa faz parte da criação e participa dela, tornando a dimensão social da vida humana possível.

--> sarx/carne: esse é outro termo fundamental na antropologia paulina. É um termo controverso, pois pode significar simplesmente a parte física do corpo até o sentido de “carne” como força hostil a Deus, como pecado. Essa gama de sentidos se dá pelo fato de que Paulo teve influências hebraicas e gregas.[10] Então, ora ele usa sarx com o sentido de corpo material, refletindo o termo hebraico basar (que representa o ser humano como um todo diferente de Deus), ora como “carne”, algo antagônico a Deus, refletindo a cultura helênica. Tanto que seu dualismo carne x espírito lembra Platão.[11] Teríamos que analisar texto por texto para sabermos quando Paulo emprega um sentido e quando emprega outro. Mas em síntese, podemos afirmar que sarx para Paulo representa o ser humano como criatura fraca, vulnerável, completamente dependente de Deus, bem como em oposição e em contradição com Deus e o Espírito de Deus.

Clique aqui para baixar um pequeno excurso sobre a relação soma e sarx e nous (inteligência) e kardia (coração). É fundamental leres esse texto para ter sua visão ampliada sobre a compreensão do ser humano em Paulo. Texto retirado do livro, A Teologia do apóstolo Paulo, de James Dunn.


--> psyche/alma: Paulo emprega esse termo no mesmo sentido do termo hebraico néfesh, ou seja, representa a vida toda da pessoa e não algo isolado do meu corpo como na compreensão grega. Psyche designa a pessoa a partir de determinado ponto de vista; o homem que pensa, trabalha e sente, ou a personalidade. Embora o corpóreo e o incorpóreo sejam distintos, a atividade dinâmica entre eles dá testemunho da unidade da pessoa. Para Paulo a psyche não é superior ao soma, apenas designa e salienta outro aspecto do ser.[12] Psyche denotando a pessoa é clara em muitas passagens (Rm 2.9; 13.1; 1Co 15.45; etc.), em outros lugares o sentido desloca-se para “vida” (Rm 11.3; Fl 2.30; etc) ou “vitalidade humana” (Cl 3.23; Ef. 6.6; etc.).[13]
à pneuma/ e/Espírito: Paulo não considera o pneuma uma centelha divina (o verdadeiro eu) encarcerada no físico. A pessoa que, como espírito, experimenta a comunhão com Deus é um ser corpóreo. O pneuma assim como a sarx precisam ser purificados (2Co 7.1). Nada escapa das garras do pecado, nem o pneuma, logo, não pode ser algo divino em nós. Podemos voltar ao texto de 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus... vos santifique totalmente (holísticamente)...”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (holos). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.[14]


Uma dificuldade que encontramos com esse termo, a semelhança de sarx, é que o número de usos de pneuma significando espírito humano em Paulo é incerto, pois em muitas passagens não é claro se a referência é ao Espírito divino ou ao humano. De qualquer modo, é significativo que número de referências ao Espírito Santo supera em muito o das referências ao espírito humano.

Em síntese, Dunn nos diz:


...podemos dizer que a pessoa humana, de acordo com Paulo, é um ser que funciona dentro de várias dimensões. Como seres corporificados, somos sociais, definidos em parte pela nossa necessidade e nossa capacidade de entrar em relação, não como opcional extra, mas como dimensão da nossa própria existência. Nossa carnalidade atesta nossa fragilidade e fraqueza como meros humanos, a inevitabilidade de nossa morte, nossa dependência da satisfação dos apetites e dos desejos, nossa vulnerabilidade à manipulação desse apetites e desejos. Ao mesmo tempo, como seres racionais, somos capazes de alçar às maiores alturas do pensamento reflexivo. E como seres que sentem somos capazes das mais profundas emoções e da mais intensa motivação. Somos seres vivos, animados pelo mistério da vida como um dom, e há uma dimensão do nosso ser pela qual somos diretamente tocados pela realidade mais profunda dentro e além do universo. Paulo não duvidaria em dizer, grato e reconhecido, com o salmista: “Eu te celebro por tão grande prodígio, eu me maravilho com as tuas maravilhas (Sl 139.14)”.[15]



[1] PUENTES REYES, Pedro A. O corpo como parâmetro antropológico na bioética. Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em: Acesso em: 03 maio 2007. p. 72. Puentes ressalta que “a totalidade humana como materialidade, pó, corpo, não é em si fonte do pecado e do mal. [...] Em Paulo os aspectos negativos da existência humana se devem à sarx, a carne, e não ao soma, o corpo.” Ibid., p. 101.
[2] John A. T. Robinson apud.: Pedro A. O corpo como parâmetro antropológico na bioética. Tese de Doutorado. EST-INPG, Disponível em Acesso em: 03 maio 2007. p. 73.
[3] John A. T. Robinson. Loc. cit.
[4] Nunca de cadáver. Cf. DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 86.
[5] WIBBING, S. corpo in:COENEN, L. BROWN, C. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 521.
[6] BULTMANN, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2004. p. 248.
[7] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 87.
[8] DUNN, James. op. cit., p. 92. Nesse sentido, entende-se o labor de Paulo em 1Co 15 afirmando a ressurreição do corpo. “A vida humana é inconcebível sem o corpo.” Cf. WIBBING, S. corpo in:COENEN, L. BROWN, C. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 522.
[9] WIESE, Werner. A importância da corporalidade na escatologia paulina: uma análise de textos paradigmáticos das cartas autênticas de Paulo. Dissertação de Mestrado. Sem. Teo. Batista do Norte do Brasil. Recife, PE. 1996. (Não publicado). p. 133.
[10] Segundo Bultmann, Paulo se opõe a algumas das noções apreciadas pelos gnósticos, como a depreciação do corpo, mas vê uma fenda tão profunda no homem, uma tensão tão grande no seu interior... que se aproxima do dualismo gnóstico. Embora ele utilize primordialmente psychê no sentido veterotestamentário de “vida ou pessoa”, seu uso do termo em sentido depreciativo em contraste com pneuma evidencia a influencia gnóstica. REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[11] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 93.
[12] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[13] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 109.
[14] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.
[15] DUNN, James. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 112.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dicotomia ou Tricotomia?

Como a Bíblia divide o ser humano? Ou melhor, ela o divide? Somos uma criatura dividida? Como entender corpo, alma e espírito?
Antes de procurarmos um posicionamento que se aproxime das escrituras, é importante definirmos os termos tricotomia e dicotomia.[1]

–> tricotomia: o termo, que significa uma “divisão em três partes” (gr. tricha, “em três partes”; temnein, “cortar”), é aplicado na teologia à divisão tríplice da natureza humana em corpo, alma e espírito. Esse conceito desenvolveu-se da divisão dupla feita por Platão [...]. Os escritores cristãos primitivos, influenciados por essa filosofia grega, acharam a confirmação da sua opinião em 1Ts 5.23: “os mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Em uma versão de tricotomia, Deus habita o espírito (a pessoa interior) e o liberta da escravidão à alma (pessoa exterior) e ao corpo (a pessoa mais exterior) e faz a alma e o corpo subservientes ao espírito.
–> dicotomia: este termo, que significa uma divisão em duas partes (grego dicha, “em dois”; temnein, “cortar”), aplica-se na teologia àquele conceito de natureza humana que sustenta que o homem tem duas partes fundamentais no seu ser: o corpo e a alma/espírito, uma parte material e outra imaterial.[2] Por influência de Agostinho e dos reformadores protestantes, a dicotomia tornou-se a opinião estabelecida na teologia ocidental. J. G. Machen, por exemplo, afirmou ser inquestionável que a Bíblia “reconhece a presença de dois princípios ou substancias distintos no homem – o corpo e a alma”. Para ele, e à maioria dos exegetas, alma e espírito simbolizam a mesma realidade.

Problemas da interpretação tricotômica do ser humano

Essa interpretação da natureza humana, pode, facilmente, deixar despercebida a tremenda ênfase bíblica na integralidade e na unidade, onde mesmo no texto “prova” em Tessalonicenses, Paulo ora para que sejam santificados em tudo, e que [todo - ARC] seu espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros.
Geralmente, a escola teológica que defende a tricotomia, reduz o corpo a “carcaça”, “templo”, “receptáculo”, etc. da alma e espírito. Leiamos essas declarações:


Em resumo, a imagem de Deus, no homem, refere-se à imagem espiritual e moral, conforme a semelhança de Deus; e também à imagem natural, pelo fato de o homem ser uma pessoa, à semelhança de Deus, que também é Pessoa. Quanto ao corpo, foi feito por Deus para abrigar a parte espiritual do homem, formado por espírito e alma.
O corpo não é a imagem de Deus, porque é formado do “pó”. Porém, o Senhor soprou nele a nephesh _ a vida física da alma que possui a imagem e semelhança de Deus (Gn 2.7) Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.
Os impulsos físicos, pois, encontram-se sob o controle do espírito humano, a sua parte superior.
[3]


Nessa perspectiva, a utilidade do corpo se resume a “abrigar” a parte espiritual do ser humano, de modo que, se estabelece a superioridade deste em relação àquele. De acordo com estas declarações, alma e espírito abrigam a imagem de Deus, portanto, a dimensão espiritual do ser humano é privilegiada e tem relação direta com Deus. Quanto ao corpo, este possui relação direta com a alma e espírito e só num segundo momento, há relação com Deus.

O corpo na concepção tricotômica está excluído daquilo que constitui a “imagem e semelhança” de Deus, tendo como função abrigar a parte espiritual do homem, isto é, o espírito e a alma. Aqui se percebe uma nítida desvalorização do corpo porque a dignidade do ser humano está no fato de ser semelhante a Deus. Sendo o corpo excluído do vínculo com esta semelhança de Deus, pois é privilégio apenas da alma/espírito, fica estabelecido a divisão do ser humano. Uma parte sua é imagem e semelhança de Deus enquanto outra não.

Tudo no ser humano é Imago Dei (falo mais sobre isso aqui), e o ser humano não tem corpo, ele é corpo (entenda mais clicando aqui). É preciso entender que os muitos termos que a Bíblia utiliza para se referir as partes específicas do ser humano, dizem respeito ao ser humano com um todo. Vemos muito isso em Paulo, pois ele frequentemente indica a pessoa toda por meio de termos que em outros contextos designam um aspecto ou uma dimensão da pessoa. Ao fazê-lo, ele não contradiz o outro emprego, nem confunde a parte com o todo. Ele vê a pessoa toda de um ponto de vista determinado, ou realça a contribuição de determinado aspecto para o funcionamento do todo.[4]

Em 1Ts 5.23 onde Paulo parece dividir a pessoa em três partes. Mas a intenção de Paulo é exatamente o contrário: “Que o Deus… vos santifique totalmente (holísticamente)…”, longe de dividir a pessoa, Paulo expressa a esperança de que os crentes, mediante a obra santificadora de Deus, sejam salvos da desintegração e preservados como seres completos (holos). Ele junta os três termos (somente aqui) para enfatizar, não para definir.[5]

Na próxima parte de nosso estudo, vamos entender que Paulo não valoriza o espírito em detrimento do corpo, o coração em detrimento da razão, Paulo enxerga o ser humano como um todo, tanto que a salvação do ser humano não acontecerá sem o corpo (1Co 15).

____
[1] Utilizaremos as definições de WARD W. E. In: ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 1984. Vol. 1 e 3. e de REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.[2] Existe também autores que rejeitam a dicotomia e defendem que o ser humano é retratado na Bíblia como uma totalidade, um todo, um ser unitário, que nesta vida presente não pode ser assim dividido. Esse pensamento, denominado Monismo, encontra amparo na antropologia do AT.[3] GILBERTO, Antonio. (Ed.) Teologia sistemática pentecostal. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 259 e 307.[4] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.[5] REASONER, M. In: HAWTHORNE, G. F. (org.) Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/ Paulus/ Loyola, 2008. p. 1021-1033.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência e Morte!

Hoje, 7 de setembro, simbolicamente comemora-se a independência do Brasil, quando D. Pedro bradou: “Independência ou morte”, a partir de então, nosso País começa a ter autonomia política em relação ao Reino de Portugal.

Pensando sobre essa data comemorativa, fui parar naquele jardim, O Jardim no Éden. Foi lá que aconteceu o maior processo emancipatório da história da humanidade, quando Adão e Eva gritaram as margens do “rio Eufrates”: Independência e Morte.
Segundo o txt de Gn 3.3 o casal estava ciente de seu futuro caso comecem o fruto: “mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’” (NVI).

Adão e Eva escolheram caminhar sozinhos, terem conhecimento do bem e do mal. O autor bíblico utiliza a figura de uma árvore, visto essa figura simbolizar o conhecimento humano no Antigo Oriente. Tudo então fica claro: o autor quer nos dizer que um dia a humanidade decidiu caminhar sozinha, independente, seguindo sua própria sabedoria. O autor ainda faz questão de utilizar o termo hebraico Adam tanto para o relato da criação como o da queda, porque:

A origem do pecado está na humanidade, está em Adão (Rm 5.12). Adão e Eva são personagens coletivos, representam a humanidade em geral. Paulo diz: em Adão todos pecaram (1Co 15.22). Adão é personalidade corporativa! Não há como atribuir culpa somente a um ancestral, utilizando-o como “bode expiatório”. A queda repete-se em cada pessoa, pois todos pecam. Ninguém está em condições de começar da estaca zero, pois a humanidade traz consigo a marca do pecado.[1]

Emancipar-se de Deus foi a maior estupidez da humanidade. Nosso rastro histórico tem provado que nossa independência de Deus, que é sinônimo de dependência do pecado, só nos conduz ao caos e ao abismo. O ser humano autônomo é burro, pois ele foi programado para Deus.[2]

Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti
Agostinho em suas Confissões.
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[1]http://ocioteologico.blogspot.com/2008/08/origem-do-mal-rascunho-de-um-pensamento.html
[2] WESTERMANN, apud. WIESE, Werner. Ética fundamental: critérios para crer e agir. São Bento do Sul: União Cristã. 2008. p. 64.

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